Ricardo que estava de costas junto da janela voltou-se quando a sentiu entrar, e foi ao seu encontro.
-Estás linda- disse pegando-lhe na mão e conduzindo-a ao
sofá.
-Obrigado! Tu também não estás nada mal- disse esboçando
um sorriso, e estendendo-lhe o presente.
Ele abriu-o e mostrou-se o seu agrado.
-Obrigado. É muito bonito - disse dando-lhe um beijo na face.
Curiosamente, como se tivessem combinado, também ele tinha vestido, o mesmo fato cinzento-antracite que tinha levado ao casamento dos amigos.
Ele abriu-o e mostrou-se o seu agrado.
-Obrigado. É muito bonito - disse dando-lhe um beijo na face.
Curiosamente, como se tivessem combinado, também ele tinha vestido, o mesmo fato cinzento-antracite que tinha levado ao casamento dos amigos.
Naquele momento o porteiro informou-o pelo telefone
interior que o jantar já ia no elevador. Ele encaminhou-se para a porta, que
abriu assim que tocaram. Indicou a cozinha aos empregados que deixaram os
recipientes com as várias iguarias sobre a mesa da cozinha, e saíram felizes com a gorjeta. A fatura iria para o seu escritório. Ricardo fechou a porta e voltou para a sala.
- Pedi para a Matilde ficar com os avós, a fim de ter uma
conversa séria contigo. Porém será melhor irmos jantar e vamos conversando
entretanto. Tenho fome, tu não?
- Nem por isso, mas vamos jantar. Vá que a tal conversa
me desgosta tanto, que não consigo comer - disse Isabel, meio a brincar, para
esconder a sua preocupação.
Levaram a comida para a mesa.
Ostras com molho de manga como entrada, Risoto de frutos
do mar e gengibre, acompanhado por um Sauvignon Blanc, e para sobremesa
morangos com chocolate.
Mais uma vez, Isabel admirou a mesa com as melhores
loiças, sobre uma impecável toalha branca, parcialmente coberta com pétalas de
rosa e velas aromáticas
Durante a refeição falaram do trabalho, dos amigos, da
menina. Do tempo quente de verão, que se fazia sentir lá fora e de uma possível
ida à praia no fim-de-semana. Só não falaram daquilo que realmente os
inquietava. O futuro da sua relação.
Depois do jantar, levantaram a mesa, levaram a loiça suja
para a máquina e tomaram o café, lá mesmo na cozinha.
Quando terminaram, Ricardo enlaçou a mulher pela cintura
e levou-a para o sofá. Depois puxou o cadeirão para a frente dela e sentou-se.
- Antes de terminar o serão vou contar-te uma história –
disse ele. Era uma vez um homem que queria uma família. Ele conseguiu uma filha
maravilhosa e uma companheira de eleição. A sua esposa, era uma mulher maravilhosa. O seu
olhar tinha uma luz que o encantava. Ele nunca vira em nenhum outro ser uma tal
luminosidade num olhar. Era como se a mulher trouxesse a alma presa nos olhos. Todavia não passou muito tempo, e a mulher foi perdendo essa luz, como se a sua alma estivesse
a morrer lentamente. Hoje o homem vive desolado. Sente-se enganado e quer de
volta a sua companheira, mas não sabe o que, ou como fazer para a ter de volta.
Estendeu a mão e agarrou a dela. Estava gelada.
- Será que podes ajudar este pobre homem, querida?
Ela inclinou-se para a frente e uma lágrima caiu sobre a
mão dele, que ao senti-la empurrou para trás o cadeirão, e ajoelhou na sua frente.
- Que se passa Isabel? Porque choras? Estás arrependida
do nosso trato?
Ela olhou-o com os olhos rasos de água e disse:
-Estou. Não sei se conseguirei continuar a levar esta farsa
por muito tempo.
