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1.4.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XIV




- E o espaço? Onde se realizará a festa? Não consigo fazer um projeto sem conhecer o espaço. Também preciso saber se a festa é diurna ou noturna. Se bem, que tendo renovação de votos terá que ser de dia, os sacerdotes, não trabalham de noite a não ser para dar a extrema-unção, a algum moribundo. E sendo assim, até pode ser ao ar livre. No fim do mês teremos entrado no Verão, uma festa ao ar livre seria uma boa ideia.

Parecia ter esquecido tudo o que acontecera antes, a discussão, a raiva, até o homem que a observava com um meio sorriso nos lábios, pensando que o segredo do seu sucesso, era a alma que ela punha naquilo que fazia. Por fim levantou a cabeça e olhou-o.

-Algum dos teus restaurantes tem um jardim bonito? – Perguntou

António olhou o relógio e disse:

- Tenho que me apressar, tenho uma reunião importante dentro de meia hora. Receberás amanhã todas as informações que desejas, para poderes iniciar os teus projetos. Pôs-se de pé e aproximou-se dela que também se levantara.

Apertou entre as suas, a mão que ela lhe estendia, dizendo:
-Acredites ou não; gostei de conhecer-te. É uma pena que o teu pai não te mereça.
Voltou-lhe as costas e saiu fechando a porta atrás de si, deixando-a desconcertada.
Quando trinta segundos mais tarde, Irene entrou depois de uma ligeira batida na porta, ainda a encontrou de pé no mesmo sítio.
- E então, o que queria o nosso homem?
- Uma festa para o fim do mês.
- Que pena não poderes aceitar!
-Aceitei. Vai mandar por correio eletrónico, a lista dos convidados e o local.
- Aceitaste? Mas e a festa do casal Ferraz?
-É dia dezoito. Ficam doze dias até ao fim do mês. Vou conseguir nem que passe as noites sem dormir. É demasiado importante.
- Se tu o dizes… só espero que não adoeças a meio do trabalho. Há meses que não paras. E já agora que tipo de festa é que ele quer.
-A celebração de umas bodas de estanho com renovação de votos, para ofertar à irmã. A propósito, já fizeste a encomenda dos adereços para a festa do casal Ferraz? Pediste urgência?
-Está tudo tratado. Entregam depois de amanhã.
- E o conjunto musical escolhido, está disponível nesse dia?
- Estarão lá, não te preocupes.
- Ótimo. Telefona à Margarida Souto e pergunta se ela tem algum tempo disponível este mês, depois do dia dezoito. Preciso da sua colaboração
-Vou já tratar disso. Mas antes satisfaz a minha curiosidade. O homem é arrogante ou simpático?
- Nunca ouviste dizer que a curiosidade matou o gato? Vai lá telefonar à Margarida que o modo de ser do cliente não nos deve interessar.
- Pronto, está bem, - disse encaminhando-se para a porta. – É que não entendo como foste aceitar mais essa festa, se estás de rastos com tanto trabalho.
Não, ela não podia entender que daquele trabalho, dependia a salvação da sua família, porque Irene não ia adivinhar que o seu pai estava arruinado, e ela não tinha nenhuma intenção de lhe contar.