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28.1.18

A VIDA É... UM COMBOIO - PARTE XIX




- Mãe, mãe, - gritou Martim
- Que aconteceu? Que gritaria é essa? – Perguntou, Amélia, saindo da cozinha a limpar as mãos ao avental
- Sabes quem eu encontrei junto ao rio?
- Como hei-de saber se não estava lá?
- O Paulo, o motard.
Sobressaltou-se a jovem.
- Junto ao rio? Não é local para motos.
- Estava a cavalo. Diz que tem aqui uma quinta.
- Deve ser o sobrinho do falecido António, - interrompeu a avó Maria.
- A avó sabe quem é?
-Conheci-o quando era um garoto. Andava sempre por aí com Alfredo o filho do caseiro. Mas isso foi há muitos anos. O caseiro morreu há vários anos e o filho assumiu o lugar do pai. Era uma pequena quinta, mas de há uns anos a esta parte, o tio desatou a comprar os terrenos todos à volta. Até a mim me fez uma proposta, depois da morte do teu avô, mas eu não seria capaz de viver noutro sítio.
- Ah! Então são vizinhos?
Sim. Embora eu não o tenha visto ainda. Aliás o tio dizia que ele vivia no estrangeiro. Mas vocês conhecem-se?
- O Paulo ajudou-nos naquele dia em que se furou o pneu do carro. O curioso, é que é nosso cliente.
- Vosso cliente? – Admirou-se a idosa
- Sim. É a nossa firma de advogados que trata de todos os assuntos jurídicos da firma dele.
- Sabes, interrompeu o garoto, - estivemos a conversar, e ele disse que se tu deixares me acompanha no jogo da escola. Deixas não deixas, mãe?
- Sinceramente Martim, achas bem apresentares-te na escola com um quase desconhecido?
- Mas nós já o conhecemos. Até a avó sabe quem é. Por favor, mãe.
- Está bem. Mas primeiro quero falar com ele. Quando é que lhe vais dar a resposta.
- Combinámos encontrar-nos esta tarde, junto ao rio. Eu gosto dele, sabes? Ele até ficou preocupado por eu estar ali sozinho que podia ser perigoso. Tive que lhe mostrar como o Rex tomava conta de mim.
- Está bem. Vai lavar as mãos que vamos almoçar em seguida.
- Sabes se o rapaz é solteiro? – Perguntou a avó, assim que Martim desapareceu na casa de banho.
- Não me digas que já estás armada em casamenteira, avó.
- E então, não me vais dizer que era uma má opção. O tio era um homem muito rico e que se saiba, não tinha outro herdeiro. Acho que vou convidá-lo para almoçar connosco amanhã. Política de boa vizinhança.
- Nem sonhes, avó. Nem sonhes.