Desceram até Cascais, onde assistiram ao pôr-do-sol na Boca do
Inferno. Depois pararam junto à praia do Tamariz, para uma rápida mirada ao
Casino e aos jardins, e finalmente regressaram
Há muito tempo que era noite cerrada, quando às oito horas
Salvador estacionou o carro junto de um moderno edifício de apartamentos, no
Parque das Nações. Voltou-se para ela.
- Trouxe-te aqui, para te mostrar a minha casa, e te retribuir o
jantar de ontem. Mas se preferes ir a um restaurante…
- Mas tu disseste que não sabias cozinhar.
- E é verdade. Mas aquecer comida no micro-ondas, faço-o como o
melhor dos cozinheiros, - disse sorrindo. – Tenho uma empregada que cozinha
muito bem. Ela fez o jantar, enquanto fazia o almoço. E a comida para amanhã.
Faz sempre isso aos sábados de manhã, porque sai à uma e só regressa na segunda-feira.
Apesar de conhecer e frequentar bons restaurantes, só o faço em ocasiões
especiais, ou em jantares com clientes. Sou um homem caseiro.
- Então vamos.
Subiram no elevador até ao oitavo andar. O apartamento era
composto por uma grande sala, com uma parede toda em vidro, que dava para a
varanda.
Uma grande casa de banho, com banheira e jacúzi, um quarto de
casal, um escritório, o quarto de hóspedes, e uma cozinha totalmente equipada,
em madeira cor de pinho.
- O que achas? – Perguntou ele quando acabou de lhe mostrar o
apartamento.
- Acho que só podias estar a gozar quando dissestes que gostavas
da minha sala. Este apartamento é maravilhoso.
- Comprei-o já mobilado. É moderno, funcional, mas falta-lhe
qualquer coisa. Não tem alma. É a minha casa, mas podia ser de qualquer outro,
não há aqui uma peça escolhida por mim, percebes? A tua casa é a tua cara.
Vê-se que puseste nela muito amor. Mas é melhor jantarmos, estou com fome. Tu,
não?
-Também.
-Então deixa cá ver o que a Odete cozinhou hoje. Carne assada
com batatas, arroz de pato e bacalhau no forno. O que preferes?
-Carne assada. Eu ponho a mesa.
-OK. Toalhas na terceira gaveta do lado esquerdo, - disse colocando
a travessa no micro-ondas. Tirou os pratos e os copos e pôs em cima do balcão.
Procurou uma garrafa de vinho, que abriu enquanto a jovem punha a mesa. Retirou
a travessa do micro-ondas, e colocou-a na mesa.
-Espera, está aqui, a salada. É só temperar. E o pão, ali naquela caixa. E pronto, podemos começar.
A refeição decorreu de forma agradável, com a jovem a elogiar a
empregada, porque a carne estava realmente suculenta e muito saborosa.
Depois do jantar, enquanto Anete metia a loiça na máquina,
Salvador tirava os cafés.
- Fazemos uma equipa fantástica, não fazemos? – Perguntou ele
sorrindo quando lhe dava a chávena do café.
Sem saber bem o que esperar daquele “novo” Salvador, ela
limitou-se a sorrir.
Quase a acabar esta história, que eu tinha pretendido acabar até ao dia 31, mas que a falta da Internet e o facto de não saber publicar pelo Smartphone fez com que se atrasasse.