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29.9.18

OS AMANTES




Os amantes

Quando eles nasceram
uma rosa floriu
o mar serenou
suas mães sorriram.

Quando se encontraram
o sol brilhou
a vida encheu-se de cor 
e o amor nasceu.

Quando se amaram
o mundo parou
os pássaros cantaram. 
Os jardins floridos
encheram-se
de alegres crianças.

Hoje são velhinhos
mas nos corações
existem paixões
que o tempo não apagou.
São como incêndio
em dia de vento.

O rosto enrugado
as mãos deformadas
os olhos cansados
procuram-se
minuto a minuto
com o mesmo carinho.

Morreram um dia
e àquela hora
uma nuvem chorou.
Na aldeia esquecida
os sinos dobraram.

 Elvira Carvalho

30.10.17

A RODA DO DESTINO - PARTE XLVII





Desceram até Cascais, onde assistiram ao pôr-do-sol na Boca do Inferno. Depois pararam junto à praia do Tamariz, para uma rápida mirada ao Casino e aos jardins, e finalmente regressaram
Há muito tempo que era noite cerrada, quando às oito horas Salvador estacionou o carro junto de um moderno edifício de apartamentos, no Parque das Nações. Voltou-se para ela.
- Trouxe-te aqui, para te mostrar a minha casa, e te retribuir o jantar de ontem. Mas se preferes ir a um restaurante…
- Mas tu disseste que não sabias cozinhar.
- E é verdade. Mas aquecer comida no micro-ondas, faço-o como o melhor dos cozinheiros, - disse sorrindo. – Tenho uma empregada que cozinha muito bem. Ela fez o jantar, enquanto fazia o almoço. E a comida para amanhã. Faz sempre isso aos sábados de manhã, porque sai à uma e só regressa na segunda-feira. Apesar de conhecer e frequentar bons restaurantes, só o faço em ocasiões especiais, ou em jantares com clientes. Sou um homem caseiro.
- Então vamos.
Subiram no elevador até ao oitavo andar. O apartamento era composto por uma grande sala, com uma parede toda em vidro, que dava para a varanda.
Uma grande casa de banho, com banheira e jacúzi, um quarto de casal, um escritório, o quarto de hóspedes, e uma cozinha totalmente equipada, em madeira cor de pinho.
- O que achas? – Perguntou ele quando acabou de lhe mostrar o apartamento.
- Acho que só podias estar a gozar quando dissestes que gostavas da minha sala. Este apartamento é maravilhoso.
- Comprei-o já mobilado. É moderno, funcional, mas falta-lhe qualquer coisa. Não tem alma. É a minha casa, mas podia ser de qualquer outro, não há aqui uma peça escolhida por mim, percebes? A tua casa é a tua cara. Vê-se que puseste nela muito amor. Mas é melhor jantarmos, estou com fome. Tu, não?
-Também.
-Então deixa cá ver o que a Odete cozinhou hoje. Carne assada com batatas, arroz de pato e bacalhau no forno. O que preferes?
-Carne assada. Eu ponho a mesa.
-OK. Toalhas na terceira gaveta do lado esquerdo, - disse colocando a travessa no micro-ondas. Tirou os pratos e os copos e pôs em cima do balcão. Procurou uma garrafa de vinho, que abriu enquanto a jovem punha a mesa. Retirou a travessa do micro-ondas, e colocou-a na mesa.
-Espera, está aqui, a salada. É só temperar. E o pão, ali naquela caixa. E pronto, podemos começar.
A refeição decorreu de forma agradável, com a jovem a elogiar a empregada, porque a carne estava realmente suculenta e muito saborosa.
Depois do jantar, enquanto Anete metia a loiça na máquina, Salvador tirava os cafés.
- Fazemos uma equipa fantástica, não fazemos? – Perguntou ele sorrindo quando lhe dava a chávena do café.
Sem saber bem o que esperar daquele “novo” Salvador, ela limitou-se a sorrir.



Quase a acabar esta história, que eu tinha pretendido acabar até ao dia 31, mas que a falta da Internet e o facto de não saber publicar pelo Smartphone fez com que se atrasasse.







26.8.12

PASSEANDO POR AÍ II

Mais um passeio. Por um lugar que muitos de vós já conhecem mas que os meus amigos de além-mar desconhecem.
Peço desculpa se o vídeo não tem som, mas foi feito a partir de fotos e a última vez que fiz um com música não me deixou publicar, por causa dos direitos de autor e eu não sei como contornar isso.
De qualquer modo acho que vale a pena perder uns minutos a ver as fotos deste jardim.

Para todos um bom fim de semana

9.10.11

UMA TARDE DIFERENTE

Saí de casa esta tarde sem  destino. Querem ir comigo? Venham daí...

Encontrei este bonito painel de azulejos, num recanto do Barreiro velho.  Absolutamente escondido, e já com uma parte (que propositadamente não mostro) todo grafitado. Entretanto encontrei o marido e continuamos juntos o passeio,  pelo Barreiro Velho, ou Histórico como lhe chamam alguns e fomos dar a um larguinho onde em todas as paredes há azulejos com quadras populares de gente do Barreiro. Eis alguns...



Não são uma delícia?
Continuando o passeio entramos na Igreja de Santa Cruz que estava aberta, e depois de uma breve oração resolvemos dar uma volta pelo jardim dos franceses, testemunho mudo dos nossos encontros e juras de amor trocadas  em... 1964
Aqui  tiramos algumas fotos. O nosso nome na arvore ou desapareceu, ou está lá mais para cima, pois não conseguimos vê-lo, mas o banco onde namorávamos lá está pintado da mesma cor. Não resisti e sentar-me lá um pouco

Já no Fórum, achei estranho muita gente na Bertrand e pensei que era a sessão de autógrafos do Joaquim Pessoa que me tinham dito estaria no Barreiro este fim de semana. Não era. Mas era a sessão de autógrafos de um poeta barreirense que muito admiro e que talvez vocês conheçam. Luis Ferreira de quem já falei neste espaço algumas vezes. Pois é, eu só conhecia o poeta, não o homem que transporta o poeta. Esse eu só conhecia virtualmente. Agora já conheço os dois. Homem e poeta. O lançamento é do seu 4º livro


do qual vos deixo este poema

AMIZADE

A todos vós,
Que comigo caminham,
Trazendo no peito um abrigo
Nas palavras a mão estendida
Amparando o desalento
Nos nevoeiros que por vezes me cercam.
Só vocês... podem de facto saber
Que lágrimas derrama o meu olhar,
Que sorriso declama o meu rosto,
Em que espaço me perco e me acho,
A natureza do que visto e do que sou
Na sede, a doçura que satisfaz,
Na fome, o pão humano que se ergue,
Nas trevas, a luz da bússola dos gestos
Numa consciente presença,
Sem olhar a quem, sem olhar a meios.
É impossível para mim,
Tocar no rosto de cada um...
Importando a minha presença no vosso abraço,
Neste amor que sinto,
Partilho e deixo no perfume de um poema
No qual, humildemente agradeço
E digo - Obrigado!
Apenas... por sentir a vossa amizade.

Luis Ferreira

Para quem não conhece o poeta, deixo aqui o link do seu blogue

 ESPERO TENHAM GOSTADO DO PASSEIO  E DESEJO-VOS UMA BOA SEMANA