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17.1.23

POESIA ÀS TERÇAS - JÚLIO CORTÁZAR

 


OS AMANTES


Quem os vê andando pela cidade

se são todos cegos?
De mãos dadas: algo fala
entre seus dedos, línguas doces
lambem a palma úmida, percorrem as falanges,
e acima está a noite cheia de olhos.

Eles são os amantes, sua ilha flutua à deriva
em direção a mortes de capim, em direção a portos
que se abrem entre lençóis.
Tudo se desordena através deles,
tudo encontra sua figura oculta;
mas eles nem sabem
que enquanto rolam em sua areia amarga
há uma pausa no trabalho do nada,
o tigre é um jardim que brinca.

Amanhece nos carrinhos de lixo,
os cegos começam a sair,
o ministério abre suas portas.
Amantes rendidos olham e tocam
mais uma vez antes de cheirar o dia.

Já estão vestidos, vão para a rua.
E é só então
quando estão mortos, quando estão vestidos,
que a cidade os recupera
hipocritamente e lhes impõe seus deveres cotidianos.

Autor do poema: Julio Cortázar

Biografia AQUI

16.3.21

POESIA ÀS TERÇAS - AMANTES



AMANTES


Quando eles nasceram, uma rosa floriu
o mar serenou, suas mães sorriram.

Quando se encontraram, o sol cintilou
no brilho dos seus olhos.

Quando se amaram, o mundo mudou
os pássaros cantaram, os jardins floriram
e povoaram-se de alegres crianças

Anos passaram, a idade alterou os seus corpos
Mas os seus corações continuaram a bater                                                                                em uníssono. 


O amor é como incêndio, em dia de vento

 

Os rostos envelhecidos, as mãos enrugadas

Os olhos cansados procuram-se ainda

Já sem paixão, mas com muita ternura.

 

Morreram numa tarde sombria

E naquela hora as flores murcharam

Os pássaros silenciaram os cânticos

As crianças calaram os risos

Os sinos dobraram e as nuvens choraram.


Elvira Carvalho

 

 

29.9.18

OS AMANTES




Os amantes

Quando eles nasceram
uma rosa floriu
o mar serenou
suas mães sorriram.

Quando se encontraram
o sol brilhou
a vida encheu-se de cor 
e o amor nasceu.

Quando se amaram
o mundo parou
os pássaros cantaram. 
Os jardins floridos
encheram-se
de alegres crianças.

Hoje são velhinhos
mas nos corações
existem paixões
que o tempo não apagou.
São como incêndio
em dia de vento.

O rosto enrugado
as mãos deformadas
os olhos cansados
procuram-se
minuto a minuto
com o mesmo carinho.

Morreram um dia
e àquela hora
uma nuvem chorou.
Na aldeia esquecida
os sinos dobraram.

 Elvira Carvalho

25.6.16

PORQUE HOJE É SÁBADO...




                                                OS AMANTES

Quando eles nasceram
uma rosa floriu
o mar serenou
suas mães sorriram.

Quando se encontraram
o sol brilhou
a vida encheu-se de cor
o amor nasceu.

Quando se amaram
o mundo parou
os pássaros cantaram
os jardins floridos
encheram-se
de alegres crianças.

Depois velhinhos
mas nos corações
sempre o mesmo amor
que o tempo não apagou
como incêndio
em dia de vento.

O rosto enrugado
as mãos deformadas
os olhos cansados
procuram-se
minuto a minuto
com o mesmo carinho.

Morreram um dia
e naquela hora
uma nuvem chorou.

Na aldeia esquecida
os sinos dobraram.