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23.9.16

VIDAS CRUZADAS - PARTE IV


Ao passar pela sala, Pedro verificou que esta se encontrava agora completamente cheia.
- Então que lhe disse o médico? - Perguntou o jovem com quem conversara anteriormente.
- Que não via nada de importante. Mandou-me fazer análises e recomendou-me passeios e distracção. Voltarei cá quando tiver os resultados das análises.
-Vitor Ferreira - chamou a assistente
- Então adeus e as melhoras. A menina está a chamar-me.
- Obrigado. As melhoras também para si.
O jovem acabava de passar a porta do consultório e já nem devia ter ouvido as últimas palavras de Pedro. Este aguardou a volta da assistente, pagou a consulta e saiu. Na rua respirou fundo.
A mãe já devia estar ansiosa à sua espera. Pobre mãe. Os seus setenta e um anos tinham sido bem sofridos, mas não queria que ele contratasse uma empregada. Dizia, zangada, que velhice não é invalidez.
- Boa tarde mãe. Como foi o seu dia? - Perguntou enquanto a beijava.
- Normal, filho. E o teu? Foste ao médico? Que disse ele? - Perguntou ansiosa e preocupada.
- Ora mãe, que queria que dissesse? Que não me encontrava nada de maior, que me distraísse. E mandou-me fazer umas análises e voltar lá quando tivesse os resultados.
- E os pulmões, filho? Viu-te lá no tal aparelho?
 – Claro, mãe. Pode ficar descansada, que não vou morrer tuberculoso. - E afastou-se rindo.
A mãe foi atrás dele.
- Não te rias filho. Andas mal-encarado e sem apetite. Sou velha, mas não sou cega. Nem quero pensar o que vai ser de mim se te acontece alguma coisa grave.
- Ora mãe, não me fale de coisas tristes. O médico disse para me distrair, e ninguém se distrai com tristezas. E mudando de conversa, o que é o jantar?
 – Pato assado.
- Ora valha-a Deus minha mãe. Então tem o meu prato favorito para o jantar e não dizia nada? Vamos lá para a mesa que já me cresce água na boca.
Disse isto rindo, mas o seu riso soou-lhe a falso. E mentalmente pediu a Deus que a mãe não o percebesse. Sentou-se à mesa e foi com grande esforço que conseguiu comer o suficiente para não deixar a mãe mais preocupada. Na verdade, embora fosse o seu prato preferido, não sentia qualquer vontade o comer.



9.10.11

UMA TARDE DIFERENTE

Saí de casa esta tarde sem  destino. Querem ir comigo? Venham daí...

Encontrei este bonito painel de azulejos, num recanto do Barreiro velho.  Absolutamente escondido, e já com uma parte (que propositadamente não mostro) todo grafitado. Entretanto encontrei o marido e continuamos juntos o passeio,  pelo Barreiro Velho, ou Histórico como lhe chamam alguns e fomos dar a um larguinho onde em todas as paredes há azulejos com quadras populares de gente do Barreiro. Eis alguns...



Não são uma delícia?
Continuando o passeio entramos na Igreja de Santa Cruz que estava aberta, e depois de uma breve oração resolvemos dar uma volta pelo jardim dos franceses, testemunho mudo dos nossos encontros e juras de amor trocadas  em... 1964
Aqui  tiramos algumas fotos. O nosso nome na arvore ou desapareceu, ou está lá mais para cima, pois não conseguimos vê-lo, mas o banco onde namorávamos lá está pintado da mesma cor. Não resisti e sentar-me lá um pouco

Já no Fórum, achei estranho muita gente na Bertrand e pensei que era a sessão de autógrafos do Joaquim Pessoa que me tinham dito estaria no Barreiro este fim de semana. Não era. Mas era a sessão de autógrafos de um poeta barreirense que muito admiro e que talvez vocês conheçam. Luis Ferreira de quem já falei neste espaço algumas vezes. Pois é, eu só conhecia o poeta, não o homem que transporta o poeta. Esse eu só conhecia virtualmente. Agora já conheço os dois. Homem e poeta. O lançamento é do seu 4º livro


do qual vos deixo este poema

AMIZADE

A todos vós,
Que comigo caminham,
Trazendo no peito um abrigo
Nas palavras a mão estendida
Amparando o desalento
Nos nevoeiros que por vezes me cercam.
Só vocês... podem de facto saber
Que lágrimas derrama o meu olhar,
Que sorriso declama o meu rosto,
Em que espaço me perco e me acho,
A natureza do que visto e do que sou
Na sede, a doçura que satisfaz,
Na fome, o pão humano que se ergue,
Nas trevas, a luz da bússola dos gestos
Numa consciente presença,
Sem olhar a quem, sem olhar a meios.
É impossível para mim,
Tocar no rosto de cada um...
Importando a minha presença no vosso abraço,
Neste amor que sinto,
Partilho e deixo no perfume de um poema
No qual, humildemente agradeço
E digo - Obrigado!
Apenas... por sentir a vossa amizade.

Luis Ferreira

Para quem não conhece o poeta, deixo aqui o link do seu blogue

 ESPERO TENHAM GOSTADO DO PASSEIO  E DESEJO-VOS UMA BOA SEMANA