Horas depois, já quase noite, Tiago regressou. Durante o jantar, ele e Ricardo fizeram as honras da conversa, enquanto Clara apenas se preocupava com a refeição das crianças.
Tiago, foi uma revelação para o cunhado, surpreso com
a educação e maturidade do jovem.
Depois do jantar, na sala, Tiago sentou cada um dos
meninos nos seus joelhos e começou a contar-lhes histórias engraçadas, imitando
alguns animais, fazendo com que as crianças rissem e também os quisessem
imitar.
Feliz, por ver a alegria dos filhos, Ricardo olhou
para Clara que lhe retribuiu um olhar firme, como se lhe dissesse: “Eu não te
disse que o meu irmão era um bom miúdo? Aí o tens. Vê com os teus próprios
olhos”.
Algum tempo depois, Clara ergueu-se e disse:
- Vamos lá, meninos, preparar para dormir.
Tiago deu um beijo a cada um e colocou-os no chão.
Soraia, voltou-se para o pai e perguntou:
-Vens pai?
- Ontem não nos contaste uma história, - acrescentou o
irmão.
-É claro que vou convosco, - disse o pai, pondo-se de
pé. E ontem não houve história, porque vocês adormeceram à saída da festa.
As crianças apressaram-se a sair da sala seguidos pelo
pai, e por Clara.
Entraram no quarto, e dirigiram-se para a casa de
banho, a fim de escovar os dentes, sem necessidade que nenhum dos adultos lhe
mandasse, o que levou Clara a pensar, que eles já tinham bem presente esse
hábito. Enquanto eles estavam na casa de banho, vigiados pelo pai, Clara abriu
as camas e colocou em cima de cada uma, os respetivos pijamas.
Mais tarde, as crianças, já deitadas, Ricardo pegou
num livro e sentando-se na cama do filho começou a ler.
-Hoje é dia de te sentares aqui, na minha cama,
- reclamou a menina. - No sábado ficaste aí.
Ricardo fez uma festa na cabeça do filho, e foi sentar-se
na cama da filha. Enquanto ele lia, Clara ia mentalmente alterando toda a
decoração do quarto, de modo a fazer com que os meninos não entrassem em
disputa, e estivessem mais perto um do outro.
Quando eles adormeceram os dois saíram do quarto e
regressaram à sala.
Tiago pôs-se de pé assim que eles entraram.
- Desculpem-me, mas também me vou deitar. Estou
cansado. Posso usar a piscina amanhã?
- Claro, - disse Ricardo. A partir de agora esta casa, também é tua. Só não gostaria que trouxesses amigos para cá. Gosto de
preservar a intimidade da família.
- Obrigado. Fica descansado, também me apraz essa
intimidade. Boa noite.
O silêncio instalou-se entre os dois, depois que Tiago
saiu. Por fim Clara, dando sequência aos seus pensamentos disse:
- Pelo que entendi da nossa conversa, tens esta semana
de férias, não é verdade?
-Sim. Porquê?
- Não me agrada o quarto das crianças. Não se trata de
comprar novos móveis. Creio que posso fazer com que fique mais agradável para eles com uma
pequena mudança. Se os entretivesses de manhã no jardim ou na piscina, eu
cuidava disso.
-Muito bem. Depois, enquanto dormem a sesta, se não
estiveres muito cansada, podemos ir à vossa antiga casa, para ver o que queres trazer, e
o que vais entregar à tal instituição, a fim de desocupares a casa e entregares a
chave ao senhorio.
- Amanhã se vê. Gosto de ler antes de adormecer, vou à
biblioteca escolher um livro. Boa noite Ricardo.
-Boa noite Clara.
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E porque hoje é o dia internacional do idoso
Provavelmente as cabeças grisalhas vão ter hoje uns mimos. E depois? O que é que este dia muda na sua vida cada vez mais difícil, não só pelas mazelas da idade, mas porque aos poucos foram perdendo os poucos recursos que tinham, seja por via estatal, seja, porque os mais novos se viram obrigados a emigrar e não podem por isso ajudá-los, nos 364 dias restantes? Os idosos não precisam de um dia. Precisam de medicamentos, de companhia, e de um mínimo para viverem ou morrerem com dignidade.
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E porque hoje é o dia internacional do idoso
Provavelmente as cabeças grisalhas vão ter hoje uns mimos. E depois? O que é que este dia muda na sua vida cada vez mais difícil, não só pelas mazelas da idade, mas porque aos poucos foram perdendo os poucos recursos que tinham, seja por via estatal, seja, porque os mais novos se viram obrigados a emigrar e não podem por isso ajudá-los, nos 364 dias restantes? Os idosos não precisam de um dia. Precisam de medicamentos, de companhia, e de um mínimo para viverem ou morrerem com dignidade.

