O
empregado conduziu-os à mesa, e estendeu-lhes a ementa, retirando-se em seguida
Voltou
pouco depois, com as entradas. Perguntou se já tinham escolhido, tomou nota do
pedido e afastou-se.
Mariana
olhou à sua volta. O restaurante estava completamente cheio. Gente que
conversava e ria, famílias pequenas e mais numerosas, todas irmanadas na mesma
alegria. Poucos casais.
Talvez
recém-casados, no seu primeiro Natal a dois. Imaginou-se assim, recém-casada
com Miguel, e involuntariamente corou.
-
Está calor aqui dentro,- disse tentando disfarçar.
Terminado
o almoço, seguiram em direcção à Boca do Inferno, depois pela marginal até à
praia do Guincho. Seguiam devagar admirando a paisagem, que naquele lugar, é de
cortar a respiração.
Miguel estacionou perto da praia, e ficaram algum tempo olhando as ondas de espuma branca, que se
desfaziam no areal.
Retomaram
a marcha começando a subir a serra, na estrada para o cabo da Roca, porém um pouco
mais à frente, Miguel entrou numa estrada estreita, rodeada de vegetação, típica da serra e foram sair junto do Palácio da Peninha. Estacionou aí e saíram para admirar a paisagem, verdadeiramente deslumbrante.
De volta ao carro, seguiram pela mesma estrada. Logo a seguir, encontraram o desvio para o Palácio da Pena e Castelo dos Mouros, porém seguiram em direcção ao centro, passaram pela Quinta da Regaleira, uma maravilha , misto de natureza, e talento do homem, seguindo depois para o centro histórico.
O
passeio era maravilhoso, mas os dois continuavam tensos e mudos.
Estacionou à saída do centro.
Saíram. Na
rua, estava bastante frio. A jovem levantou a gola do casaco.
-Tens
frio?
Ela
moveu a cabeça em sinal afirmativo. E ele passou-lhe o braço pelos ombros, como se quisesse protegê-la do frio, com o calor do seu corpo. Um acto natural e tantas vezes repetido ao longo daqueles meses, mas que agora lhe transmitia uma emoção diferente. Quebrando o silêncio, que desde a manhã, persistia em acompanhá-los disse:
-
Vamos lanchar. Conheces os travesseiros de Sintra?
-
Só as queijadas.
-Experimenta os travesseiros. São uma
verdadeira delícia.
Mariana, sentia cada vez mais dificuldade em aparentar uma calma que não sentia. Ela
não entendia que ele estivesse a lidar com ela, como se fosse uma miúda, depois
da confissão que lhe fizera na véspera, e pensou que não estava nada
interessada nos travesseiros. Porem, não disse nada.
-
Quando vamos ao Algarve? – Perguntou ele mudando o rumo da conversa.
-Penso
que logo no dia 2. No dia 4 tenho a sessão de psicoterapia, a que não quero
faltar.
Tinham
chegado à pastelaria. Procuraram uma mesa vaga, mas tiveram que se contentar
com um lugar ao balcão.