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24.6.21

24 de JUNHO - DIA DE S.JOÃO

 


foto do google

Junho é o mês dos Santos Populares. Um pouco por todo o país festejam-se em animados arraiais, ao som da música e acompanhado de sardinhas assadas regadas a vinho tinto ou cerveja consoante os gostos. 
As festas começam a 13, na verdade a 12 de Junho com o Santo António, padroeiro de Lisboa. Continua a 23 com o S. João, Padroeiro do Porto e termina a 28 com S. Pedro, que na verdade é o dia de S. Pedro e S. Paulo o que é desconhecido da maioria das pessoas. E que se festeja desde Amora a S. Pedro do Sul, das Lages do Pico à Ribeira Grande.
 Mas voltando a S. João, cujos festejos teriam começado ontem, (se não andasse por aí à solta o vírus mais famoso dos últimos séculos) em muitas cidades e vilas deste país. Celebra-se o nascimento de João Baptista, o primo de Jesus. 
Em Lisboa pelo Santo António, feriado municipal, são tradição os casamentos e as marchas. No Porto pelo S. João, também dia de feriado municipal, são tradição os martelinhos, que substituíram o alho-porro de antigamente, e sobretudo o fogo de artifício lançado da ponte D. Luís, que é sempre espetacular.
 Não, não me enganei nas datas. A verdade é que os maiores festejos - exceto os religiosos -    ocorrem   na véspera do dia do Santo. Há uns sessenta anos atrás, não se faziam as festas como agora as conhecemos.
 As pessoas da aldeia ou do bairro juntavam-se nas ruas. Faziam grandes fogueiras que os rapazes e raparigas saltavam. Pelo S. João, o meu pai, que sempre foi muito habilidoso, fazia grandes balões de papel colorido. Lembro-me que levavam umas tochas embebidas em petróleo, que enquanto ardiam mantinham os balões no ar. Quando se apagavam o balão começava a perder o ar quente que o mantinha lá em cima e acabava por cair atraído pela gravidade. Os mais velhos sentados na rua, contavam histórias, quase sempre de bruxas e lobisomens, onde não faltava até uma formosa dama com pés de cabra, enquanto davam um olhinho pelos mais novos.  As crianças corriam atrás dos grandes besouros, que sempre apareciam nesta altura do ano. Conviviam. Todos se conheciam, todos se ajudavam. No dia seguinte cumprimentavam-se, comentavam a noite anterior, e acabavam com um "P'rá semana lá estamos" .Eu tenho saudades desse tempo. Não da vida de miséria e repressão em que vivíamos, mas dessa convivência, desse conhecer toda a gente pelo nome, de sair à rua e cumprimentar todos os vizinhos e saber que podia contar com eles, como eles contavam comigo.  Hoje as pessoas juntam-se às centenas, às vezes milhares, todas no mesmo espaço e são desconhecidas. Estão juntas e simultaneamente estão sozinhas. Não há convívio. É como se as pessoas, se tivessem transformado em ilhas. Podem estar longe ou mesmo ao lado, mas não se tocam. Vivem em prédios de muitos andares e muitas vezes não  conhecem nem o vizinho do lado.


9.2.18

A VIDA É... UM COMBOIO - PARTE XXXIV



- Bom dia avó. O Martim?
- Anda por aí brincando. Ele acorda com as galinhas. E tu deixaste-te dormir. Que aconteceu. O Paulo ficou até tarde?
- Não. Mas eu não conseguia dormir. Olha, - disse estendendo a mão para a avó admirar o lindo anel de noivado..
- É lindo. Mas porque dormiste mal? Devias estar muito feliz. Que se passa contigo. Não gostas do rapaz?
- O Martim já desjejuou? – Perguntou tentando desviar o rumo da conversa.
- É claro que sim. Mas não foi isso que te perguntei. Gostas ou não do rapaz? Não me vais dizer que aceitaste o casamento só porque ele e o Martim se dão como Deus com os anjos.
- É claro que não avó. Gosto do Paulo. Talvez demasiado para quem se conhece há tão pouco tempo, e isso é que me assusta.
- Não é preciso muito tempo para se gostar de uma pessoa. Sabes quanto tempo mediou entre o momento que encontrei o teu avô e o dia do nosso casamento? Dois meses exatos. E tivemos um casamento muito feliz, como deves lembrar-te. Por outro lado, nunca se gosta em demasia. A não ser que a pessoa não seja mentalmente sã.Mas isso não é amor. É obsessão.
- Dois meses, avó? E não tiveste dúvidas? Não pensaste que podia não dar certo?
- É claro que não, filha. Gostávamos um do outro e confiava que isso era suficiente para nos unir e nos ajudar a enfrentar todas as provações. O verdadeiro amor, vai crescendo com os anos e as dificuldades que juntos enfrentamos. Não é o que sentimos quando casamos, em que tudo corre bem e em que a paixão domina tudo. Quando começam a surgir as dificuldades de uma vida a dois, e elas surgem fatalmente, porque somos pessoas diferentes, temos pensares e maneiras de encarar os problemas de modo diferente, quando os desgostos assentam arraiais na nossa vida, aí sim se conhece se o que une duas pessoas é ou não um grande amor. E tu sabes que não foi fácil, o nosso casamento, primeiro com a morte da tua mãe, que não sendo nossa filha, era a mãe dos nossos netos e por isso tínhamos um grande carinho por ela. Depois a morte do teu pai. Foi um desgosto atroz. Os pais nunca deviam assistir à morte de um filho. É contra natura. E nós estivemos sempre juntos amando-nos e consolando-nos mutuamente. Até à sua morte. E posso dizer-te que se me fosse dado a escolher, entre ir com ele, ou ficar aqui a amargar a saudade, eu teria escolhido sem hesitar partir com ele. Na verdade a melhor parte de mim, morreu nesse dia.
Calou-se emocionada, para continuar logo de seguida.
- Como vês, não é preciso muito tempo de conhecimento ou namoro para que um casamento dê certo. E tu, melhor que ninguém, sabes disso. Quantos anos, namoraste o Afonso?
- Não sei avó. Quase desde que nasci.
- E vês no que deu? Analisa os teus sentimentos e se gostas do rapaz, vai em frente. O comboio da vida, é rápido. Se hesitamos muito tempo em subir para a carruagem, quando nos decidimos, já partiu.
- Vou chamar o Martim. Temos que nos despachar, o Paulo vem buscar-nos às onze. Vamos combinar a festa do casamento, e temos que ir à igreja da vila, falar com o padre.
- Então vai filha. Mas dá um jeito nesse rosto. Se o rapaz te vê com essas olheiras, é capaz de desistir do casamento, - disse sorrindo. 



E hoje houve desfile de Carnaval das escolas. Por  AQUI