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Junho é o mês dos Santos Populares. Um pouco por todo o país festejam-se em animados arraiais, ao som da música e acompanhado de sardinhas assadas regadas a vinho tinto ou cerveja consoante os gostos.
As festas começam a 13, na verdade a 12 de Junho com o Santo António, padroeiro de Lisboa. Continua a 23 com o S. João, Padroeiro do Porto e termina a 28 com S. Pedro, que na verdade é o dia de S. Pedro e S. Paulo o que é desconhecido da maioria das pessoas. E que se festeja desde Amora a S. Pedro do Sul, das Lages do Pico à Ribeira Grande.
Mas voltando a S. João, cujos festejos teriam começado ontem, (se não andasse por aí à solta o vírus mais famoso dos últimos séculos) em muitas cidades e vilas deste país. Celebra-se o nascimento de João Baptista, o primo de Jesus.
Em Lisboa pelo Santo António, feriado municipal, são tradição os casamentos e as marchas. No Porto pelo S. João, também dia de feriado municipal, são tradição os martelinhos, que substituíram o alho-porro de antigamente, e sobretudo o fogo de artifício lançado da ponte D. Luís, que é sempre espetacular.
Não, não me enganei nas datas. A verdade é que os maiores festejos - exceto os religiosos - ocorrem na véspera do dia do Santo. Há uns sessenta anos atrás, não se faziam as festas como agora as conhecemos.
As pessoas da aldeia ou do bairro juntavam-se nas ruas. Faziam grandes fogueiras que os rapazes e raparigas saltavam. Pelo S. João, o meu pai, que sempre foi muito habilidoso, fazia grandes balões de papel colorido. Lembro-me que levavam umas tochas embebidas em petróleo, que enquanto ardiam mantinham os balões no ar. Quando se apagavam o balão começava a perder o ar quente que o mantinha lá em cima e acabava por cair atraído pela gravidade. Os mais velhos sentados na rua, contavam histórias, quase sempre de bruxas e lobisomens, onde não faltava até uma formosa dama com pés de cabra, enquanto davam um olhinho pelos mais novos. As crianças corriam atrás dos grandes besouros, que sempre apareciam nesta altura do ano. Conviviam. Todos se conheciam, todos se ajudavam. No dia seguinte cumprimentavam-se, comentavam a noite anterior, e acabavam com um "P'rá semana lá estamos" .Eu tenho saudades desse tempo. Não da vida de miséria e repressão em que vivíamos, mas dessa convivência, desse conhecer toda a gente pelo nome, de sair à rua e cumprimentar todos os vizinhos e saber que podia contar com eles, como eles contavam comigo. Hoje as pessoas juntam-se às centenas, às vezes milhares, todas no mesmo espaço e são desconhecidas. Estão juntas e simultaneamente estão sozinhas. Não há convívio. É como se as pessoas, se tivessem transformado em ilhas. Podem estar longe ou mesmo ao lado, mas não se tocam. Vivem em prédios de muitos andares e muitas vezes não conhecem nem o vizinho do lado.

