2.3.15

MARIA PAULA VII



                                                                     Luanda vista da ilha

Diogo estava fascinado, não apenas pela presença física de Maria Paula, mas pelo seu senso comum, pelas suas ideias, pela sua conversa. Reconhecia na jovem uma inteligência, e uma cultura pouco comum nas jovens da sua idade, mais preocupadas com a sua aparência, do que com o conhecimento. Por seu lado a jovem também estava encantada com o seu novo amigo. Mais velho, mais experiente, mais maduro. Tão diferente, dos outros jovens com quem convivera até aí. 
Da admiração, ao amor não demorou muito. E foi assim que em Setembro de 73, já eram namorados, com a devida autorização dos pais de Maria Paula.
Diogo escreveu aos pais, contando-lhes a novidade e mandando-lhes a fotografia da jovem.
Na volta a resposta não foi muito animadora. A verdade é que os pais sempre pensaram na possibilidade de um casamento com Lurdes, a filha dos padrinhos de Diogo, mais abastados que seus pais, e capazes de ajudarem o genro a subir na vida. Diogo sabia dos anseios dos pais, mas a vida era dele e não estava disposto a abdicar da mulher que amava.
Claro que ele não contou a Maria Paula a reacção dos seus pais. Pela sua cabeça passava a ideia, de acabada a comissão, sair da marinha, - ele não era militar de carreira – voltar a Luanda, abrir um escritório de advocacia, na cidade e casar-se. Sabia que ia ser um grande desgosto para os pais, mas a cidade oferecia-lhe outras perspectivas que não teria em Lisboa, e ele acreditava que ali estaria a sua felicidade.
 De namoro firme, era vê-los, jantando na Portugália, deliciando-se com os gelados do Baleizão, brincando como duas crianças nas areias da ilha, trocando beijos no escurinho do cinema Restauração, ou simplesmente passeando de mão dada pela marginal. Isto claro nas horas vagas, já que ambos tinham responsabilidades. Por vezes Diogo, ia busca-la ao trabalho, no Colégio Cristo-Rei, e era convidado para jantar em casa de Maria Paula.
Enquanto eles viviam a felicidade dos jovens enamorados, o vulcão
da revolução rugia e contorcia-se prestes a explodir.




                Fachada e área de recreio do Colégio Cristo-Rei em Luanda
                                               fotos minhas.



23 comentários:

Dorli disse...

Oi Elvira, os pais não devem se meter nos relacionamentos dos filhos, eles tem que escolher ser ou não feliz
Gostando...
Beijos Lua Singular

✿ chica disse...

Gostei do desenrolar e de ver as fotos! bjs, linda semana,chica

Edumanes disse...

Tudo indica que o namoro está bem encaminhado, só espero que a revolução não lhes tenha estragados os seus planos, tanto amorosos como profissionais e que ainda hoje sejam muito felizes!

Boa noite e um abraço amiga Elvira.

Rogerio G. V. Pereira disse...

...e... continuo seguindo...

José Lopes disse...

Nuvens negras no horizonte...
Cumps

Pedro Coimbra disse...

A Portugália chega a Macau na próxima sexta-feira.
YES!!

Mariangela do Lago Vieira disse...

Oi Elvira bom dia!
Tomara que tudo de certo para eles,
e que nada possa atrapalhar este relacionamento.Vamos ver!
Beijos!
Mariangela










Nilson Barcelli disse...

Estou curioso por ver o que acontece aos dois pombinhos com a chegada da revolução e do descontrole natural que aconteceu em Angola.
Estou a gostar muito desta tua história. Continua...
Boa semana, querida amiga Elvira.
Beijo.

esteban lob disse...

Todo interesante, Elvira, incluso el nombre de Maria Paula, cuya combinación que suena linda no es común en Chile.

Abrazo.

António Querido disse...

Em setembro de 63, estava lá eu, daí nunca me ter cruzado com Maria Paula!
Estou a gostar continue!
Da Figueira para o Barreiro, o meu abraço.

manuela barroso disse...


Conturbada história mas que nesta época tudo se conjuga para um fim feliz. Mas...e depois?
A vivacidade de estilo de sempre, Elvira! Venha o livro!
Beijinhos

Berço do Mundo disse...

Em muda expectativa pelos desenvolvimentos. Será que o namoro sobrevive à tempestade?
Beijinhos, boa semana e boa inspiração para o seguimento da história
Ruthia d'O Berço do Mundo

Dorli disse...

Oi Elvira,
Passando para lhe desejar uma linda noite
Beijos
Lua Singular

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Quero mais, estou adorando cara escritora querida Elvira, bjs no coração.

vendedor de ilusão disse...

Viver sonhos de amor em tempos de revolução não deve ter sido nada interessante.
Aguardo a continuidade.

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, os pais casamenteiros sem existiram e vão existir, para eles é difícil compreender que a vida é dos filhos e que a submissão não resulta.
AG

lis disse...

Oi Elvira
Consegui ler a história desde a o primeiro capítulo e gostei muito.
Agora vou aguardando os desfechos desse amor jovem em tempo de conflitos. Dai ser instigante a leitura.
abraços e seguimos por aqui Elvira bem mais calmo e inteligente que o facebook rsrs
Lá só é bom a praticidade e muitas vezes o povo nem lê apenas curte. rs e a poluição visual me incomoda bastante_ tudo ao mesmo tempo _informações nada a ver política e poesia nem sempre se conjugam rsrs
Beijo amiga

Arroz Di Leite disse...

Bom dia,
vim conhecer o seu blog e gostei muito do que li.
Aproveito e fico por aqui com você.

Bjs

http://arroz-di-leite.blogspot.com.br/

Tânia Camargo

Vitor Chuva disse...

Olá, Elvira!

O romance vai de vento em popa, e ao que parece aproxima-se a tempestade.Oxalá que não soçobre, e o bonito sonho chegue a bom porto.

Um abraço e bom fim de semana.
Vitor

Dorli disse...

Oi Elvira,
Obrigada pelo carinho da sua visita
Um ótimo dia
Beijos
Lua Singular

Laura Santos disse...

Acho que com a revolução algo se vai passar para atrapalhar o amor deles!
xx

Zilani Célia disse...

OI ELVIRA!
COM A PROXIMIDADE DA REVOLUÇÃO, TUDO PODE ACONTECER.
ABRÇS

http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Rosemildo Sales Furtado disse...

Assim como a Maria Paula, o Diogo também mostrou saber o que quer, e impor a sua vontade.

Abraços,

Furtado.