1.3.15

MARIA PAULA - PARTE VI



                                           cinema Restauração. A foto é do Google, desconheço o autor.
Em Julho de 73, os pais de Maria Paula mudaram-se para a Paiva Couceiro. Um quarto andar, por cima do Bazar Oriental, mesmo em frente à Missão de S. Paulo. Muito mais perto para Maria Paula, que como gostava de caminhar, muitas vezes fazia o trajecto para o emprego a pé, atenta à vida que fervilhava à sua volta.
Naquele dia, um sábado de Setembro, Maria Paula saiu do cinema Restauração, onde tinha ido assistir a estreia do filme “Nosso amor de ontem” com Barbara Streisand e Robert Redford, artistas muito em voga na altura, quando esbarrou com Diogo, que vinha do estádio dos Coqueiros, onde assistira a um emocionante jogo de futebol, entre o Atlético Sport Aviação, vulgo “ASA” e o Sport Luanda e Benfica, vulgo “Águias de Luanda”. Com a naturalidade que se vivia em Luanda, (quem lá esteve nesta data, sabe que contrariamente ao ambiente fechado que se vivia em Portugal continental, nas províncias ultramarinas havia um à-vontade e uma naturalidade entre as pessoas, que lhes permitia dispensar grandes formalidades,) - os jovens não precisaram de quem os apresentasse para entabularem uma agradável conversa.  



                    estádio dos Coqueiros. Foto do arquivo digital de Aveiro


Foi amor à primeira vista? Talvez. Porém se não foi amor foi uma empatia muito grande. Diogo não era um jovem imberbe como a maioria dos jovens militares de passagem por Luanda, embora ele estivesse na cidade a cumprir uma comissão militar. Ele era advogado em serviço no comando naval de Angola, na cidade. E era capaz de jurar que nunca, nos seus vinte e oito anos de vida, tinha visto uma jovem tão bela. Maria Paula tinha alguns amigos militares. Poucos. E nunca se tinha entusiasmado por nenhum. A maioria deles tinham namoradas no "Puto". Estavam ali em missão, só queriam passar o melhor possível o tempo em que não estavam no quartel, ou nos acampamentos militares. Conhecia muitas jovens que se deixavam enfeitiçar, faziam projectos para o futuro, e depois acabada a comissão os jovens partiam com a promessa de voltarem quando acabassem o serviço militar e nunca mais voltavam. Algumas iam mais longe e o resultado era mais uma criança sem pai. Contudo ao conhecer Diogo, sentiu que o seu jovem coração se abria para a vida.
Consentiu que o jovem a acompanhasse a casa, e acabou aceitando um convite para ir ao cinema no dia seguinte.




25 comentários:

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Amor à vista, é o que indica esse encontro. Quando se vislumbra romance, a história passa a ficar mais interessante. Aguarda-se, o desenrolar...
Um abraço, Elvira!

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Amor à vista, é o que indica esse encontro. Quando se vislumbra romance, a história passa a ficar mais interessante. Aguarda-se, o desenrolar...
Um abraço, Elvira!

Mariangela do Lago Vieira disse...

Quantas pessoas se envolvem desta forma e ficam só, com filho nos braços...
Tomara que realmente seja amor a primeira vista.
Veremos com o desenrolar da história.
Uma abraço e um ótimo final de semana!
Mariangela

Mariangela do Lago Vieira disse...

Quantas pessoas se envolvem desta forma e ficam só, com filho nos braços...
Tomara que realmente seja amor a primeira vista.
Veremos com o desenrolar da história.
Uma abraço e um ótimo final de semana!
Mariangela

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, ao virar num esquina o inesperado (amor) pode acontecer, na continuação vamos saber se é um amor duradoiro ou um amor que vai dar originar infelicidade e submissão.
AG

Dorli disse...


Oi Elvira,
Às vezes da certo e às vezes não e só não acreditar no inusitado e ver o acontece.
Tomara que dê certo
Beijos no coração
Lua Singular

António Querido disse...

Estas histórias a mim me parecem verídicas, será por lá ter vivido e ter sido feliz?
A Dulce era o meu par nos bailes da Terra Nova, mas a Celeste estava à minha espera no "Puto"! Estou a viver esta história como se o tempo tivesse recuado!
Obrigado por me proporcionar estes belos momentos de leitura!
Com o meu abraço.

Mariazita disse...

Começo por agradecer a sua presença na "festa de aniversário" da minha «CASA», agradecimento este que tenho vindo a fazer aos poucos, (dentro da minha disponibilidade de tempo) e respeitando, como sempre, a ordem cronológica de chegada.
Obrigada!

Lamentavelmente não tenho hipótese de acompnhar este seu conto que, tenho a certeza, vai ser muito bom.
O tempo de que posso dispor (depois dos afazeres domésticos...) aproveito-o ao máximo para a escrita do meu livro.
Sei que compreende...

Desejo um óptimo fim de semana, e deixo um abraço.
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

Zé Povinho disse...

Outros tempos, outras latitudes, outra forma de encarar o mundo bem diferente do que vejo hoje...
Abraço do Zé

Edumanes disse...

É verdade, apesar do regime ser o mesmo que vigorava aqui na Metrópole como se dizia. Nos territórios ultramarinos havia mais liberdade. Estive lá mais de meia dúzia de anos por isso sei que as suas palaveras amiga Elvira são verdadeiras.
Quanto a Maria Paula, será que vai gerar amor o primeiro encontro? A ver vamos o que aconteu nos próximos capítulos.
Boa noite e bom fim de semana amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

lourdes disse...

Vamos ver se é mesmo o tal amor ou se é mais uma vítima....
Fico à espera da continuação.
Bjs

Dorli disse...

Boa noite Elvira

Obrigada pelo carinho
Beijos
Lua Singular

Rogerio G. V. Pereira disse...

Desde já fica a promessa da minha descrição de Luanda, num ano que não esqueço (e que, por isso, consta em livro)

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Um encontro agradável.
Aguardo continuação.

✿ chica disse...

A coisa tá rolando bem, vou aguardando a continuação e o desenrolar da trama! bjs, lindo dia e adorei tua frase com o carango!!

Olinda Melo disse...


Um encontro que promete. Outras latitudes que convidam à aventura e, quicá, ao amor verdadeiro. Esperemos para ver.:)

Abraço

Olinda

Olinda Melo disse...


"quiçá"

:)

Pérola disse...

A história está a ficar interessante.

Que nos trará o encontro no cinema?

Beijinhos

Laura Santos disse...

Um conto destes teria forçosamente de ter uma história de amor, já que o amor faz parte da vida, e é de vida que aqui se trata. Resta saber, e isso saberemos mais à frente, se esse amor à primeira vista é um amor que permanece e se desenvolve em harmonia, ou se o destino pregará alguma partida.
Estou a gostar, Elvira.
xx

Luma Rosa disse...

Oi, Elvira!
Você sempre escreve com riqueza dos fatos e me dá a impressão de "estar lá". Um laboratório perfeito!!
A história está ficando mais interessante... rs.
Boa semana!!
Beijus,

Pedro Coimbra disse...

Aconteceram muitos episódios desses aqui por Macau.
Boa semana

Silenciosamente ouvindo... disse...

E vou continuando a seguir com imenso
interesse. Desejo que a amiga se
encontre bem.
Bj.
Irene Alves

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Ah o amor!
Vou lá ler o outro capítulo amiga querida.
Bjs no coração.

Zilani Célia disse...

OI ELVIRA!
LENDO.
ABRÇS

http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Rosemildo Sales Furtado disse...

A Maria Paula já demonstrou muito bem que é uma pessoa que sabe o que quer.

Abraços,

Furtado.