7.6.12

MANUEL OU A SOMBRA DE UM POVO - PARTE XXXVII


 Foto de Dias Reis
Para iludir o regime e comemorar o 1º de Maio sem que fossem todos presos, tipógrafos no Porto e jornalistas em Lisboa organizam piqueniques de confraternização. Enquanto isso, agricultores de figo e da vinha reclamam do Governo medidas urgentes quanto ao preço dos produtos agrícolas e o arranque da vinha americana.
Na Seca falava-se dum novo navio bacalhoeiro que estava a ser construído em Aveiro nos estaleiros de São Jacinto e que dizia-se era maior e ia trazer muito mais bacalhau e por consequência mais trabalho para aqueles que dependiam dele para a sua sobrevivência.
 Junho termina com a condenação o julgamento dos 52 jovens pertencentes ao M.U.D. E no final do mês seguinte é a vez dos dirigentes do Movimento Nacional Democrático. Em Julho é libertado das prisões da PIDE, Agostinho Neto que haveria de vir a ser o primeiro presidente de Angola, após a descolonização.
Desde Abril que se fala com insistência na construção de uma Siderurgia a Champallimaud na zona. Diz-se que será no Seixal ou em Alcochete. Manuel tem duas cunhadas a trabalhar na Pescal, Seca de Alcochete e dizem que por lá a população anda muito animada e quase com a certeza de que irá ser lá a construção da dita Siderurgia. Dizem que já em 1912 o avô do actual empresário tinha um projecto para uma Siderurgia em Alcochete. Por outro lado a zona era muito pobre. O trabalho existente era nas salinas. Na verdade desde o Samouco a Vaza-Sacos, existiam mais de vinte salinas. O trabalho do salineiro era duro e muito mal pago. Assim a esperança de poderem trabalhar noutra coisa era sonho antigo.  A comercialização do sal era um negócio rentável. Não foi por acaso que
grande parte das Secas de bacalhau se situavam perto de zonas de sal.
Os barcos saiam para a pesca carregados de sal e na volta toda a preparação e cura do fiel amigo era feito com sal. E não só. Naquela época quase não havia frigoríficos em Portugal. E os que havia eram câmaras frigoríficas industriais. As pessoas tinham arcas salgadeiras que serviam para conservar as carnes. 



BOM FIM DE SEMANA     ESTA HISTÓRIA VOLTA  DIA 11.

17 comentários:

aflores disse...

A 'Esperança' de sempre, na história de um Povo que nunca desistiu.

Tudo de bom.

António Querido disse...

A história de um povo, que nunca desistiu de trabalhar, para encher a barriga a outros, antes do 25 de Abril 74, nunca ninguém fugiu do seu país por ser vigarista, mas sim à procura duma vida melhor.
O meu abraço

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Estou "em dia" com a leitura de suas excelentes postagens, elvira. Como só faço meus posts 1 vez por semana, fico fico atrasada, nas visitas aos blogues que sigo.
Sem mais delongas. Conheci, quando estive em Lisboa, a Fundação Calouste Gulbenkian: um colosso!Chamou-me atenção o modelo de aparelho de TV dos anos 50: igual ao 1º que tivemos.
Ver as meninas na 1ª Comunhão, me fez lembrar a minha, que foi em 1951, no dia 23 de dezembro.
Quantos fatos,suas histórias me fazem recordar. Obrigada!
Um abraço,
da Lúcia.
P.S. Deixei a resposta na Cadeirinha, sobre como adquirir o livro "Dona Guidinha..." ...Beijos!

José Freitas disse...

Você escreve muito bem e tem fotografias belas, fotos do lazer.
Espero que esteja bem no meio desta crise.
O LAZER É ÓPTIMO, O PIOR É QUANDO FALTA O SUBSÍDIO DE FÉRIAS.
Um programa recente da SIC Notícias disse mentiras sobre o caso «Equador», que tem frases inteiras copiadas de «Cette nuit la liberté».
MST é um «moralista» anti-Esquerda.
A Censura anda muito activa nos comentários dos blogs. Espero que deixe passar este comentário.
Em www.anticolonial21.blogspot.com está a verdade inconveniente sobre a cópia de partes de «Cette nuit la liberté» por Miguel Sousa Tavares para o livro «Equador».

Andre Mansim disse...

Elvira, que legal esse capítulo!

árabens, muito interessante, pricipalmente a parte das barcas salgadeiras!

minalopes disse...

Oi Elvira!
É-me dificil entrar nos comentários não só no seu como em muito.
Hoje consegui, só para lhe dizer que embiora não comente ,venho sempre aqui para seguir a GRANDE HISTÓRIA ,que poderá passar para livro.
Tudo de bom ,continue que eu estou a segui-la.
Até breve
Herminia do comecardenovo

FireHead disse...

E hoje em dia há o Pingo Doce! A promoção polémica dos 50% foi no dia 1 de Maio e agora decorre a promoção de 50% de desconto em produtos nacionais que vai até ao dia 10 de Junho. Se no dia 1 de Maio os esquerdistas ficaram lixados, pode ser que no domingo seja a vez dos nacionalistas...

vendedor de ilusão disse...

Olá Elvira, vim lhe trazer o meu abraço! Tenhas um ótimo final de semana.

Luís Coelho disse...

Um tempo que nunca esqueceremos quer pela pobreza em que vivíamos quer pela política dura que nos vergava.

Parece que voltamos ao mesmo...será?

Maria disse...

Querida Elvirinha:
A História de um povo, acompanhando a história de uma família. Que maravilha conseguiu, amiga.
Vou lendo, lembrando factos já passados há muito. É triste, mas dá um pouco de esperança, que o nosso povo volte a acordar.
Tanto sofrimento que havia! E agora voltamos à mesma miséria. Será que ainda haverá volta?
Beijinho.
Maria

São disse...

Conheço muito bem Alcochete, pois supervisionei a Fundação João Gonçalves Júnior.

Um bom final de semana, amiga

lis disse...

Muito bom saber com se vivia naquele tempo, através dos seu texto Elvira.
E como hoje temos mais conforto e ainda reclamamos tanto!falta talvez o sossego que não temos mais.rs
Um abraço bem forte desejando um excelente fim de semana

Isamar disse...

Mais um capítulo muito interessante da história que te propuseste contar. A vida difícil dos operários está bem patente nestas linhas. Continua, querida amiga.

Beijinhos

Vitor Chuva disse...

Olá, Elvira!

Hoje sinto-me particularmente ligado a esta história:Primeiro, porque ambos os meus avôs eram marnoteiros, para além de outras coisas como forma de ganhar a vida; depois porque durante quase trinta anos trabalhei na Siderurgia, ainda que só por pouco tempo no Seixal.
E sal, bacalhoeiros, secas do bacalhau, tudo isso liga muito bem comigo, já que nasci na Figueira.

Um prazer ler!

Um abraço; bom fim de semana.

Vitor

Fátima Pereira Stocker disse...

Elvira

Tal como em certo tipo de pesca, também o País via fechar-se o cerco e adensarem-se as grades. A Elvira contou isso muito bem.

Beijos

Nilson Barcelli disse...

Continuo a ler a tua magnífica história, que afinal até tem 2 histórias...
Elvira, querida amiga, tem um bom fim de semana.
Beijo.

Petrus Monte Real disse...

Elvira,

Mais um capítulo da bela História que, pela sua originalidade, continua a despertar todo o interesse.

Respondi ao seu comentário no meu espaço, que muito agradeço.
Abraço e feliz domingo.