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13.9.22

POESIA ÀS TERÇAS - LILA RIPOLI

                                                              


CONTRADIÇÃO

Ali está a vida.
Aqui o sonho.

Fico entre os dois perdida.
Me desfaço e recomponho.

Tão perto o abraço,
e longe o amor.

Tão pequeno o espaço.
Tão perdido o meu clamor!






Biografia AQUI








12.9.22

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE XXVII

 




Quase nem jantara. Não conseguia pensar noutra coisa, que não na conversa dessa tarde. Há seis meses atrás quando saíra do hospital, era capaz de jurar, que não queria saber de homens nem de relacionamentos amorosos, nos próximos anos. 

Três meses depois, conheceu César e a menina. E naqueles três meses as barreiras foram caindo. E não podia ser. É verdade, que a simpatia dele, a gentileza com que a tratava, a confiança que punha nela, foi calando fundo no seu coração. 

Que já se surpreendera a pensar que pareciam uma família, e como seria bom se isso fosse realidade. Mas não sonhava que ele estivesse interessado nela. E francamente custava-lhe a crer, no contrário. Se era apaixonado pela mulher, e se o acidente fora pouco antes do Natal…
Não podia ser. O mais certo, era ter pensado, que dado o carinho que ela e a filha partilhavam, seria a pessoa certa para fazer o papel de mãe da menina.
Mas isso não chegava para um casamento feliz. E ela já tinha a sua quota de experiência, num casamento falhado.

Tão perdida estava nos seus pensamentos que se assustou com o toque do telemóvel. Era a mãe.
- Olá mãe. Aconteceu alguma coisa?
- Saudades, filha. Eu sei que estás a trabalhar há poucos meses, não terás férias este ano, mas não podias vir passar connosco um fim-de-semana?
- Não sei, mãe, talvez consiga ir uns dias em Agosto. Para a semana digo-te alguma coisa. Dá um beijo ao pai, por mim.

Desligou. Ainda tinha o aparelho na mão, quando tocou de novo. Nem queria acreditar. César? Nunca lhe ligara, sem ser quando estava com a menina.  Não atendeu. Falariam na Segunda-feira. Tinha que ordenar os seus pensamentos, analisar sentimentos. E depois? Dependendo do que decidisse teria que lhe contar quem ela era.

 Não podia, nem queria ter tal segredo a vida toda. Nunca seria feliz. Porque a vida havia de ser tão complicada? Porque tinha que arranjar trabalho exatamente naquela família? E porque é que ele havia de ser tão interessante? Talvez devesse despedir-se. Mas o pensamento de deixar Matilde, era insuportável. Era como se perdesse de novo o filho. Clara tinha razão. Ela bem que a avisara, que estava a transferir para Matilde, o amor que não pudera dar ao bebé.
Doía-lhe a cabeça de tanto pensar.





11.9.22

DOMINGO COM HUMOR


 Anita, de sete anos, regressa a casa vinda da escola.
Tinha tido a primeira aula de educação sexual.
 A mãe, muito interessada pergunta:
- Como é que correu?
- Quase morri de vergonha! - respondeu a pequena Anita.
- Porquê? - perguntou a mãe.
 Anita respondeu:
- O Zezinho, o menino com o cabelo ruivo, disse que foi a cegonha que o trouxe.
- O Marco, da livraria, disse que veio de Paris.
- A Cristina, a vizinha do lado, disse que foi comprada num orfanato e o Tó disse que foi comprado no hospital.
- O Paulinho disse que nasceu de uma proveta 
- O André disse que nasceu de uma barriga de aluguer.
 A mãe de Anita respondeu quase sorrindo:
- Mas isso não é motivo para te sentires envergonhada...
- Não, já sei, mas não me atrevi a dizer-lhes que como nós somos pobres, tiveste que ser tu e o pai a fazer-me...!!!


****************



Um estudo recente da Universidade de Harvard sobre o que fazem os 
 Reformados e Pensionistas chegou às seguintes conclusões.

Dedicam-se basicamente a 3 coisas:
· O BANCO;
· A BOLSA;
· A INVESTIGAÇÃO;

O BANCO em centros comerciais, parques e jardins, onde passam parte do dia.
A BOLSA das compras no supermercado que têm que carregar, e a bolsa da reciclagem para deitar fora o lixo.
A INVESTIGAÇÃO DIÁRIA: Onde raio deixei as chaves? Onde pus a carteira? Onde larguei os óculos? Como se chama este gajo? De que é que estávamos a falar?!


****************


Há muitos, muitos anos, chegaram juntos ao Céu um advogado e um Papa. 
São Pedro mandou o advogado instalar-se numa bela mansão de 800 m2, no alto de uma colina, com um fabuloso jardim, pomar, piscina, etc. 
O Papa, que vinha logo atrás, pensou que seria contemplado com um palacete, mas ficou branco como a cal quando São Pedro lhe disse que ele deveria morar num apartamento T1 na periferia. Irritado e incrédulo, o Santo Padre observou: 
- Não estou a entender! Esse sujeitinho medíocre, um simples advogado, recebe uma mansão daquelas e eu, Sumo Pontífice da Igreja do Senhor, vou morar nesta espelunca! 
São Pedro, pacientemente, respondeu: 
- Espero que Sua Santidade compreenda! De papas, está o Céu cheio, mas advogados, este é o primeiro que recebemos! 


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O dono de um circo colocou um anúncio procurando um domador de leão.
Apareceram 2 pessoas: um senhor de boa aparência, alentejano, e uma loura espetacular de 25 anos.
O dono do circo fala com os 2 candidatos e diz:
- Eu vou direto ao assunto. O meu leão é extremamente feroz e matou os meus dois últimos domadores. Ou vocês são realmente bons, ou não vão durar 1 minuto! Aqui está o equipamento - banquinho, chicote e pistola. Quem quer entrar primeiro?
Diz a loura:
- Vou eu!
Ela ignora o banquinho, o chicote e a pistola e entra rapidamente na jaula. O leão ruge e começa a correr na direção da loura. Quando falta um metro para ser alcançada, a loura abre o vestido e fica toda nua, mostrando todo o esplendor do seu corpo. O leão para como se tivesse sido fulminado por um raio! Ele deita-se na frente da loura e começa a lamber-lhe os pés! Pouco a pouco, vai subindo e lambe o corpo inteiro da loura durante longos minutos!
O dono do circo, com o queixo caído até ao chão diz:
- Eu nunca vi nada assim na minha vida!
Vira-se para o alentejano e pergunta:
- Você consegue fazer a mesma coisa?
E o alentejano responde:
- Claro! É só tirar de lá o leão.

9.9.22

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE XXVI

 






Os três dias passaram sem nada de relevante, a não ser a secreta alegria que Beatriz sentiu quando ele regressou. E Julho terminou, numa Sexta-feira, e nessa noite César disse-lhe para ficar mais um pouco precisavam conversar.
- Consegui entregar, o último trabalho que tinha para este mês. Em Agosto vou fechar a agência, e vou de férias. Gostaria muito que viesses connosco, a Matilde gosta muito de ti, vai sentir a tua falta. E …eu também, - concluiu com um entoação que a fez enrubescer até à raiz do cabelo.
Engoliu em seco. Não podia. Cada dia se sentia mais atraída por ele, e viam-se tão pouco, como podia passar um mês na sua companhia?  Sem deixar de a olhar, como se exigisse nesse olhar uma resposta, aproximou-se dela.
- Podemos contar contigo?
- Será uma mudança do meu local de trabalho ?- Perguntou tentando impôr distâncias.
-Tens alguém que o impeça? Um namorado? – Perguntou ele, como se não tivesse percebido.
- Não. Sou viúva!
Não mostrou qualquer surpresa. Como se o soubesse. Ela não lhe tinha dito. E o cartão de cidadão não faz referência ao estado civil. Teria mandado alguém investigá-la? Decerto que sim. Era lógico, doutra forma como se explicaria que confiasse tanto nela? 
- E então? Os dois somos maiores, não temos ninguém a quem prestar contas. Deves ter reparado que me sinto atraído por ti. Vocês, mulheres, percebem isso. A minha filha já te conquistou. Será que me vais dar oportunidade de fazer o mesmo?
Aquilo era uma declaração? Se não era, parecia. Sentiu que lhe faltava o chão.
- Não pode ser. Não pode haver nada entre nós…
- Porquê? Há alguma razão lógica para isso?
Tinha levantado um pouco a voz, e Matilde que brincava com o seu ursinho, veio agarrar-se às calças do pai.
- Por favor César, não é o local nem a hora para esta conversa. Está na hora da Matilde jantar. E também se está a fazer tarde para mim.
Ele pegou na menina ao colo.
- Porque não jantas connosco? Continuamos esta conversa depois. É importante. Depois chamo um táxi para te levar a casa.
-Não. Falamos na Segunda.
E pegando na mala saiu apressada, como se fugisse dos seus próprios sentimentos.


7.9.22

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE XXV


Eram dezassete horas, quando chegaram ao apartamento de Beatriz. Matilde mostrava-se muito admirada, como se nunca tivesse passado pela sua cabeça, que a ama também tinha uma casa.

A jovem procurou no guarda fato, uma pequena mala, onde colocou algumas peças de roupa, o secador de cabelo e os artigos básicos de higiene. Depois, para satisfazer a curiosidade da menina mostrou-lhe a casa. Desculpou-se com o não se lembrar onde tinha a chave, para não lhe mostrar o quarto do bebé, que mantinha fechado desde que saíra do hospital. Não queria ouvir as perguntas da criança, nem ter de lhe dar explicações.

Eram quase vinte horas, quando César telefonou.
Quis saber se estava tudo bem, e ela respondeu que sim e disse que ia passar o telefone à menina.
Não ouvia o que o pai lhe dizia, mas ouvia a menina falar dela, e sem saber porquê sentiu-se incomodada.

Que se passava com ela? Porque é que ultimamente pensava tanto nele? Não podia estar a interessar-se por ele, conhecia-o há menos de três meses. Certo que foram meses em que se viram todos os dias. Mas quase não se falavam. Tudo o que ela sabia sobre ele, fora Berta que lhe contara. Por ela soubera que ele sofrera um grande desgosto com a morte da mulher. 

Deviam amar-se muito, por isso era normal que não procurasse outro relacionamento. Sorriu ao lembrar o que Clara lhe tinha dito numa conversa anterior “mulher, vocês estão no mesmo barco. Deviam remar juntos.” No mesmo barco estariam, mas não pelo mesmo motivo. Ele estaria por recordação a um grande amor, ela estava por desilusão. Nunca remariam para o mesmo lado.
- Bia, o pai quer falar contigo – disse a menina estendendo-lhe o telefone
- Estou…
Silêncio. Será que ele tinha desligado? Repetiu:
- Estou…
- Sim, tinha deixado de ouvir, julguei que a chamada tinha caído. Ligo amanhã antes de me ir encontrar com o cliente. E quero agradecer-te. Obrigado … Bia.

E desligou, deixando-a a olhar o telefone como se ele fosse um bicho raro. Bia? Porque é que a  chamara assim? Certo que a menina, a tratava por Bia desde a primeira semana. Mas ele? E agradecera-lhe. Que raio havia para agradecer? Ficar com a menina? Estava no contrato. Cuidar bem dela? Era a sua obrigação. Se ele soubesse, que ela estava implicada no acidente que o privara da mulher…

6.9.22

POESIA ÀS TERÇAS - PAULO MENDES CAMPOS


 

Amor Condusse Noi Ad Nada

Quando o olhar adivinhando a vida
Prende-se a outro olhar de criatura
O espaço se converte na moldura
O tempo incide incerto sem medida

As mãos que se procuram ficam presas
Os dedos estreitados lembram garras
Da ave de rapina quando agarra
A carne de outras aves indefesas

A pele encontra a pele e se arrepia
Oprime o peito o peito que estremece
O rosto a outro rosto desafia

A carne entrando a carne se consome
Suspira o corpo todo e desfalece
E triste volta a si com sede e fome.

Paulo Mendes Campos


Biografia  AQUI

5.9.22

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE XXIV

 


Passou todo o dia a pensar nele. Havia pouco mais de dois meses que tinha começado a cuidar de Matilde. Cuidava dela, com todo o carinho, não só porque gostava muito de crianças, e tinha acabado de perder um filho, como porque desde que tivera a certeza de que a mãe dela morrera naquele fatal acidente provocado pelo marido, indiretamente se sentia culpada da orfandade da menina.

O pai, era um homem bonito, simpático, mas para ela era o patrão, e não podia pensar nele de outro modo.

Por outro lado, ela não pensava em qualquer homem como possível companheiro, a experiência com o casamento anterior, não lhe deixara desejos de repetir a dose. Tinha ficado vacinada.

Contudo sentia que havia qualquer coisa estranha entre ela e César. Ela não sabia exatamente o quê, mas sentia-o. Era como uma estranha energia que a  atraía para ele.  Talvez fosse a maneira como ele a olhava, como se houvesse uma dúvida permanente, entre a confiança com que tinha posto a sua casa e a sua filha, aos cuidados dela, e alguma coisa que ele temia, ou se recusava a aceitar. 

Como eram quase dez horas quando César se despediu da filha, nesse dia não houve passeio com a criança, tendo ficado a manhã confinada às habituais brincadeiras no jardim. Depois do almoço, e enquanto Matilde dormia a sesta telefonou à amiga.
Contou-lhe a novidade.
-Quer dizer que vais ficar aí três dias? Sem ires a casa?
-Não. Quando a Matilde acordar, depois do lanche, levo-a a passear, e vamos a casa. Preciso trazer roupas, e alguns artigos de higiene.
- Começas por levar algumas coisas e acabas por te mudar para aí.
- Não sejas tonta. Foi uma regra que aceitei, e que está no contrato.
- Não te amofines, estava a brincar. E ele? Tudo na mesma? Não arranjou namorada?
- Como queres que saiba? Sou apenas uma empregada.
- Uma empregada especial. Essa história de te entregar a casa e a filha… será um teste?
- Já me estou a arrepender de te ter telefonado. Estás impossível hoje!
-Pronto, não digo mais nada. Mas posso pensar, não? Olha, vou fechar a loja uns dias em Agosto. Todos os anos nessa altura, é uma pasmaceira, ninguém compra nada, a loja só não leva o dia entregue às moscas, porque eu e o Nuno, estamos cá para as enxotar. Penso ir para Lagos. Olha, depois falamos, tenho agora aqui uma cliente.
-Vende muito. Adeus

4.9.22

DOMINGO COM HUMOR


 Um camionista para a sua viatura à beira da estrada e dá boleia a uma bela jovem.
Depois de conversarem um pouco, ambos decidiram parar para comer qualquer coisa e acabam por ir para o quarto de um motel.
Enquanto a jovem se despe, o homem pergunta-lhe:
- Diz-me lá: que idade é que tens?
- Treze.
- Por amor de Deus! Veste-te imediatamente e vai-te embora daqui!
- Olha...outro supersticioso!


********************


Um dia a minha mamã saiu e o meu papá ficou a tomar conta de mim. 
Eu tinha então perto de 2 anos e meio e estava a convalescer de um pequeno acidente. 
Nessa altura alguém deu-me um serviço de chá miniatura que se tornou um dos meus brinquedos preferidos. 
Certo dia o papá estava na sala assistindo atentamente ao Telejornal, enquanto eu, brincando com o meu novo serviço, ia-lhe servindo chávenas de "chá" que, naturalmente, era só água... Depois dele ter bebido - e elogiado constantemente o meu "chá", a mamã chegou a casa.
O papá empatou a mamã na sala para que ela pudesse ver-me a trazer-lhe mais uma chávena de "chá" pois ele estava absolutamente "derretido" comigo.
A mamã esperou e viu-me chegar orgulhosa com mais uma chávena de "chá" e assistiu espantada ao ar deliciado com que o papá o bebeu até ao fim.
Mal o meu papá acabou de beber, a mamã (como só uma mãe saberia fazer) disse-lhe: 
- "Ouve lá: alguma vez te passou pela cabeça que o único lugar com água a que ela chega cá em casa é a sanita????"

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Uma Alentejana entra numa farmácia e pede uma garrafa de frequência.
O farmacêutico olha e diz:
- Desculpe-me, nos meus 30 anos de experiência na profissão, nunca ouvi falar desse produto. É algum novo tipo de perfume?
A alentejana respondeu:
- Ê cá na sê! O dotôri disse-me que aquando ê tiver lôca com comichão na perseguida, pra me lavar com "Frequência"!


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Um homem acaba de morrer. 
No funeral, o padre tece os maiores elogios ao falecido:
- Um bom marido, um bom cristão, um pai exemplar...
A viúva, virando-se para o filho, diz-lhe:
- Vai espreitar o caixão e confirma se é mesmo o teu pai.


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 - António, de que é que tu gostas mais em mim?
 - Dos teus rissóis.
 - Irra, António, digo do interior!
- Ah, os de camarão!!