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15.3.17

CASAMENTO POR PROCURAÇÃO - PARTE XVII





- Calculo que sim. Mas sempre ouvi dizer que a vida aqui é cara, e que para se ter alguma coisa são precisos sacrifícios. Quero ajudar, contribuindo para as despesas. Talvez tenhas que me dar algum dinheiro, preciso fazer algumas compras, se o meu enxoval demorar a chegar. No avião deixam trazer tão pouca coisa.
-Não é problema. Disponho de três horas livres todas as tardes, posso acompanhar-te. Mas amanhã não. Prometeste ir lanchar com a tia.
-Sim. Mas vens-me buscar? 
-Venho buscar-te antes de começarmos a servir os almoços. Procura estar pronta, não poderei demorar. Almoças lá e depois sobes e ficas com a tia. Depois de amanhã, é o dia do descanso de pessoal, o restaurante está fechado, poderemos ir comprar o que quiseres, e irei mostrar-te parte da cidade, para que não estejas sempre em casa com medo de te perderes.
Durante uns momentos ambos ficaram em silêncio, cada um preso aos seus pensamentos. Depois Quim retomou a conversa.
- Vou ligar a televisão, são horas de notícias. Se tiveres sono, podes ir deitar-te. Usa o quarto principal, eu fico no mais pequeno.
- Obrigada. Não tenho sono e gostava de ver um pouco de televisão. Em Portugal a televisão ainda é um luxo, que a maioria não conhece.  Na nossa aldeia, só existe uma no café. E isso porque tem um gerador. Como deves saber a eletricidade ainda não chegou lá.