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9.6.18

CASAMENTO DE CONVENIÊNCIA - PARTE XXIV






Um ano passara desde que se tinham mudado para a nova casa, onde agora viviam. O pequeno Pedro era desde há oito meses, filho do casal, a dona Ermelinda estava bem de saúde, embora continuasse a fazer exames periódicos, pois determinadas doenças uma vez contraídas nunca são dadas como curadas. A dona Conceição, tia do Pedro, era apaixonada pelo menino e por causa dele, tornara-se visita constante da família e como a senhora tinha perdido o seu único filho e vivia sozinha, Joana, acabara por lhe propor mudar-se para o andar de baixo. A casa era muito grande só para a sua mãe, e as duas senhoras irmanadas na mesma dor, confortavam-se mutuamente. Exatamente o que Pedro e a tia desejavam, mas eles continuavam a guardar segredo, sobre o seu parentesco com o pai biológico do filho.
Aparentemente corria tudo bem na família, mas não passava de aparência.  Joana, que se apaixonara pelo marido, logo nos primeiros dias após o casamento, sentia que alguma coisa o preocupava. Alguma coisa que ele não queria partilhar com ela. Era como se entre os dois houvesse uma parede invisível, mas impenetrável. Pedro era um excelente pai, aproveitava todos os tempos livres para brincar com o filho, passear com ele, inventava histórias engraçadas para lhe contar. E o menino adorava-o. Havia uma tal ligação entre os dois que Joana chegava a ter ciúmes do filho. Com ela, era educado, gentil, preocupava-se em saber se precisava de alguma coisa, se não estava a trabalhar de mais, se necessitava de uma nova empregada, enfim, preocupava-se com as suas necessidades materiais, mas não fora as noites onde se mostrava um amante apaixonado, Joana diria que o sentimento que ele tinha por ela, não era diferente do que sentia pela sua tia, ou pela sogra. Essa sensação entristecia o seu coração, apagara o brilho dos seus olhos, e transformara o seu riso alegre, em sorrisos breves. E fazia com que dona Ermelinda andasse cada dia mais preocupada com a filha.
Naquela manhã, a jovem, que há uns dias se sentia diferente, fizera o teste e descobrira que estava grávida. Noutras circunstâncias daria pulos de alegria, mas apreensiva como andava em relação ao casamento, o facto só lhe trouxe maior preocupação.
A relação entre o marido e o pequeno Pedro, era tão intensa, que Joana temia que ele não quisesse mais filhos, e que visse o novo bebé como um intruso.  
- Que se passa, Joana? Estás a bater essas gemas há dez minutos.
Parou a batedeira e pegou na farinha, para a juntar às gemas batidas com o açúcar.
- Nada, mãe, não te preocupes!
- Não me enganas. É com o teu marido? Aborreceram-se? Sim porque com o Pedrinho, não é. Transpira saúde.
- Já te disse que não é nada. Apenas hoje não me sinto muito bem. Devo ter dormido mal.
- Na tua idade, só se dorme mal por duas razões. Ou estás preocupada ou doente. Se está tudo bem com o teu marido procura um médico. Não estás bem encarada, e há muitas doenças silenciosas. Lembra-te. Mais vale prevenir.
-Está bem mãe. Se não melhorar, vou ao médico. Agora, se quiseres ajudar-me, vai moldando os brigadeiros...



E aqui estou eu... num dos eventos que vos disse ontem.