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31.10.17

A RODA DO DESTINO - PARTE XLVIII


Já na sala, Salvador perguntou:
- Gostaste do dia? Estás feliz?
- Foi um dia maravilhoso. És um homem perigoso, sabes como conquistar uma mulher. Não sei onde arranjar forças para te resistir.
- Não precisas resistir, - disse olhando-a muito sério. - Eu amo-te.
Nervosa, sem querer acreditar no que acabara de ouvir, disse:
- Não brinques comigo, Salvador.
Ele pôs-se de pé. Pegou-lhe nas mãos e puxou-a para si. Abraçou-a. Levantou-lhe o queixo, pedindo.
-Olha para mim, Anete. Parece-te que estou a brincar? Nunca falei tão a sério em toda a minha vida.
- Mas disseste que não sabias definir o que sentias por mim. Que estavas confuso.
-Que querias que te dissesse, se lia nos teus olhos que estavas com medo e querias fugir de mim? Não sei que desilusão matou a tua confiança, nem porque és tão insegura, mas sei que pelo menos em relação a mim, sempre tentaste fugir de qualquer aproximação mais intima. Eu amei-te desde que te vi, embora só me tivesse dado conta disso, em Coimbra, quando falava com o teu irmão. Tenho tanta certeza dos meus sentimentos, que telefonei ao Luís e lhe disse que estava apaixonado pela bonita irmã dele, que ia fazer tudo para a conquistar, e que o meu maior desejo era entrar para a sua família.
- Tu...tu fizeste isso?
- Fiz. E quando tiver a certeza de ser correspondido, falo com os teus pais, com o Ricardo, com a Ana Clara, falo até com o Papa se mo pedires.
- És um tonto, - disse tentando reter as lágrimas. Desde que te vi, que travei uma dura batalha com o meu  coração. Ele queria-te nele e eu a tentava impedi-lo. Dou-me por vencida.
Salvador segurou-lhe a cara entre as mãos e foi aproximando o rosto do dela. Muito lentamente, fazendo aumentar a tensão. Anete passou a língua pelos lábios ressequidos pelo desejo, ansiosa por uma experiência que nunca tinha tido. Entreabriu os lábios, num sinal claro do que desejava.
Salvador roçou ao de leve os seus pelos lábios dela, e deteve-se para voltar ao início numa doce tortura. Ela gemeu de impaciência, e ele foi aprofundando o beijo, lentamente, tocando a língua nos lábios dela, como se executasse uma suave e erótica dança.
Inebriada pelas novas sensações que lhe percorriam o corpo e lhe transformavam o sangue em fogo liquido, Anete envolveu-lhe o pescoço com os braços e apertou-se mais ao corpo masculino. Então Salvador beijou-a com um desejo tão intenso, que lhe deixou a cabeça à roda e os joelhos trémulos. Incapaz de resistir, e não desejando fazê-lo, deixou que o desejo se transformasse em súplica:
- Faz amor comigo, Salvador.
Ele afastou-a um pouco, e mergulhando os seus nos olhos dela, perguntou com voz rouca:
-Tens a certeza?
Trémula, ruborizada, respondeu num fio de voz.
-Sim.
Então ele pegou-lhe ao colo e levou-a para o quarto.


Esta história acaba hoje. Logo às 20.00 horas.
 Com ou sem bruxas, um bom dia para todos.



18.11.16

ESTRANHO CONTRATO - PARTE XXIX




E então Afonso fez algo completamente inesperado. Puxou-a para si e beijou-a. Primeiro suavemente apenas aflorando os lábios femininos, depois dando aso ao amor que trazia no peito, e à paixão que lhe invadia o corpo, o beijo, foi-se intensificando, e quando sentiu que a mulher lho retribuía, enlaçando-lhe o pescoço, perdeu completamente o controlo.  As suas mãos percorriam nervosas o corpo feminino que palpitava junto ao seu. Amaram-se ali mesmo, no sofá do escritório, as roupas espalhadas pelo chão, os corpos cavalgando no ritmo da paixão, as bocas perdidas entre beijos e gemidos, os corações acelerando cada vez mais até ao êxtase final.
Momentaneamente apaziguado o fogo que os devorara, Afonso perguntou:
- Desde quando?
- Não sei. Penso que desde o dia do casamento, quando me cedeste o quarto e ficaste a dormir aqui.
- Tão depressa? E eu a pensar que suspiravas pelo falecido.
- Tonto. Ele foi o pai dos meus filhos. Se não tivesse morrido seria decerto o meu marido, para o resto da vida. Sou uma mulher fiel. Mas nunca foi um grande amor. E tu? Desde quando? Eu pensava que não reparavas em mim.
- Desde aquela noite que ficaste no quarto das meninas. Acordei às cinco da manhã. A porta do teu quarto estava completamente aberta, e não te vendo lá, fui ver as crianças. Tu e a Ana dormiam abraçadas. Tive inveja dela, sabes?
Ela riu feliz. Ele continuou.
- Os últimos tempos foram cada dia mais difíceis. Passava horas aqui fechado, ansiando por ir ter contigo apertar-te nos braços e fazer-te minha. Mas o medo de te perder era maior que o meu desejo.
-Medo de me perder? – Admirou-se ela. Porquê?
- Por causa da quinta cláusula do contrato.
-E o que diz a quinta cláusula desse bendito contrato?
- Não leste? Tens uma cópia.
- Não.
- Não leste? – Perguntou admirado
- Não tenho uma cópia.
- Não? Eu dei-ta.
- Sim. E eu rasguei-a.
-Quando?
- Quando percebi que te amava
-Meu Deus, tanto tempo perdido.
- Ainda estamos a tempo de recuperá-lo. Mas... não seria melhor continuarmos no quarto?
E dizendo isto, Francisca soltou-se dos seus braços e começou a apanhar as roupas dispersas pelo chão.




À margem.

Como os meus leitores estavam à espera disto, aí desde o segundo ou terceiro capítulo, pensam que a história acabou aqui? Pois enganam-se. Ainda há muitas pontas soltas...