- Gostaste do dia? Estás feliz?
- Foi um dia maravilhoso. És um homem perigoso, sabes como
conquistar uma mulher. Não sei onde arranjar forças para te resistir.
- Não precisas resistir, - disse olhando-a muito sério. - Eu amo-te.
Nervosa, sem querer acreditar no que acabara de ouvir, disse:
- Não brinques comigo, Salvador.
Ele pôs-se de pé. Pegou-lhe nas mãos e puxou-a para si. Abraçou-a.
Levantou-lhe o queixo, pedindo.
-Olha para mim, Anete. Parece-te que estou a brincar? Nunca falei
tão a sério em toda a minha vida.
- Mas disseste que não sabias definir o que sentias por mim. Que estavas
confuso.
-Que querias que te dissesse, se lia nos teus olhos que estavas com medo e querias
fugir de mim? Não sei que desilusão matou a tua confiança, nem porque és tão insegura, mas sei
que pelo menos em relação a mim, sempre tentaste fugir de qualquer aproximação
mais intima. Eu amei-te desde que te vi, embora só me tivesse dado conta disso,
em Coimbra, quando falava com o teu irmão. Tenho tanta certeza dos meus
sentimentos, que telefonei ao Luís e lhe disse que estava apaixonado pela
bonita irmã dele, que ia fazer tudo para a conquistar, e que o meu maior desejo
era entrar para a sua família.
- Tu...tu fizeste isso?
- Fiz. E quando tiver a certeza de ser correspondido, falo com os
teus pais, com o Ricardo, com a Ana Clara, falo até com o Papa se mo pedires.
- És um tonto, - disse tentando reter as lágrimas. Desde que te
vi, que travei uma dura batalha com o meu coração. Ele queria-te nele e eu a tentava impedi-lo. Dou-me por vencida.
Salvador segurou-lhe a cara entre as mãos e foi aproximando o
rosto do dela. Muito lentamente, fazendo aumentar a tensão. Anete passou a língua
pelos lábios ressequidos pelo desejo, ansiosa por uma experiência que nunca
tinha tido. Entreabriu os lábios, num sinal claro do que desejava.
Salvador roçou ao de leve os seus pelos lábios dela, e deteve-se
para voltar ao início numa doce tortura. Ela gemeu de impaciência, e ele foi
aprofundando o beijo, lentamente, tocando a língua nos lábios dela, como se
executasse uma suave e erótica dança.
Inebriada pelas novas sensações que lhe percorriam o corpo e lhe
transformavam o sangue em fogo liquido, Anete envolveu-lhe o pescoço com os
braços e apertou-se mais ao corpo masculino. Então Salvador beijou-a com um
desejo tão intenso, que lhe deixou a cabeça à roda e os joelhos trémulos.
Incapaz de resistir, e não desejando fazê-lo, deixou que o desejo se
transformasse em súplica:
- Faz amor comigo, Salvador.
Ele afastou-a um pouco, e mergulhando os seus nos olhos dela,
perguntou com voz rouca:
-Tens a certeza?
Trémula, ruborizada, respondeu num fio de voz.
-Sim.
Então ele pegou-lhe ao colo e levou-a para o quarto.
Esta história acaba hoje. Logo às 20.00 horas.
Com ou sem bruxas, um bom dia para todos.
Esta história acaba hoje. Logo às 20.00 horas.
Com ou sem bruxas, um bom dia para todos.

