Na manhã seguinte, logo depois do pequeno-almoço, as crianças saíram para o jardim com o pai, enquanto Clara subia ao quarto deles.
Aí chegada deteve-se por momentos memorizando a
decoração atual Ela não gostava de ver as camas encostadas à parede, uma oposta
à outra, com todo o quarto vazio pelo meio. Dava-lhe uma sensação de
isolamento, quando o que se devia desejar, era uma relação de proximidade,
entre eles. Também não lhe agradava a posição das mesas secretárias.
Depois de um momento de hesitação, levou as
secretárias para a parede de janelas que dava para o terraço. Afinal era a zona
com mais luz. A melhor, para estudar, desenhar, ler. Na parede à direita, onde
estava a cama rosa, havia duas portas. Uma da casa de banho, a outra comunicava
com o seu quarto. Na parede da esquerda, havia apenas a porta de comunicação
com o quarto de Ricardo. E na parede que dava para o corredor, a porta de entrada
no quarto, situada quase na ponta do lado esquerdo.
Os dois roupeiros, iguais não eram muito grandes, e
foram arrastados para essa parede. Ali, lado a lado, pareciam apenas um. As duas camas ficaram na parede da esquerda,
onde anteriormente só estivera a azul, mas apenas com a cabeceira encostada à
parede. De seguida foi ao seu quarto e arrastou o cadeirão que tinha junto à
janela para o quarto das crianças colocando-o encostado à parede entre as duas cabeceiras
de camas. Por fim uma mesa-de-cabeceira, de cada lado das mesmas.
Recuou um pouco e olhou o quarto. Tinha perdido um
pouco de espaço no centro, mas em compensação estava muito mais aconchegante,
não só para as crianças, mais perto uma da outra, como para que cuidava delas.
Não precisava sentar-se na cama de cada um, quer fosse para contar uma
história, ou para lhes velar o sono se estivessem doentes.
Estava cansada. É certo que poderia ter pedido ajuda a
Ricardo, ao irmão, ou até mesmo à empregada. Mas ela preferia fazer as coisas
sozinha. Se não gostasse do resultado, desmanchava e experimentava outra opção.
As outras pessoas nem sempre têm paciência para essas coisas.
Olhou o relógio. Já passava das onze. Tinha que ir
tomar banho e mudar de roupa, antes da hora do almoço.
Enquanto tomava banho pensava que gostaria de ver a
reação das crianças quando entrassem no quarto.
Fechou o duche, secou o cabelo. Juntou-o como se fora
fazer um rabo-de-cavalo, mas em vez disso torceu-o e prendeu-o num gracioso
coque. O mês de Agosto aproximava-se do fim, com dias de altas temperaturas.
Vestiu uns calções de sarja azul e um top branco sem mangas.
Acabara de se vestir quando ouviu a algazarra que as
crianças faziam no quarto e desejando ver as suas reações abriu a porta de
comunicação. Bernardo estava sentado no cadeirão, balançando as curtas pernitas
nuas. Soraia andava de um lado para o outro rindo e batendo as palmas. A
alegria deles chegou-lhe ao coração.
- Vamos, para o duche que está quase na hora de
almoço, - disse entrando no quarto.
Os miúdos entraram na casa de banho, despiram os
roupões e os fatos de banho, deixando-os no chão para se enfiarem na cabine do duche.
- A partir de hoje, sempre que dispam a roupa suja,
colocam-na neste recipiente. As roupas espalhadas pelo chão dão à casa, um
aspeto de gente desleixada e pouco limpa. E vocês não querem que pensem isso de
vós, pois não?
- O que é aspeto - perguntou Bernardo.
- E o que é desleixado- quis saber a irmã.
- Então, aspeto é a aparência. É aquilo que as pessoas
vêm quando olham. E desleixada, é uma pessoa que não tem cuidados consigo ou
com a sua habitação. Tanto lhe dá que esteja limpo como sujo.
Acabara de lhes dar banho, enrolou uma toalha à volta
de cada um, e disse:

