Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta imobiliária. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta imobiliária. Mostrar todas as mensagens

14.3.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE I





Eram muito diferentes os dois homens que se encontravam naquele escritório, embora fossem os dois empresários do mesmo ramo.
António, o mais jovem, era um homem alto, de ombros largos. Andaria perto dos quarenta anos, tinha cabelo de um tom, algures entre o castanho-escuro e o preto, ponteado por algumas cãs, e os olhos tão negros como dois poços sem fundo. No rosto moreno, sobressaía a boca bem desenhada, de lábios grossos, que muito raramente se abriam num sorriso franco e bonito. O queixo quadrado voluntarioso era parte integrante do seu carater forte. Vestia com elegância um fato cinzento e era um poderoso empresário, dono da maior imobiliária do país, e também de uma cadeia de restaurantes. 
O segundo homem era alto, magro, de pele clara e o pouco cabelo que a calvície deixara era castanho claro quase loiro. Vestia um elegante fato castanho, estava pálido e nervoso. Era dono da segunda maior imobiliária do país, mas não parecia de modo algum um homem feliz.
- Estas são as minhas condições, - disse o mais jovem. Posso ajudá-lo a reerguer a sua empresa, ou afundá-lo de vez. A decisão é sua.
- É cruel e imoral.
O homem mais jovem soltou uma gargalhada seca.
- Imoral? E não foi imoral o que você fez comigo há dezoito anos? Quando me expulsou da sua empresa tratando-me como um reles ladrão? E não é imoral, ter vindo recorrer precisamente a mim, para o salvar da sua má e irresponsável gestão? Acaso sabe o que eu sofri e lutei numa terra estranha, sem ninguém para me apoiar, a fim de conseguir chegar onde hoje estou?
-A minha gestão não seria tão má se por trás não estivesses tu e a tua vingança.
-Talvez. Mas agora já sabe a minha resposta. Vai dar-me um enorme gozo casar com a filha do homem, que me acusou de ser ladrão. E me obrigou a deixar família e amigos, para não ver nos seus olhos a censura por algo que não fiz.
- Não conheces a Paula. Ela não vai aceitar.
E eu executo a hipoteca, e anexo a sua empresa à minha. Sem problemas. E agora se não se importa tenho uma reunião dentro de dez minutos. Tem oito dias para me dar uma resposta. Boa tarde. 
Chamou a secretária e pediu: 
- Menina Tavares acompanhe o senhor Maldonado por favor. E faça entrar o cliente que espero, logo que ele chegue.