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11.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XIX



Isabel acabou de aspirar a casa e preparava-se para tomar banho quando Natália chegou com a menina. Ela contou à vizinha a visita do empresário e pediu-lhe se podia ficar com a criança, para que pudesse ir jantar com ele e saber o que o homem pensava fazer. Depois deu banho à menina, vestiu-a e deu-lhe a comida. De seguida, meteu-a no parque com alguns brinquedos e foi tomar banho. Estava-se a meio de Outubro, os dias continuavam quentes, mas as noites arrefeciam bastante, e por isso vestiu um vestido preto, em lã, que se ajustava ao seu corpo e lhe estilizava a silhueta, e um casaco curto de xadrez preto e branco. Acabava de se vestir quando a campainha tocou. Faltavam ainda vinte minutos para as oito, só podia ser a vizinha, Isabel foi abrir, e Natália dirigiu-se ao parque onde Matilde se tinha deixado dormir agarrada ao ursinho de peluche.
-Deixou-se dormir. Vou deitá-la. Precisa mudar de roupa? – perguntou.
-Mudei-lhe a fralda depois do jantar, ainda não há meia hora, - respondeu.-  Vou acabar de me arranjar.
-Vá sim Isabel, não se preocupe, eu cuido dela.
Isabel voltou ao quarto, procurou uns sapatos de salto alto, calçou-os e depois sentou-se em frente do espelho, apanhou o cabelo num coque, e maquilhou levemente o rosto, acentuando um pouco as maçãs do rosto, e realçando os seus olhos cor-de-chocolate.
Quando Ricardo chegou às oito horas, Isabel não parecia a mesma mulher que ele tinha visto nessa tarde. Estava muito elegante, embora sem perder o ser ar natural. Ao olhá-la, não pôde deixar de pensar que a gata borralheira se tinha transformado numa princesa.
Saíram, e ele conduziu-a ao carro. Nervosa, ela queria saber logo o que ele tinha decidido, e mal o carro se pôs em movimento, não se conteve.
-Disse-me que precisava falar comigo…
- Falaremos disso durante o jantar. Agora se não te importas, vamos deixar o tratamento cerimonioso de lado. Já nos conhecemos, e temos em comum o futuro de uma criança para decidir. De acordo?- perguntou
-De acordo – respondeu.
Tinham chegado ao parque do restaurante em Belém. Não era um grande restaurante mas tinha uma excelente vista para o Tejo e para a Torre. Saíram do carro e Ricardo deu- lhe o braço para entrarem no local.
-Boa noite, senhor.
- Boa noite. Reservei mesa para dois, em nome de Ricardo Medina
O empregado conduziu-os para uma mesa num local discreto junto à janela, e entregou-lhes a ementa. Ela porém pousou a sua quando ele abriu a dele e perguntou:
- Tens preferência por algum prato em especial? – perguntou ele.
- Não, mas gosto mais de peixe, do que de carne.
- Então vamos ver o que há hoje de peixe; salmão no forno, bacalhau com castanhas, beringela recheada com atum, pescada gratinada em cama de espinafres, filetes de robalo com batata- doce, e medalhões de pescada com bacon. Agrada-te alguma coisa?
- Salmão no forno.
- Muito bem. Eu prefiro o bacalhau.
Fechou a lista e imediatamente o empregado se aproximou. Ele fez o pedido, escolheu um Marquês de Borba tinto, e esperou que o empregado se afastasse para iniciar a conversa.