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5.8.20

CILADAS DA VIDA - PARTE XV



Depois de se ter despedido dos amigos Teresa, foi à pastelaria, onde conversou com Mário, informando-o que durante a gravidez se ia afastar do negócio, e tinha acabado de contratar Inês para gerir o mesmo.
-Escusado será dizer que espero que lhe dês o mesmo apoio, que me tens dado. Sei que às vezes os pais tendem a exigir demais dos filhos, mas lembra-te que é o seu primeiro emprego e que é natural, que precise da tua ajuda nos primeiros tempos.
- Mas tu gostas tanto do que fazes! Estás a passar mal?
-Não. Mas sabes como é, daqui a pouco começam os enjoos, e este não é o melhor local para se trabalhar nessa situação. Depois a tua filha está farta de estar em casa, ia procurar um trabalho em breve, e onde poderá estar melhor do que aqui, para desenvolver as suas capacidades?
Despediu-se com um beijo e um até amanhã e dirigiu-se a casa. Abriu o guarda-fato e foi passando a mão pela roupa, pensando no que devia vestir, já que queria uma roupa o mais formal possível, mas leve porque o dia estava muito quente. Acabou por escolher um conjunto de calças e túnica sem mangas, em seda verde água, que estendeu sobre a cama. Abriu a gaveta e escolheu entre a roupa íntima, um conjunto de fino algodão branco, e com ele na mão foi para a casa de banho, colocou uma touca na cabeça para não molhar o cabelo, e meteu-se debaixo  do duche. Voltou ao quarto só em cuecas e sutiã, e vestiu-se.
Regressou à casa de banho, escovou o cabelo e apanhou-o num coque no alto da cabeça. Não era adepta de muita maquilhagem pelo que passou apenas um pouco de brilho nos lábios e uma leve sombra nos olhos. Olhou-se no espelho e deu-se por satisfeita. Abriu a sapateira e olhou os pares de sapatos. Apenas dois pares de saltos altos, ainda por estrear, os restantes tipo ténis, e alguns sapatos e sandálias rasos, ou com um salto de três, quatro centímetros. Com um metro e setenta e cinco, Teresa era mais alta que a generalidade das mulheres,  por essa razão nunca usava saltos. Ficava enorme e isso parecia amedrontar e afastar dela as pessoas.
Escolheu umas sandálias rasas de tiras brancas e uma carteira igualmente branca. Pegou no telemóvel, procurou a morada da “TecnInformática” agarrou nas chaves do carro e saiu. Desde menina Teresa nunca aparentou ter medo de nada. Fora criada na aldeia, possuía o espírito forte e talvez um pouco ingénuo, que leva os aldeões a encarar as maiores adversidades, com coragem. Depois de pensar nas várias hipóteses, e de saber através de Gustavo o que podia esperar da lei, decidira que tinham que resolver o assunto entre os dois sem toda a exposição mediática,  que resultaria da ida para os tribunais, e que ela acreditava não seria bom para nenhum dos dois e especialmente para a criança que trazia no ventre. Não queria levar muito tempo a magicar no que podia acontecer, não fora que o sistema nervoso lhe pregasse alguma partida, e acabasse por perder o bebé.
A TecnInformática ocupava um enorme edifício de cinco andares. Estacionou o automóvel, no único lugar vago no parque e parou por momentos observando admirada o tamanho da empresa. Procurou a porta principal e dirigiu-se ao porteiro.
-Boa tarde! Tenho uma entrevista marcada com o senhor João Teixeira para as dezasseis horas, - disse aparentando uma naturalidade que estava longe de sentir, pois temia que o porteiro se informasse sobre a dita entrevista e não a deixasse entrar. - Pode informar-me qual o andar?
Relaxou um pouco com a resposta
- É no quinto andar, menina. Mas tem que me mostrar a identificação e assinar o livro de entrada.