Provavelmente Clara já dormiria há horas.
No silêncio da biblioteca, Ricardo acabara de reler a
carta que Clara lhe mandara em resposta ao anúncio. Decerto ela nunca saberia,
mas fora exatamente aquele “Post Scriptum” que o levara a escolhê-la entre o monte
de respostas que recebera. É evidente que ele tencionava investigar a vida das
candidatas que pretendia entrevistar. Mas aquela nota final, fez-lhe pensar que aquela seria a candidata ideal, a por de
parte todas as outras cartas e a pedir ao Francisco, seu advogado e amigo, se
lhe arranjava um investigador de confiança para descobrir quem era e como era
aquela mulher. Oito dias mais tarde tinha na sua frente num relatório
pormenorizado, toda a informação sobre a vida dela, e não havia dúvida de que
era uma boa escolha. Porém havia um senão. Durante mais de dois anos, ela tivera
um namorado. Segundo o relatório, coisa séria, chegaram aos preparativos para o casamento. De repente seis meses atrás, zangaram-se e nunca mais foram vistos juntos.
No seu anúncio ele fora propositadamente dúbio, não especificando que se tratava de um anúncio de casamento embora o facto de mencionar, " o papel de mãe delas" pudesse ser tido como um anúncio de casamento. Mas ela poderia pensar que se trataria apenas de uma ama, e não achar que um namoro seria inconveniente. Tinha que esclarecer aquele assunto com
ela, e para isso marcara uma entrevista.
Sorriu a lembrar-se da resposta que ela lhe dera,
quando lhe perguntou se estava apaixonada. Era uma mulher de personalidade
forte e isso agradou-lhe.
Então explicou-lhe em que consistia o tal “emprego”,
disse-lhe quanto receberia mensalmente, falou-lhe do casamento que teria de
durar até à maioridade dos filhos, do divórcio que lhe daria em seguida, e dos
cem mil euros que receberia no final do contrato, quando se divorciassem. E perguntou-lhe se
continuava interessada.
Ela ouvira-o com atenção, e quando ele se calou
dissera.
Continuo interessada, mas com uma condição. O meu
irmão deverá viver connosco, e terá pagos os seus estudos universitários, mesmo que a quantia que estipulou no final, seja substancialmente reduzida. Se aceitar estas condições, eu aceito as
suas.
-Não tenho nenhum problema, em financiar os estudos do teu
irmão, até à sua formação, desde que ele tire boas notas e não se meta em
drogas. Se isso acontecer, retiro-lhe todo o apoio.
-Não acontecerá. O Tiago é um miúdo muito responsável.
- Mais uma coisa, - dissera ele. Não suporto traições. Se te
apaixonares por alguém, deverás comunicar-mo. Darei por findo o contrato, tratamos do divorcio, mas claro que
não receberás os cem mil euros a que terias direito se o contrato chegasse ao fim.
- Parece-me justo! A mim também não me agradam as traições. E
se acontecer o contrário, e for o senhor interessado no divórcio?
-Isso não acontecerá. Mas se por hipótese eu rompesse
o acordo, receberias na mesma o dinheiro, já que o incumprimento não seria teu. Entendes que será um casamento apenas no papel?
-Claro, se assim não fosse não o aceitaria, mesmo
querendo muito concretizar o sonho do meu irmão,- respondera.
-Então, vou falar com o meu advogado para redigir o
contrato e logo que esteja pronto telefono-te para o assinarmos. E prepara o
que for necessário, o casamento tem que ser muito rápido. Assim que assinares o
documento dar-te-ei um cartão de crédito para que compres o necessário.
- Até ao momento em que oficialmente me torne sua mulher,
não aceitarei nenhuma ajuda financeira.
-Mas um casamento implica despesas. Desde logo o vestido
de noiva e o fato do teu irmão. Não são roupas baratas.
- Eu sei. Mas isso é problema meu.
Nota: Esta história regressa Segunda-Feira. Um sereno e feliz fim-de-semana
Nota: Esta história regressa Segunda-Feira. Um sereno e feliz fim-de-semana
