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30.5.18

CASAMENTO DE CONVENIÊNCIA - PARTE XI




- Não estou para ninguém e a Susana não sabe a que horas volto, -disse o advogado à sua secretária antes de entrar no seu gabinete.
Mal se instalaram no escritório, Pedro retirou do casaco o relatório que o investigador lhe tinha enviado e passou-o ao amigo que o leu em silêncio. Depois disse:
- Que a criança seja teu primo, e que queiras ajudar a família, eu compreendo, mas essa peregrina ideia de casares com a tia da criança, é que não me entra na cabeça. Primeiro, não tinhas um compromisso com a Cristina Barbosa?
-Nunca foi nada sério, nunca lhe fiz qualquer promessa, apesar de no início ter chegado a pensar nisso. Conheceste-a, é uma mulher muito bela, mas tem tanto de bonita como de fútil. A nossa relação ultimamente resume-se a isto. Ela a tentar arrastar-me para festas enfadonhas e eu a arranjar desculpas para não ir. Hoje mesmo tenciono ter uma conversa séria e acabar com qualquer ilusão da sua parte.
-E depois, chegas junto desta, - olhou o relatório para confirmar o nome e continuou, - Joana Teixeira e declaras que te apaixonaste por ela, mal a viste e que vais morrer de amor se não aceitar casar contigo?
- Não sejas ridículo. Penso propor-lhe casamento oferendo-lhe ajuda para criar o menino, e cuidar da mãe que decerto precisará de assistência médica. Será um casamento de conveniência, uma espécie de negócio.
-E os sentimentos Pedro? Onde fica o amor, o carinho, a paixão?
- Ora, tu sabes que eu não acredito no amor. Vá, não olhes assim para mim,  tu e a Helena são a exceção que confirma a regra.
-Acreditando que tu penses assim, quem te diz que esta jovem pensa como tu? Mais, quem te diz que ela não está apaixonada por alguém?
- Se tivesse uma qualquer relação o Abílio tê-la-ia descoberto. Algo me diz que é uma mulher que sempre se preocupou mais com os outros que com ela própria. E é com essa preocupação, com o bem-estar do menino e da mãe que conto para convencê-la.
- Bom, se já estás decidido, o que queres de mim?
- Que redijas um contrato pré matrimonial, com as condições que eu te ditar na altura, sendo que deverás acrescentar uma alínea, frisando que o casamento terá que ter uma duração no mínimo de dois anos, assim que eu te disser. E que nessa altura entres com o pedido de adoção do menino, e trates de toda a documentação para que me torne legalmente pai dele, o mais depressa possível depois do casamento. 
- Porquê essa alínea dos dois anos?
-Porque em dois anos, já serei legalmente seu pai, o menino terá crescido, criado laços comigo, e será muito mais fácil na minha posição que o juiz me dê a sua guarda, do que à Joana.Tenho melhores condições de vida.
-Isso é uma canalhice, Pedro.
- E não é uma canalhice o que elas nos fazem, quando um homem lhes dedica toda a vida e  nos abandonam sem dó nem piedade?
- Não podes julgar todas por uma. Oxalá um dia encontres alguém que te demonstre como estás enganado.  Pelo teu próprio bem. Mas parece-me que estás a pôr a carroça à frente dos bois. Nem sequer sabes se a tia vai adotar o menino ou se simplesmente requereu a guarda como parente mais próximo. E se ela não pretender adotar a criança como vais entrar com um pedido de adoção?
-Não te preocupes. Se ela não tiver pensado nisso, eu a farei pensar.
-Pareces ter pensado em tudo. Mas estamos ainda na fase das hipóteses. Pode acontecer que contrariamente ao que pensas, a jovem não aceite esse casamento. Mas supondo que aceita, já pensaste que em dois anos, ela pode gerar um filho teu?
- És sempre o mesmo sonhador Ricardo. Acreditas mesmo, que uma mulher que aceita um casamento para melhorar a vida dos seus, vai querer sujeitar-se a uma gravidez? Não tenhas ilusões. É bem capaz de querer reduzir o prazo dos dois anos.
-Arrepias-me com o teu cinismo.
-Posso contar contigo?
- Não tens contado sempre?


Bom  gente, hoje acordei quase sem me poder mexer. Na verdade estive melhor enquanto a medicação durou e de há dois dias para cá tem sido sempre a piorar. Ainda fui à aula da manhã, mas de tarde fui para o médico. Acabei de chegar, e além da medicação e da requisição para fazer uma TAC, as recomendações são para repouso absoluto "de cama, e não no sofá" palavras dele, durante dois dias. Depois vai-se levantando aos poucos, andando um bocadinho em casa e volta para o repouso. 
O conto está escrito e vou programá-lo para ir saindo. Mas não se admirem se não conseguir visitar-vos.