Isabel abriu o portão e disse ao homem que estava no jardim que ia por causa da vaga de secretária. Ele pediu-lhe para esperar, e entrou em casa. Voltou pouco depois e levou-a ao escritório. Ela ia olhando para a casa. Estava bonita, mais moderna, mas mais impessoal. Tão diferente daquilo que ela se recordava.
O homem abriu a porta, deu-lhe passagem e fechou-a atrás dela. Na sua frente, Helder encontrava-se recostado num cadeirão, com o cão a
seu lado. Tinha vestido umas calças cinzentas, e um polo azul-escuro.
Mentalmente fez as contas. Se ela tinha vinte e seis anos,
ele tinha trinta e seis. Parecia mais velho. Tinha já alguns fios de cabelo
branco. O rosto moreno, continuava bonito, apesar dos óculos escuros, que
escondiam os outrora brilhantes olhos castanhos.
- Bom-dia, - saudou. - Venho por causa da vaga de
secretária.
- Bom-dia. A agência não me informou de que tinham
mandado alguém.
- Bom, é que não vim mandada pela agência.
- Como assim?
