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23.12.18

FELIZ NATAL


Todos os anos era a mesma coisa: eu e minha irmã, que já estávamos dormindo, sendo acordados pelos nossos pais para irmos à Missa do Galo , onde sempre , logo no início da celebração, meu pai se lembrava de que havia esquecido alguma coisa em casa e que precisava voltar lá para apanhá-la …
ele ia e, sempre, só voltava já no final da missa …
E logo que acabava a solenidade, lá íamos nós de volta p#ra casa, cambaleando e cheios de sono … e quando chegávamos, sempre todas as luzes da casa estavam acesas e o meu pai corria na nossa frente e dizia para que nós esperássemos um pouco no portão, porque pode- ria ser algum ladrão …Mas logo depois Ele voltava , chegava na porta e dizia:
– #Papai Noel esteve aqui ! …Só pode ter sido enquanto eu fui apanhar vocês na igreja!…E olha só isso: ele deixou uma porção de presentes no fogão!…#.
E então nós corríamos e sempre encontrávamos o fogão todo enfeitado e cheio de presentes : uma bicicleta que minha irmã havia pedido na sua #cartinha# e o chão todo sujo de cocô de um pato #de verdade# que eu havia pedido ao Papai Noel e que estava lá, amarrado num dos pés do velho fogão …Sempre também tinham outros presentes que, geralmente, eram roupas e sapatos que o Papai Noel, com todos os seus conhecimentos sobrenaturais , bem sabia que nós estávamos precisando …
Êle também sempre deixava #pegadas# da sua bota no chão da cozinha, as quais iam do fogão até a janela…e elas eram brancas #como talco#, mas os nossos pais nos diziam que o trenó do Papai Noel era todo forrado com talco, para que os presentes ficassem bem cheirosos … e nós acreditávamos!
A mesa da sala também sempre estava enfeitada para a ceia, que tinha bolo , castanhas, rabanadas , passas … e também refresco de vinho-tinto com água …
Mas quase sempre a ceia só era apreciada mesmo no café da manhã do dia seguinte, porque no resto da noite de Natal nós ficávamos era brincando com os presentes …
Das melhores coisas da minha infância, ficaram na minha lembrança esses antigos natais …
Marcelo Cardoso


14.12.18

JÁCOMO E O CÂNTICO DE NATAL - ADENDA - NOTÍCIAS





Boa tarde gente do meu chão.
Estive no médico hoje. Continuo a não ver mais do que vultos no meio do nevoeiro. O médico ficou admirado diz que já devia estar a ver bem melhor, mas quando me examinou diz que eu ainda tenho o olho todo embaciado. Mandou continuar com as gotas que estava a fazer e receitou-me outras que me disse não são medicamento são apenas para ajudar a limpar o nevoeiro mais rápido. E quer ver-me de novo na próxima Quinta-feira.
Estou muito grata a todos/as os/as que me têm deixado mensagens de apoio. Bem Hajam pelo vosso carinho.





Jácome está de muito mau humor. Dentro de dias é Natal e ele não gosta do Natal. Não acredito nessa história de Deus nascer numa manjedoura… tretas! , resmunga ele para os seus botões. Batem à porta e o velho músico resmunga mais uma vez:
— O que é que se passa? — pergunta com alguma rudeza enquanto vai abrir.
— Desculpe! — responde um jovem. — Não queria incomodá-lo!
Jácome suaviza a voz e convida o visitante a entrar.
— Perdoe. Sou um velho rabugento. Em que posso ajudá-lo?
— Sou o novo padre da paróquia — explica o jovem. — Venho encomendar-lhe um cântico de Natal!
Jácome quase cai de costas: Um cântico de Natal!? Vem mesmo a calhar!, diz ele baixinho. E afinal, por que não? Neste momento nem tenho trabalho!
— De acordo! — diz ele, finalmente.
— Fico feliz — responde o padre a sorrir. — Virei buscá-lo para a Missa do Galo.
Jácome põe de imediato mãos à obra! Diante da folha branca, o pobre homem atormenta-se. Como é difícil escrever um cântico de Natal quando não se acredita em Jesus! Como é custoso cantar a alegria de Natal quando não se gosta desta festa!
Risca e torna a riscar, faz umas garatujas e deita fora dezenas de folhas. Ao fim de algum tempo, cansado, adormece em cima da secretária e começa a sonhar.
Sonha que um Anjo entra pela janela e que vem segredar-lhe ao ouvido. O Anjo fala-lhe da noite de Natal em que um recém-nascido nasceu para salvar o mundo e amar todos os homens. Murmura-lhe que aquele Menino também veio por ele, Jácome! Revela-lhe ainda a doçura de Deus que nasce discretamente numa manjedoura, para não se impor aos homens.
A dormir, Jácome sorri.
Ao acordar, a meio da noite, o velho músico pega numa nova folha.
Ei-lo que se põe a escrever, a escrever… “Vinde, adoremos este Menino! É pequeno, tão pequenino, quem diria que é o maior? Vinde, adoremos este Jesus! Vamos anunciá-Lo para sempre, veio por nós!”
Jácome não para, o seu coração transborda de agradecimento a Deus, que acaba de descobrir. Então, compõe, compõe… Sem parar. Até ao amanhecer.
Naquele ano, a Missa do Galo foi mais bela do que das outras vezes. E enquanto os fiéis cantavam o seu cântico, o velho Jácome, sentado ao fundo da igreja, rezou pela primeira vez na vida…



Christine Pedotti
24 histoires de Noël pour attendre Jésus
Paris, Mame, 2007
(Tradução e adaptação