19.4.15

MARIA PAULA - PARTE XVIII

                                 Foto da net


Dois dias depois, saciada a curiosidade dos pais, relativamente à sua comissão em Luanda, enquanto tomava o pequeno-almoço, eis que a mãe faz a pergunta que tinha entalada na garganta.
- E a tal rapariga que namoravas lá, e com quem dizias que ias casar?
- Como vos contei, a guerra estava instalada em Luanda e os pais mandaram-na para Coimbra, onde o irmão estudava. Pouco antes da partida ela acabou o namoro dizendo que não via futuro para nós.
- Uma rapariga ajuizada, filho. Vocês são de mundos diferentes. O que precisas é de uma rapariga daqui. Uma pena que a Lurdinhas, já esteja de casamento marcado. É uma excelente menina, os compadres gostam de ti, e podiam ser uma ajuda no teu futuro.
-Ora valha-a Deus, minha mãe. O meu futuro, será o que eu fizer dele. Com o meu saber e o meu talento. Sem “cunhas”, nem padrinhos.
- Será? Neste mundo quem não tem padrinhos, nunca sobe a escada da fortuna.  Mas, então o que pensas fazer? Ainda pensas em ir para Lisboa? Eu e o teu pai temos falado sobre isso. Como filho único, gostávamos de te ter por aqui perto. Braga ou Porto, talvez.
- Não sei, mãe. Agora tenho estes dias de licença. Depois tenho que me apresentar na base naval. Não sei quanto tempo ainda terei que estar lá até me darem baixa. Já fiz os quatro anos de serviço o mês passado. Depois, penso ir a Coimbra. Vou tentar encontrar a Maria Paula e ter uma conversa séria com ela. Sei que não é do vosso agrado, mas ela é a mulher que eu quero para mãe dos vossos netos, - disse levantando-se da mesa e afastando a cortina da janela, perguntou mudando o rumo à conversa:
- Que foi feito dos meus amigos? Ontem dei uma volta por aí e não vi nenhum. 
- Uns foram para a tropa e ainda não voltaram, outros fugiram de salto para a França, para não irem à guerra. E outros ainda casaram e foram viver para a cidade. Os jovens não têm amor à terra, querem uma vida melhor. Aqui só vêm de visita, para ver a família e levar alguma ajuda, que a vida nas cidades não é como aqui. Lá, compra-se tudo, da água ao sal. 


A todos um bom Domingo

12 comentários:

Edumanes disse...

Compra-se tudo da água ao sal,
porque a vida aqui era tão dura
com a ditadura em Portugal
cada qual tem a sua postura
que o Diogo, mantenha a sua atá final.

Que em Coimbra se encontre com Maria Paula,
e sejam para sempre muito felizes!

Boa tarde primaveril amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Laura Santos disse...

Como bem se vê, a Maria Paula não foi esquecida, e não tardará muito irá procurá-la em Coimbra. E que vá rapidamente, antes que alguém lhe comece a arrojar a asas...:-)
Estou a gostar da história.

Benó disse...

Obrigada Elvira pela visita ao Jardim.
Espero que a princesinha já esteja completamente restabelecida. Uma boa semana.

Carmem Grinheiro disse...

Olá, Elvira.
Ai, que a concretização do amor está difícil, amiga!
bjn

aluap Al disse...

Também sou uma que está a gostar da história.
Alguns quando regressaram a Portugal emigraram para França, espero que o Diogo não precise; estou a torcer que fique na sua terra, mas isso significa não encontrar tão cedo a sua Maria Paula.
Bj**

Rosemildo Sales Furtado disse...

O Diogo sabe que o rompimento dele com a Maria Paula foi motivado pelas adversidades impostas pela ambição e o egoísmo do homem e, com certeza, as chances de uma reconciliação é tida como certa.

Li e comentei todos os capítulos. Até o momento, além de um belo conto, beneficiei-me com uma ótima aula de história. Muito obrigado de coração pela visita e comentário deixado lá no nosso Literatura & Companhia Ilimitada

Abraços,

Furtado.

Pedro Coimbra disse...

Desertificação do interior, amores longínquos.
Realidades que conheço muito bem
Boa semana

Luma Rosa disse...

Oi, Elvira!
Que nada atrapalhe Diogo e ele possa ter com Maria Paula. Ela ficará bem feliz!
Tempos outro... Quem sabe em outra cidade não exista tanta hostilidade por parte da comunidade e eles possam somar suas diferenças?
Boa semana!!
Beijus,

Agulheta disse...

Boa tarde amiga Elvira! Vi agora a sua mensagem,tenho andado muito pouco por aqui.Os meus olhos me tem dado problemas e faço muito pouco pelo PC,estou a fazer tratamento,pensam que seja alergia vamos ver.Assim já deve poder adicionar.
Abraço

Majo disse...

~
~ ~ Vou acompanhando...

~ ~ ~ Abraço amigo. ~ ~ ~
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Silenciosamente ouvindo... disse...

Seguindo com todo o interesse esta
sua história.
Os pais sempre a quererem o impossível,
não é?
Bjs amiga e desejo que se encontre bem.
Irene Alves

manuela barroso disse...

Querendo adivinhar o recanto...não consegui
Então, embora não seguindo a narrativa, é sempre um prazer ler os encaixes que tão bem domina na disposição da história.
Sendo filho único, o que for bom para ele sê-lo-á para os pais!
Abraço Elvira!