29.11.14

ESCUTA




ESCUTA


Escuta
O murmúrio do rio
 De pedra em pedra.
 Não te parece
 Alguém
 Chorando?


Talvez seja
 O choro dorido
 das pobres mães
 A quem
 Falta a comida
 Para matar a fome
 Aos filhos.

Ou quem sabe o lamento
 Do pobre velho
 Abandonado
 Num corredor de hospital
 O corpo doente
 A alma sem forças
 Para lutar.

Ou ainda
O desespero dos jovens,
 Que dia após dia,
 Rompem solas
 E energias
 Na busca de emprego
 Engolindo a raiva
 Contra aqueles
 Que lhes roubam
 O direito ao futuro.


Escuta
 O murmúrio do rio
 De pedra em pedra
 Não te parece
 Alguém
 Chorando?


elvira carvalho

31 comentários:

✿ chica disse...

Sensibiliodade e inspiração ! Linda tua poesia! Gosto muito quando faz poesias! bjs, chica

Edumanes disse...

Para a gente a beber!
da nascente lá no monte
a correr estou a ver
a água para a fonte.

De degrau em degrau,
a água saltando
de calhau em calhau
já estou escutando!

Que não seja chorando,
como quem com fome chora
uns sem nada outros com tanto
para os pobres este mundo não melhora!

Boa noite e bom domingo amiga Elvira, um abraço.
Eduardo.

Graça Sampaio disse...

Tanta gente que chora por este país fora, Elvira!! Isto está mau de mais!!

Beijinho

Laura Santos disse...

Um belo poema, escrito por alguém que olha ao seu redor. Um poema triste sobre a realidade pungente deste país.
Um poema muito bom, Elvira.
xx

ONG ALERTA disse...

Muito linda poesia, beijo lisette

lidacoelho disse...

E todos choramos com este rio que se solta de pedra em pedra.
Choramos por tantas coisas que nos correm no olhar e por outras que dali não saem. Políticos maus provocando a fome, as guerras, o desentendimento e as injustiças...

Andre Mansim disse...

Que lindo Elvirinha! Puxa, não sabia dos seus dotes poéticos!!!!!

Rogerio G. V. Pereira disse...

Parece!, Poeta
E o murmúrio das pedras
tenta confortar o rio
verás que consegue
(já em tempos o conseguiu)

Marta Iansen disse...

Belíssimo poema.

Olinda Melo disse...


Um excelente retrato da sociedade, em forma de poesia.

Parabéns, cara Elvira.

Bj

Olinda

MARILENE disse...

A realidade não tem a beleza dos versos, infelizmente. Seu doído poema o mostra, com sensibilidade louvável. Bjs.

Pedro Coimbra disse...

Um poema dorido
Boa semana

Mariazita disse...

Um poema com uma beleza triste, que reflecte o nosso sentir.
Todos temos motivos para imitar o rio, já que a realidade que nos cerca é assustadora.. :(

Uma boa semana, minha amiga.
Um abraço
Mariazita

Mariangela disse...

Oi Elvira.
Parece que no nosso maravilhoso mundo, verdadeira obra prima e presente de Deus para todos nós, os rios choram sim.
Um grande abraço!
E uma semana abençoada.
Mariangela

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Pena que tem muito choro, pessoas que vão e vem e nada encontram no caminho, por causa das injustiças sociais.
Bela poesia cara amiga Elvira, bel reflexão poética.
Grande beijo no coração e dique com Deus.

Vitor Chuva disse...

Olá, Elvira!

É bem triste o murmúrio de muitos que habitam este Portugal, que corre não se sabe para onde...
Bem mais alegre é a imagem que a Elvira foi buscar para ilustrar aquilo que tinha em mente.
Lindo poema!

Um abraço e boa semana.
Vitor

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Poema doce, belo, pleno de significados!
O rio, por si só, já diz tanto! Adorei, Elvira!
Boa semana.
Beijos!

António Querido disse...

Escuto, vejo e sinto, meu coração que chora, porque não foi assim que idealizei um país para meus filhos e netos viverem, agora já sem armas e forças para lutar, entrego-me nas mãos do destino!
Abraço o povo português, que ama a sua Pátria e deixo a mensagem: (Não desistam).

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, poema profundo e real no momento actual, para muita gente o que interessa é estar bem sem olhar a meios, e o outros que se lixem.
AG

Donetzka Cercck L. Alvarez disse...

Elvira,amiga poeta! Que maravilha de poema! Estou extasiada! Um rio chorando,realmente. Para se meditar.

Muito obrigada pela visita a meu cantinho.

Beijos e uma semana de alegrias

Donetzka

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Nilson Barcelli disse...

Não me lembro de ter lido poemas teus.
Por isso, foi uma surpresa chegar aqui e ver poesia feita por ti.
Mas, para aumentar ainda muito mais essa minha surpresa, deparo-me com um EXCELENTE poema. Parabéns pela forma e pelo conteúdo. És mesmo poeta.
Querida amiga Elvira, tem uma boa semana.
Beijo.

Paulo Cesar PC disse...

Poema tocante, querida Elvira. Um beijo no seu coração.

lis disse...

Linda poesia Elvira, foi muito feliz !!
_ ' o murmúrio do rio batendo nas pedras ... linda metáfora!!
Pena que com a mudança para o google+ nao sei se vou conseguir comentar.
Já andei pelo seu blog de fotos e deixei comentario lá no blog do Santa Cruz ( não entendo bem o sistema novo que o blogguer imprimiu)
um abraço grande

esteban lob disse...

No hay que llorar más, amiga Elvira. Se compuso la posibilidad de comentar.

Silenciosamente ouvindo... disse...

Um poema que muitos deviam ler. Muito actual.Infelizmente.
Amiga, lamento o que lhe aconteceu na Igreja de A.V.
Não tem qualquer lógica.Foi alguém a "armar-se em importante"
nas inadequadamente.
Desejo que se encontre bem.
Bj.
Alhos Vedros

Cesar S. Farias disse...

A decoração temática do SEXTA- FEIRA está simplesmente sensacional.

De coração, um Feliz Natal

Emília Pinto disse...

O teu rio chora, Elvira e com ele choram muitos portugueses onde o pão falta. Trabalho como voluntária na loja social de Famalicão; ontem chegaram alimentos, mas hoje de manhã praticamente acabaram. E o que levam as pessoas lá enviadas pela assistente social? Um saquinho de alimentos que, dependendo do número de bocas só dá para uma refeição. Não podemos dar mais, para ver se conseguimos que cada um leve um pouco. Claro que a camara podia comprar mais alimentos, pois gasta onde não é preciso, mas o certo é que não faz isso e dá dó ver as pessoas irem para casa sem nada, às vezes durante um mês inteiro; levam roupas e outras coisas doadas, mas a barriga continua vazia. Enfim...os rios vão continuar a chorar muito e neste Natal o caudal vai aumentar de tantas lágrimas , pois a mesa vai continuar vazia para muitos. Parabéns, Elvira pela bela poesia. Um beijinho.
Emília

Zé Povinho disse...

Se estivermos atentos veremos que ao nosso redor há muita dor e muitas dificuldades que muitas vezes nos passam despercebidas...
Abraço do Zé

AC disse...

Não nos podemos alhear do que nos rodeia.
Um aplauso para a sua alma sensível, Elvira!

Um beijo :)

vendedor de ilusão disse...

Antes de tudo, antes de deixar-te minha impressão sobre o encantador poema, quero dizer-te que adorei o banner do blog; o presépio é de uma singeleza elogiável; ficou lindo para uma época como está.

Fátima Pereira Stocker disse...

Elvira

Sensibilidade e atenção ao mundo que nos rodeia - eis o que ressalta do seu poema. Obrigada pela partilha.

Tenho andado sem tempo, desculpe-me a ausência.

Um bejo