17.2.12

MANUEL OU A SOMBRA DE UM POVO - PARTE XI



Espanha entra em 1939, praticamente dividida ao meio, com a Catalunha isolada do resto do país. Em Janeiro as tropas do General Franco, cujo maior trunfo foi saber congregar ao seu redor a direita, forte e unida, invade Barcelona. A esquerda, demasiado dividida em breve era derrotada.
Por esses dias morre o Papa Pio XI e o cardeal romano Eugénio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli foi o eleito para o lugar, no dia 2 de Março de 39. Escolheu o nome de Pio XII.
Em Abril desse ano, a guerra civil espanhola chegou ao fim. Quase meio milhão de mortos, campos e cidades destruídos.
Manuel vai fazer nesse mês 21 anos e está a cumprir tropa em Campolide, no Batalhão de Caçadores 5. Laurinda, já tem dois filhos, mas Manuel nunca mais viu a irmã e ainda não conhece os sobrinhos.
No cinema Vivien Leigh e Clark Gable dão uma lição de interpretação no filme “E tudo o vento levou”. Scarlett O’Hara e Rehtt Butler ficarão para sempre na memória dos amantes da sétima arte.
Cármen Miranda a portuguesa que o Brasil adotou e transformou numa grande estrela,  parte para Nova Iorque.
E em Lisboa realiza-se o 1º congresso da Mocidade Portuguesa.
 Depois de ter invadido a Checoslováquia em Março, Hitler decide invadir a Polónia, o que acontece em Setembro desse mesmo ano. É o pretexto para a Inglaterra e a França, declararem guerra à Alemanha. Começava assim a Segunda Guerra Mundial.
Tropas russas invadem a Polónia oriental, e anexam essa parte da Polónia, ficando assim o País dividido. A parte industrial ficou para a Alemanha, os campos para a URSS.
Morre Sigmund Freud, o pai da psicanálise.
A aviação russa bombardeia Helsínquia.
Em Munique, Hitler é alvo de um atentado à bomba.
 Enquanto isso em Lisboa Amália, inicia a sua carreira de fadista no retiro da Severa, e no quartel em Campolide, Manuel faz amizade com o Zé Varandas, também "magala". Uma amizade que iria perdurar por toda a vida, e que embora ele não o imaginasse na altura, iria ter uma grande influência nela.
O ano de 1940 foi muito complicado. Não só por tudo o que aconteceu na realidade, como por aquilo que se temeu poder vir a acontecer. A Segunda Grande Guerra tinha sido declarada e em Janeiro, já havia racionamento de manteiga açúcar e bacon na Inglaterra. Mas isso não era nada comparado com o que veio depois.
A Finlândia não consegue resistir muito tempo, ao exército soviético e acaba por capitular.
A Alemanha desembarca em Tromso, e ocupa Narvik, Bergen e Oslo. E enquanto os aliados planeiam defender a Noruega, a Alemanha invade e ocupa a Dinamarca.
E se em Março, a Inglaterra derrota a Alemanha na batalha naval de Narvik, na Noruega, em Maio, numa operação relâmpago a Alemanha invade a Bélgica, Holanda, Luxemburgo e França. Maastricht, na Holanda, e Malmédy, na Bélgica ficam em poder dos alemães.
Churchill é escolhido para primeiro-ministro, pelo Partido Conservador, e forma um governo de salvação nacional.
Enquanto isso, o Governo Português, e Pio XII assinam a Concordata, que dá à Igreja vários privilégios, e se compromete a restituir os bens que lhe pertenciam antes da primeira república, e que esta lhes tinha tirado.
Liège é tomada pelos alemães, e Roterdão também.
Salazar discursa sobre os “Problemas político-religiosos da Nação Portuguesa e do seu Império”, na sessão da Assembleia Nacional, na qual são aprovados a Concordata e o Acordo Missionário.
Começa a evacuação de Dunquerque, e Lille cai em poder do exército alemão.
No Castelo de Guimarães, realiza-se a cerimónia de abertura das “Comemorações do Duplo Centenário da Formação da Nacionalidade e da Restauração”
Enquanto isso, Dunquerque cai em poder dos alemães.
O exército alemão lança uma ofensiva em território francês e depois da batalha de Somme avança em direção a Dijon. 
A Itália comandada por Mussolini, aliado de Hitler, declara guerra à França, e o Egipto declara guerra à Alemanha e Itália.
 É divulgada a declaração conjunta de neutralidade dos governos portugueses e espanhol, sendo afirmado pelo governo de Salazar a «estrita neutralidade».
O governo francês muda-se para Bordéus, e pouco depois o exército alemão entra em Paris.



Nota: Os factos históricos foram pesquisados na net, em enciclopédias e nos livros "O Século do Povo" da ediclube. Tentei ser o mais rigorosa possível, restringindo-me claro aos factos mais importantes para não tornar esta história interminável.  


Próxima postagem a 21 

BOM FIM DE SEMANA

15 comentários:

Mariangela disse...

Boas noite Elvira!
Que relato maravilhoso! Estou gostando muito de acompanha-lo,
escreve muito bem!
Um beijo
Mariangela

BRANCAMAR disse...

Querida Elvira,

Passei e vejo que tem reposto a História do Manuel, reconheci-a, mas ao rever para tràs percebi que a refez.Volatarei para a reler na nova versão.

Deixo beijinhos e saudades.
Branca

Luís Coelho disse...

O meu pai dizia-nos que a vida é uma escola onde se aprende e se vive de tudo. É preciso agarrar as oportunidades.
Na nossa sociedade existem muitos Manueis, anónimos, simples mas com muita coragem de lutar e vencer.

manuela barroso disse...

Olá Elvira,
Uma pesquisa aturada e muito bem estruturada para ser mais envolvente.Parabéns.
Abraço

Zé Povinho disse...

O Manuel e a Laurinda viveram em tempos conturbados, e com muita pobreza cá dentro.
Abraço do Zé

BlueShell disse...

E...claro...salazar e a "neuralidade"!
E o Manuel?

Estou ansiosa...
Bj e um excelente domingo, querida.

São disse...

A primeira vez que vi "E Tudo o Vento levou" foi no dia em que morreu um garoto por causa de uma bomba ...e esta situação nunca foi muito bem explicada.

Alegre Carnaval lhe desejo, amiga

aflores disse...

Recordar, não esquecer e desejar que não volte a acontecer.

Tudo de bom.

Georgia disse...

Elvira querida, tudo bem por ai?

Está fazendo muito frio em Portugal?

Por aqui sim.

Legal que vc preservou os fatos históricos gostei de saber.

Boa semana pra ti


Bjao

Fátima Pereira Stocker disse...

Elvira

O Manuel estava, certamente, a dar os primeiros passos no conhecimento da política mundial. As notícias da guerra, embora censuradas, iam chegando aos jornais. Que pensaria ele ao cotejar a nossa pasmada neutralidade com os abanões que sacudiam a Europa?

Fico à espera.

Beijos

Fernanda disse...

Como já percebeu, amiga, não consigo ter a leitura em dia ^^
Vou lendo e do que leio, gosto.
Gosto do conto e da constante referência à História.

Parabéns

Abraço

Graça Pereira disse...

Querida Elvira
Uma aula de História profunda, numa busca aturada que fizeste e um óptimo resumo dos pontos mais essenciais. Fico a cogitar que, afinal, tudo isto...foi apenas "ontem"!! Só sabemos evoluir com guerras?
Beijo e parabéns.
Graça

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Essa narrativa, me fascina, Elvira. Tanto pela vida de Manuel, como pela contextualidade na História Mundial.

Pela época, em que está a narração, estou perto de "nascer" :1942.

À cada capítulo, mais interessante e empolgante fica, seu tão bem pesquisado e fundamentado texto.

Um abraço,
da Lúcia

Duarte disse...

Excelente trabalho. Mais bem diria uma lição de historia bem elaborada.
Um grande abraço

Nilson Barcelli disse...

Foram tempos de grande perturbação social, e a fome espreitava em cada lar...
Beijo, querida amiga.