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20.5.23
PORQUE HOJE É SÁBADO
16.5.23
POESIA ÀS TERÇAS - ANTÓNIO RAMOS ROSA - É POR TI QUE VIVO
É por Ti que Vivo
Amo o teu túmido candor de astro
a tua pura integridade delicada
a tua permanente adolescência de segredo
a tua fragilidade acesa sempre altivaPor ti eu sou a leve segurança
de um peito que pulsa e canta a sua chama
que se levanta e inclina ao teu hálito de pássaro
ou à chuva das tuas pétalas de prataSe guardo algum tesouro não o prendo
porque quero oferecer-te a paz de um sonho aberto
que dure e flua nas tuas veias lentas
e seja um perfume ou um beijo um suspiro solarOfereço-te esta frágil flor esta pedra de chuva
para que sintas a verde frescura
de um pomar de brancas cortesias
porque é por ti que vivo é por ti que nasço
porque amo o ouro vivo do teu rosto.
ANTÓNIO RAMOS ROSA
Primeira semana de tratamento completa. Estou bem melhor, mas ainda vou continuar a resguardar os olhos de esforços. Até breve.
11.5.23
INFORMANDO
Bom Amigos, peço desculpa ainda não ter dado notícias, mas o médico praticamente me proibiu o pc. , pois me deu duas semanas de tratamento intensivo, triplicando a dose das gotas que já fazia, e receitando mais Bromofenac, e Opticol. Além disso disse-me que na primeira semana apenas 10 minutos diários para leituras e computador. Quando não estou a pôr gotas estou de olhos fechados. Agradeço o vosso carinho e informo que volto logo que me sinta melhor.
Até Breve
9.5.23
POESIA ÀS TERÇAS - PABLO NERUDA - A INFINITA

A Infinita
Vês estas mãos? Mediram
a terra, separaram
os minerais e os cereais,
fizeram a paz e a guerra,
derrubaram as distâncias
de todos os mares e rios
e, no entanto,
quando te percorrem
a ti, pequena,
grão de trigo, calhandra,
não conseguem abarcar-te,
fatigam-se ao agarrar
as pombas gémeas
que repousam ou voam no teu peito,
percorrem as distâncias das tuas pernas,
enrolam-se na luz da tua cintura.
Para mim tu és tesouro mais rico
de imensidade do que o mar e seus cachos
e és branca e azul e extensa como
a terra nas vindimas.
Nesse território,
desde os pés à fronte,
andando, andando, andando,
passarei a vida.
PABLO NERUDA
Amigos, se amanhã não houver post novo, não se assustem. Há três dias que tenho muitas dores nos olhos, não queria parar, mas não sei se não terei de fazê-lo. Vou hoje ao oftalmologista.
8.5.23
CICATRIZES DA ALMA - PARTE XLIV
Na quinta, Tiago conversava com os pais na grande cozinha, onde eles decidiram que deveriam jantar, por ser mais acolhedora do que a sala de refeições, ter suficiente espaço, e evitar dar trabalho aos dois empregados que passariam a consoada com eles. De resto o doutor Azevedo, e a esposa só se juntariam a eles no dia seguinte para o almoço, já que a consoada, a passariam em casa de filha.
- Confesso que estou muito contente, com a tua evolução, - dizia naquele
momento Armindo, o pai do jovem. – Da última vez que aqui estivemos,
correste connosco de um jeito que a tua mãe chorou o tempo todo.
-Desculpa, pai. Eu sei que não me portei muito bem convosco, mas a falar
verdade, o meu desespero era tão grande, sentia-me tão revoltado, que a única
coisa que desejava era que me deixassem sozinho até que a natureza fizesse a
sua parte e eu deixasse de sofrer. Na verdade, mentalmente eu amaldiçoava os
médicos, que tanto se esforçaram para me fazer viver.
-Um homem nunca deve perder a esperança, filho. Já te olhaste ao espelho? O
teu corpo está bem mais forte, e com a continuação dos tratamentos tenho a
certeza de que voltarás a andar. Depois ficarão apenas as cicatrizes, para
recordar-te o que te aconteceu e para te lembrar que não é preciso ires para
sítios longínquos, onde a paz está tão ausente como o alimento, para ajudares
os outros. Aqui no nosso país, há infelizmente muita gente que tem de escolher
entre a saúde e a comida.
-Além disso, - acrescentou a mãe, voltando-se para o filho, mostrando que estava
atenta à conversa embora os dois pensassem, que estava distraída com a conversa
da empregada. Está na hora de arranjares uma boa rapariga, e formares o teu
lar. Quando somos jovens pensamos sempre que o tempo passa devagar demais para
os nossos desejos. Não é verdade, a vida é curta, passa a correr e quando deres
por isso estás demasiado velho para formares um lar.
-Vamos deixar essa conversa de casamento para outro dia, -protestou o
jovem.
- Eu sei que sofreste um desgosto com a Sandra, mas nem todas as mulheres
são tão frívolas e egoístas como ela. A tua enfermeira por exemplo, é uma
mulher muito interessante e segundo o teu tio é uma ótima profissional e uma excelente
moça.
- Mãe, em primeiro lugar, uma boa profissional não se envolve com o seu
doente. É eticamente incorreto. Segundo, a Anabela tem tantas ou mais cicatrizes que eu para curar. E,
como deves saber as Cicatrizes da alma, não desaparecem nas mãos de qualquer
cirurgião plástico. Terceiro, acho que está na hora de me recolher, a noite vai
longa e a cadeira de rodas não é o assento mais confortável do mundo.
-Sei. Tu queres é fugir da conversa. Mas tudo bem, não volto a falar do
assunto, todavia não posso prometer que não voltarei a ele. O meu maior
desgosto será chegar ao fim dos meus dias e saber que vou partir e te deixo
sozinho.
-Por favor, querida. Hoje não é noite para falar de partidas. Vamos falar
de coisas alegres, ou recolher à cama se o cansaço começa a tomar conta de nós.
-Boa noite a todos, - despediu-se Tiago enquanto dava a volta à cadeira e
se dirigia para o quarto seguido pelo Joaquim.
7.5.23
DIA 7 DE MAIO - DIA DA MÃE
Festeja-se hoje o dia da mãe. Não, não vou falar da origem do dia da mãe, que já todos conhecem, e se alguém não souber, o dr. Google conta-lhe como foi. Vou apenas desejar a todas as mães do mundo, (e se não faço exceções, é porque as outras, aquelas que abandonam ou matam os filhos, não as considero como tal. São aberrações da natureza, a que me recuso chamar de mães,) um dia muito feliz junto dos seus filhos.
E queria lembrar aos filhos, que mãe é profissão sem reforma, que se adquire no momento em que o médico informa a mulher que ela está grávida, até ao último suspiro da sua vida. Não o é apenas no Natal, ou no dia da mãe. E que não vale a pena gastarem muito dinheiro numa prenda toda xpto. Salvo raras exceções, o que a mãe deseja do seu filho, é um abraço, um beijo, um afago no rosto, um sorriso. Algumas se contentavam apenas em receber um telefonema, a perguntar se estão bem.
E não apenas hoje, mas sim, todos os dias do ano.6.5.23
5.5.23
CICATRIZES DA ALMA, PARTE XLIII
- É simpático da parte dele, tanto mais que o tempo que anda de casa em
casa é tempo que rouba à família, - disse Anabela
-O Ricardo não tem família, foi criado num orfanato, - respondeu Diogo. É
um ótimo rapaz e gosta de ver a alegria das crianças ao receberem as prendas. E
na empresa todos gostamos muito dele. Vive num quarto, que o Pedro lhe cedeu
gratuitamente a troco de ele lhe tomar conta da casa, quando tem de se ausentar. E
nesta época, como o Pedro vai para a terra passar o Natal com os pais, nós
combinamos fazer um sorteio e todos os anos o Ricardo passa o Natal com um de nós.
A minha casa era a última da lista. Agora vai mudar de roupa e vai para a
casa do Elísio, com cuja família passará o Natal este ano. É um rapaz atinado,
põe de parte todo o dinheiro que pode, a fim de poder alugar uma casa. Qualquer
dia arranja uma namorada e casa-se, pois segundo diz o maior sonho dele é ter
uma família.
Olhem a Patrícia- disse mudando de conversa e chamando a atenção para a
filha que no chão, no meio de vários brinquedos e papeis rasgados enfrentava
uma luta entre o sono que lhe ia fechando os olhitos e a vontade de continuar a
brincar.
-Não está acostumada a deitar-se tarde, - disse Paula levantando-se. Vou
deitá-la. Vens comigo?
-Claro, - respondeu Anabela, levantando-se também.
Paula pegou na filha ao colo e seguiu para o quarto dela, seguida da amiga.
Mais tarde, depois de terem deitado a pequena Patrícia, e se terem juntado
a Diogo na sala, Paula disse à amiga:
-Então conta-nos lá, como vai a tua luta com o doutor casmurro.
-Não há muito que contar. Depois de algumas batalhas verbais, a nossa
relação doente-cuidadora entrou nos eixos.
- E como é ele como pessoa? Não me refiro ao moral, que um homem que tem
saído do seu conforto para cuidar dos desvalidos da sorte, tem por força que
ser boa pessoa. Refiro-me ao físico. É bonito, feio, ou …
-Não estou lá para lhe admirar a beleza, ou a falta dela, mas para ajudá-lo
a andar de novo…
-Sabemos disso! Mas tens olhos na cara, não acredito que tenhas perdido a
capacidade de admirar um homem.
-Depois do que sofri com o Óscar, tenho pouca vontade de admirar a beleza
masculina. E quando cheguei, ele estava tão magro, tão magro que fazia
aflição e no rosto a barba grande não dava para ver grande coisa, além de uns
olhos, que apenas mostravam dor, desespero e vontade de desistir da vida.
Com pouca vontade de continuar a
falar sobre o doente, Anabela levantou-se dizendo:
-Estou cansada. Vamos trocar as prendas, e se não se importam vou dormir.
-Mas, se ainda não tocaste nas filhoses nem em qualquer outro doce! –
protestou a amiga.
-Fica para amanhã. Não me apetece nada a não ser um chá, - disse
encaminhando-se para a árvore a fim de recolher os presentes que trouxera, para
dar ao casal.
4.5.23
PORQUE ME APETECE
Esse vídeo ganhou o prêmio de melhor ensaio fotográfico, um verdadeiro show de montagem e criatividade!!! Obrigado Joaquin
3.5.23
CICATRIZES DA ALMA - PARTE XLII
Eram quase sete horas quando Anabela chegou a casa de Paula carregada de embrulhos, quase tudo roupas e brinquedos para a sua afilhada, que entregou a Diogo quando ele abriu a porta dizendo:
- Tenho de voltar ao carro buscar a mala e o resto dos embrulhos.
-Entra. Está muito frio na rua. A Paula está a dar banho à Patrícia e eu
vou só pôr isto debaixo da árvore e já vou buscar o que te falta.
A jovem aguardou que ele pousasse os embrulhos e entregou-lhe as chaves do
carro dizendo-lhe:
-Vou ter com as meninas.
- No quarto da afilhada, Paula acabara de vestir a menina com um bonito
pijama vermelho, que exibia um barbudo Pai Natal na parte de cima e dezenas de
renas, nas calças.
-Olha, mãe a madrinha chegou, - disse a criança saindo a correr para os braços
de Anabela que a ergueu do chão e lhe cobriu a carinha mimosa de beijos,
perante o ar sorridente da mãe.
- Meu Deus, Paula como ela cresceu durante este mês! E já diz madrinha
corretamente.
- É verdade! As crianças nestas idades surpreendem-nos todos os dias. E tu
como estás?
Anabela pousou a criança no chão e abraçou a amiga. Só depois respondeu:
-Vai-se vivendo.
-Anda, o jantar está pronto, vamos jantar. Depois de deitar a Patrícia temos
a noite toda para pôr a conversa em dia. Tens sido uma amiga má. Os teus emails
só pedem notícias e dizes que estás bem, mas nunca falas do doente, nem de como
ele tem evoluído.
Enquanto as duas se dirigiam à cozinha para levar o jantar para a mesa, na
sala, Diogo impedia a filha de começar a rasgar os embrulhos que estavam
debaixo da iluminada árvore. Pouco depois Anabela dava a sopa à afilhada,
seguida de um puré de batata e cenoura com pequenas lascas de bacalhau a que
foram cuidadosamente retiradas todas espinhas. Só depois da pequenita ter
comido, os adultos iniciaram a refeição que decorreu em ambiente de sã amizade
e camaradagem.
Depois do jantar, as duas amigas levaram a loiça suja para a cozinha, e voltaram
a pôr a mesa com diversos pratos de iguarias tradicionais, entre as quais o
famoso bolo-rei, o arroz-doce, os sonhos e filhoses, bem como os frutos secos,
figos, nozes, amêndoas e outros.
Tinham acabado de pôr a mesa, quando a campainha tocou.
- Quem será? – perguntou Anabela, enquanto Diogo pegava a filha ao colo e
se dirigia para a porta.
-É o Pai Natal, - respondeu a amiga rindo.
E na verdade, Diogo regressava com a figura do simpático velhinho, perante
o olhar admirado de Anabela.
- Ô-Ô-Ô. Que linda menina temos aqui. Sabes quem eu sou? Eu sou o Pai
Natal. Vim trazer um presente que me esqueci de deixar a noite passada debaixo
da árvore e dizer que assim que eu sair já podes abrir os eus presentes, -
disse estendendo-lhe uma caixa que a criança aceitou os olhos brilhando de
alegria.
O Pai Natal despediu-se em seguida dizendo que ainda tinha muitos presentes
para entregar, e Diogo acompanhou-o à porta, despedindo-se dele com um abraço
de agradecimento. Logo voltou para a sala, separando os presentes para a filha
e colocando na sua frente para que ela abrisse.
Na cozinha, Anabela perguntou:
-Quem era?
-Um colega do Diogo. Veio entregar o presente da firma. Como é solteiro é o
encarregado de manter vivo a figura do Pai Natal para os mais pequenitos. Já o
fez o ano passado, mas na altura estiveste de serviço no hospital.





