E chegou a véspera de Natal. Estavam na casa dos tios de Quim. Sofia e a tia Délia estavam na sala, os homens na cozinha preparando as iguarias para a ceia. A empregada, punha a mesa. Desde que adoecera, Sofia não voltara aquela casa, e preocupou-se com o ar da tia Délia. Estava cada vez mais débil. Mas continuava conversadora e simpática.
- Pareces
muito bem, para quem esteve tão doente. É uma vantagem da juventude. A
recuperação é sempre fácil e total. E como vai o teu casamento? O Quim tem-se
portado bem contigo?
Sem saber
bem o que a velha senhora queria dizer, e não querendo falar da sua vida
intima, apressou-se a responder.
- Ó sim.
Vai tudo muito bem.
- Folgo
em saber isso, minha filha. Confesso que já senti remorsos da forma como o obrigamos a casar. Mas ele andava todo enrabichado com aquela serigaita da Joana e se não tomássemos uma atitude acabava por fazer uma asneira que lhe ia
dar cabo da vida.
Era a
primeira vez que a senhora falava do assunto. Fez de conta que não sabia de
nada. A senhora continuou:
- Sabes
que já depois de casado ela ainda o andava a rondar? Apareceu algumas vezes no
restaurante. E pedia sempre para cumprimentar o chefe. Para o obrigar a ir à
mesa. Na última vez ficou frustrada quando o meu marido se apresentou na sua
frente. E não voltou a aparecer.
