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- Que aconteceu Isabel? – Perguntou-lhe a
amiga. Estás a tremer.
- O Luís, - murmurou
- O Luís? – Admirou-se a amiga - Mas o que é que tem
o Luís?
- É ele.
- Ele quem, mulher? O escritor?
Acenou com a cabeça, os olhos marejados de
lágrimas.
Virando-se para o companheiro Amélia disse:
- Afonso por favor volta para lá. Nós vamos
tomar qualquer coisa ali na pastelaria em frente e já lá vamos ter.
- Não se preocupem. Eu vou. Afinal de contas
ainda não tenho o autógrafo do autor.
Quando ficaram sós, Amélia disse.
- Não fiques assim. Deve haver uma
explicação.
- Claro que há. Servi de cobaia ao escritor
da moda. Quem sabe até devia sentir-me honrada, - disse com amargura.
- Como tu sofres Isabel. Sabia que
estavas apaixonada, mas não pensei que fosse um sentimento tão intenso.
-Como é que eu ia adivinhar? Se nunca tinha
visto nenhuma fotografia dele? E depois parecia tão sincero, era tão
convincente, que pelas suas palavras fui alimentando sonhos e sentimentos. Só
mentiras. Estou destroçada. Por favor Amélia, leva-me a casa. Quero ficar
sozinha.
- Claro. Vou ligar ao Afonso. Levo-te a casa
e volto depois. Quero ver melhor esse homem.
Mas quando meia hora depois
voltou, Afonso já se encontrava cá fora com o livro autografado, e não teve
ensejo de rever o escritor.
