Finalmente chegou a festa de encerramento do período. Ao longo do dia havia várias atividades, que começavam de manhã pelo torneio de futebol, entre pais e filhos, seguido de uma corrida de sacos, apenas para as crianças. Depois do almoço, havia uma pequena peça de teatro, em que participavam alunos e professores, e por fim um trecho musical dançado por algumas alunas, ensaiadas por uma das professoras. Paulo combinara ir ter à escola, e Martim junto ao portão de entrada, estava tão ansioso por ver a moto do amigo que não se apercebeu da chegada de Paulo senão quando ele estava já ao pé de si.
- Olá campeão, - cumprimentou ele acariciando-lhe a cabeleira
revolta.
- Não vi a moto. Já pensava que não vinhas.
- Eu cumpro sempre as minhas promessas, - disse voltando-se para
Amélia e saudando-a com um breve beijo no rosto. – Vamos entrar?
Entraram para o pátio, onde já se encontravam alguns
professores, bem como os alunos e respetivos familiares, aguardando a hora
habitual de fecho dos portões para darem início às atividades desse dia.
- Onde deixaste a moto?- perguntou a criança.
- Vim de carro. Está no parque, junto do vosso.
Voltou-se para Amélia.
- Estás muito calada! – Disse num sussurro. Passa-se
alguma coisa?
- Não. O Martim estava tão ansioso pela tua chegada que
acabou por me por nervosa.
- Pois eu gostaria que partilhasses da ansiedade dele.
Tens levado a semana a inventar desculpas para não nos vermos.
- Não é verdade. Foi mesmo uma semana muito complicada.
Um dos professores pediu a atenção dos presentes e a
conversa foi interrompida.
Meus senhores, os meninos e familiares que vão entrar no
torneio, dirijam-se aos balneários do Ginásio para mudarem de roupa. Os
restantes sigam para a retaguarda do edifício onde se irá realizar o torneio e
tomem assento nas bancadas ali existentes.
- Até logo, mãe - despediu-se Martim dando a mão a Paulo
e dirigindo-se para o Ginásio. - Já sei que vais casar com a mãe, -disse
baixando a voz, para que mais ninguém o ouvisse. Fiquei muito contente. Gosto
muito de ti, sabes?
Paulo sentiu uma grande emoção. Voltou a passar a mão
pela cabeça do menino numa carícia que parecia ser habitual nele, e disse com
voz rouca embargada pela comoção.
- Eu também campeão. Eu também gosto muito de ti.
Pouco mais tarde, os dois empenhavam-se alegremente em
mostrar os seus dotes de expert de futebol, em jogadas que por vezes se
tornavam hilariantes. No final houve empate de três a três entre a equipa que
eles representavam e a rival. Todos foram cumprimentados pelo diretor escolar e
depois regressaram aos balneários para um duche e mudança de roupa. Quando se
juntaram a Amélia na bancada, já uma professora chamava as crianças que iam
participar na divertida corrida de sacos.
- Viste o meu golo, mãe?– Perguntou Martim
-Claro que vi, filho. Estiveste muito bem.
- É um campeão, o nosso Martim, - disse Paulo apertando
suavemente a mão de Amélia.
