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6.2.18

A VIDA É... UM COMBOIO - PARTE XXX



Finalmente chegou a festa de encerramento do período. Ao longo do dia havia várias atividades, que começavam de manhã pelo torneio de futebol, entre pais e filhos, seguido de uma corrida de sacos, apenas para as crianças. Depois do almoço, havia uma pequena peça de teatro, em que participavam alunos e professores, e por fim um trecho musical dançado por algumas alunas, ensaiadas por uma das professoras. Paulo combinara ir ter à escola, e Martim junto ao portão de entrada, estava tão ansioso por ver a moto do amigo que não se apercebeu da chegada de Paulo senão quando ele estava já ao pé de si.
- Olá campeão, - cumprimentou ele acariciando-lhe a cabeleira revolta.
- Não vi a moto. Já pensava que não vinhas.
- Eu cumpro sempre as minhas promessas, - disse voltando-se para Amélia e saudando-a com um breve beijo no rosto. – Vamos entrar?
Entraram para o pátio, onde já se encontravam alguns professores, bem como os alunos e respetivos familiares, aguardando a hora habitual de fecho dos portões para darem início às atividades desse dia.
- Onde deixaste a moto?- perguntou a criança.
- Vim de carro. Está no parque, junto do vosso.
Voltou-se para Amélia.
- Estás muito calada! – Disse num sussurro. Passa-se alguma coisa?
- Não. O Martim estava tão ansioso pela tua chegada que acabou por me por nervosa.
- Pois eu gostaria que partilhasses da ansiedade dele. Tens levado a semana a inventar desculpas para não nos vermos.
- Não é verdade. Foi mesmo uma semana muito complicada.
Um dos professores pediu a atenção dos presentes e a conversa foi interrompida.
Meus senhores, os meninos e familiares que vão entrar no torneio, dirijam-se aos balneários do Ginásio para mudarem de roupa. Os restantes sigam para a retaguarda do edifício onde se irá realizar o torneio e tomem assento nas bancadas ali existentes.
- Até logo, mãe - despediu-se Martim dando a mão a Paulo e dirigindo-se para o Ginásio. - Já sei que vais casar com a mãe, -disse baixando a voz, para que mais ninguém o ouvisse. Fiquei muito contente. Gosto muito de ti, sabes?
Paulo sentiu uma grande emoção. Voltou a passar a mão pela cabeça do menino numa carícia que parecia ser habitual nele, e disse com voz rouca embargada pela comoção.
- Eu também campeão. Eu também gosto muito de ti.
Pouco mais tarde, os dois empenhavam-se alegremente em mostrar os seus dotes de expert de futebol, em jogadas que por vezes se tornavam hilariantes. No final houve empate de três a três entre a equipa que eles representavam e a rival. Todos foram cumprimentados pelo diretor escolar e depois regressaram aos balneários para um duche e mudança de roupa. Quando se juntaram  a Amélia na bancada, já uma professora chamava as crianças que iam participar na divertida corrida de sacos.
- Viste o meu golo, mãe?– Perguntou Martim
-Claro que vi, filho. Estiveste muito bem.
- É um campeão, o nosso Martim, - disse Paulo apertando suavemente a mão de Amélia.

16.9.09

COMEÇO DAS AULAS

Para quem esperava ver a reportagem da inauguração do monumento peço desculpa, mas como muitos sabem eu não pude ir pelas mesmas razões que me impedem de me ausentar. Espero em breve mostrar fotos do referido monumento, bem como falar um pouco do pintor, que alguns disseram não conhecer. Agora, porque esta semana começaram as aulas, gostaria que lessem o texto abaixo e tomassem conhecimento da angústia que neste momento grassa entre milhares de professores, e que saibam o que é a politica de sucesso na educação desta ministra. Sem mais comentários...


Concursos, Colocações, Ofertas de Escola e Bolsa de Recrutamento

Este post serve para que os não professores tenham uma pequena (e será sempre pequena) ideia do sofrimento e exaustão mental a que este Ministério expõe os professores desde o final do ano lectivo passado.
Já passámos por duas fases diferentes de concurso. Na primeira fase entraram aqueles professores que fazem parte dos quadros e pouco mais. Na segunda entraram os restos dos quadros e alguns (poucos) contratados.
Claro que tudo isto aconteceu sem datas e sem qualquer conhecimento de número de vagas. Desde o ínicio de Agosto que andamos nisto. E agora, para facilitar mais o suicídio, chegou uma nova forma de concurso: a Bolsa de Recrutamento. Aliás, mentira. Segundo o Valter Lemos, esse iluminado da Educação, no dia 31 de Agosto eram colocados 5500 professores em Bolsa de Recrutamento. Pois...tal não aconteceu. Ah, e que a Bolsa começava a receber horários de escolas no dia 1 de Setembro. Pois...tal não aconteceu.
Soube através de um fórum de professores que, afinal, a Bolsa começava a dia 7. Pois...aconteceu...a partir das 16h. O que invalidou o primeiro dia. Ah, e que os primeiros resultados saíam hoje (dia 9). Pois...tal não aconteceu. Para além disso, deixou de haver listas para que possamos acompanhar a nossa evolução (ou saber se existem colocações com factor C). Conveniente. Ou seja, enquanto a Bolsa durar, pelo que eu sei, todos os candidatos na Bolsa atrás de mim podem ficar colocados e eu ficar em casa a dar em maluco. Assim decidiu o Ministério, que achou ser melhor escurecer o processo em vez de o deixar às claras.
Para além disso, temos as Ofertas de Escola. Encarem isto como uma candidatura a um emprego. Mandam uma proposta com o vosso currículo (neste caso com médias e graduações) e nunca chegam a saber quem entrou, se estava atrás de vós nos concursos. Nada. Novamente, um processo escurecido pelo Ministério, pois no ano passado, em todas as ofertas de escola mandavam um mail a dizer que não tínhamos sido seleccionados e quem tinha sido. Para além disso, são as Escolas que escolhem os critérios a serem pedidos na escolha de professores. Por exemplo, já vi uma escola que tinha um critério giro: ser Bombeiro Voluntário na localidade em questão. Ora, ser Bombeiro, como todos sabem, é essencial para ser professor. Ou isso, ou alguém queira colocar um primo numa escola. Uma de duas.
Agora que já vos fiz um resumo (e garanto que isto é a versão resumida dos concursos) imaginem o que me irrita ver os paizinhos a concordarem com a Ministra, afirmando que a culpa do estado do ensino é dos professores, que são bem pagos demais e não fazem nada. Imaginem o que me irrita o silêncio dos sindicatos nesta altura, em que só os contratados lutam, e esses não têm poder para os eleger, nem para lhes dar tacho. Imaginem o que me irrita o silêncio dos meios de comunicação social, que se preocupam com a cor das cuecas do Ronaldo, mas não se preocupam com uma situação que afecta 50000 portugueses.
Agora, imaginem o que é viverem agarrados a um telefone há mais de 9 dias à espera de um contacto de uma escola. Imaginem o que é esperar um mail com uma colocação. Imaginem o que é não saber onde vão parar, se vão parar, quando vão parar. Imaginem o que é terem de deixar a vossa família num sítio e terem de atravessar meio país para ganhar dinheiro, aturando pais e crianças que já desistiram da escola.
Imaginem o que é viverem assim. E talvez percebam que quando saímos à rua é por algum motivo. Porque estamos fartos de viver assim.
Agora vou ver o meu mail e olhar para o telemóvel até me deixar dormir.