-Não te preocupes. António nunca teve intenção de casar comigo. Foi só mais uma maneira de atormentar o pai.
-Isso é que eu não entendo. Se ele odeia o Jorge e se queria vingar dele, porque não o fez? E depois há o cheque de cem mil euros. É uma
exorbitância. Eu sei que ele é um homem muito rico, mas ainda assim continua a
ser muito dinheiro. Quando disse ao Jorge que salvaria a empresa se te casasses
com ele, também lhe disse que lhe faria um empréstimo para voltar a erguê-la. Mas nos documentos não vem referenciado nenhum empréstimo e estamos
preocupados. Porque o fez? Ou que fizeste tu, para que ele o fizesse?
- Não sei porque o fez, disse-me que era uma indemnização
pelos prejuízos que causou ao pai. E não se preocupem, a única coisa que fiz
foi uma festa de aniversário de casamento para a sua irmã.
-Não tem lógica. O resgate da hipoteca ao banco seria a
indemnização lógica. Um empréstimo, também seria aceitável, assim não. Não podemos
aceitar o cheque. Venho entregar-to e pedir que lho devolvas.
Paula estremeceu. Ir vê-lo depois do que tinha acontecido? De modo nenhum.
Paula estremeceu. Ir vê-lo depois do que tinha acontecido? De modo nenhum.
-Não posso fazer isso. Se vocês pensam assim, o pai que
vá ao seu escritório e lho entregue. Além do mais eu estou exausta, tenho
trabalhado sem descanso, quase dia e noite, de há três meses até agora. Parto de férias amanhã logo pela
manhã.
- Teu pai não o fará. É muito orgulhoso, tu sabes.
- Mas se é verdade que está arrependido, e se quer
devolver o cheque, é ele quem deve fazê-lo. Já vai sendo tempo de reconhecer que o orgulho não leva a lado nenhum. E se realmente reconhece que errou, tem mais é que proceder de acordo com isso. Eu no teu lugar, aconselhava-o a ter
uma conversa franca com o António Ferreira. Pelo pouco que conheci dele, é uma
excelente pessoa, que sofreu uma injustiça e se sente magoado, daí o seu desejo
de vingança, mas como vês não conseguiu levá-la adiante. Se ele soubesse o que me contaste, decerto ia
entender e quem sabe, perdoar. Era bom para os dois. Eu não me meto nisso, e a tua
participação também não deve ser outra, senão a de aconselhares o pai. De qualquer
modo, eu parto amanhã como te disse.
- E para onde vais?
-Não sei. Vou por aí, à descoberta do país. Onde me
sentir bem, fico. De qualquer modo vou telefonando para saber como vocês estão.
Gostava muito de levar o Miguel comigo, mas as aulas ainda não terminaram e eu
não aguento mais.
- Mas passas lá por casa para te despedires?
- Esta noite depois do jantar.
-E porque não vais jantar connosco? Tenho a certeza de
que o Jorge ficaria feliz. E o Miguel nem se fala. Adora-te.
- Se me convidas com tanto entusiasmo, convite aceite.
Espero que tenhas razão em relação ao meu pai.
-É claro que tenho. Bom, sendo assim vou-me embora. Vemo - nos logo.
Levantou-se e Paula não resistiu a abraçá-la. Sempre gostara
de Cidália, que desde que casou com o pai e foi viver com eles, sempre foi
para ela como a mais carinhosa das mães.
-Gosto muito de ti,- disse
-E eu de ti. Não duvides disso.
-E eu de ti. Não duvides disso.
Saiu e a jovem ficou à porta até vê-la entrar no
elevador.
