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23.9.19

VIDAS CRUZADAS - PARTE XIII

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- Obrigada. Mas agora temos que ir. Já é tarde e a mamã pode ficar preocupada. Até outro dia.
E afastou-se levando o irmão pela mão. Tão frágil e tão linda que parecia uma boneca. Sacudiu a cabeça, e sentando-se tentou retomar a leitura, mas a imagem da jovem não lhe saía do pensamento. Seria da vila? De alguma localidade próxima? Não, não lhe parecia. Devia ser uma forasteira como ele. A figura feminina não lhe saía da cabeça e deu consigo, depois de almoço, passeando pela praça das Termas e pelo parque junto ao rio, na esperança de a encontrar de novo. 
Para sua desilusão, não voltou a vê-la nessa tarde nem no dia seguinte. 
Tentando esquecer a jovem, dois dias depois, deixou as Termas, dirigiu-se à vila, e por lá passou a manhã. No largo central andou pelo jardim, observou o edifício do tribunal, passou pela Câmara Municipal e vendo aberta a Igreja do Convento de S. José, resolveu entrar. Quando era menino, a mãe, senhora de grande religiosidade, levava-o sempre à missa. Frequentou a catequese e até fez a comunhão solene. Depois aos poucos foi arranjando desculpas até deixar de frequentar a paróquia. A Igreja estava deserta e ele sentou-se num dos bancos, admirando o altar de talha dourada Joanina, decorado por dois pares de colunas torsas e o retábulo enquadrado numa escultura representando Nossa Senhora da Conceição. Num dos nichos, do intercolúnio do mesmo retábulo, havia uma outra escultura representando Santo António. Ali, naquele silêncio, sentiu uma enorme vontade de dirigir uma súplica ao Criador. Não pediu a cura, nem fez promessas. Pediu desculpas pelo seu afastamento e rogou ajuda divina para a sua mãe quando ele partisse.