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5.5.21

COMEÇAR DE NOVO - PARTE II





Durante uma semana, Gonçalo ligava várias vezes ao dia, mandava carinhosas mensagens cheias de saudades. Lena respondia da mesma maneira.

E chegou o dia do regresso à casa paterna.  Sérgio, o irmão, resolvera regressar dois dias antes do fim das férias, a fim de passar esses dias na quinta, para que os pais pudessem desfrutar da presença do neto, que começava a dar os primeiros passos e a balbuciar as primeiras palavras. Depois voltaria para Coimbra e só se veriam meia dúzia de vezes até que chegasse o Natal e todos se reunissem de novo.

Por sua vez, Lena também iria para Lisboa, a fim de iniciar os seus estudos. O pai tinha-lhe conseguido um quarto, na casa de uma jovem, filha de um grande amigo de infância, Francisco e neta do velho ferreiro da aldeia, Alberto Santos.

O dia em que chegou a casa de Rita, foi o primeiro em que Gonçalo não telefonou, nem respondeu à mensagem que ela lhe enviou já com a morada de Lisboa.

E esse foi o primeiro dia, do fim daquele amor que parecia indestrutível.

Rita Santos, era alta, morena, de cabelos e olhos escuros, nariz pequeno e boca carnuda. Tinha vinte e seis anos e acabara de se divorciar, mas contrariamente ao que Lena pensara, não se sentia triste, antes pelo contrário dava graças, por se ter livrado do marido, um pinga amor, capaz de a trair com qualquer uma. As duas, sentiram uma grande empatia, e em breve era como se fossem amigas de longa data.

Uma tarde, Rita que trabalhava na agência imobiliária do pai chegou a casa e encontrou Lena na sala com os olhos vermelhos e inchados, sinal mais que evidente de ter passado a tarde a chorar.

-Lena, querida que se passa? Estás doente? Aconteceu alguma coisa com os teus pais ou o teu irmão?

As sua perguntas despoletaram uma nova avalanche de lágrimas. De seguida tirou as mãos do colo e mostrou o teste.

- Meu Deus, estás grávida! E o Gonçalo continua sem responder às tuas mensagens? Tens que lhe dizer. Ele tem que assumir a responsabilidade.

- E como vou fazê-lo se o telemóvel está sempre desligado e nem sequer viu as mensagens que lhe enviei. Meu Deus Rita, como é possível que me tivesse enganado tanto com ele? Juro que acreditei de coração que ele retribuía o meu amor!

- Alguns homens são mestres na arte de sedução. São capazes de enganar a maior cínica da terra, quanto mais tu que és tão ingénua. Mas chorar não resolve nada. Tens que decidir se vais querer esse bebé, e as implicações que isso vai ter na tua vida, ou se queres fazer…

-É claro que eu quero este bebé, Rita. Mal soube que ele estava aqui, - disse colocando a mão no ventre, - o meu coração encheu-se de amor por ele. O que me preocupa é a deceção que vou dar aos meus pais.  Não sei como arranjar coragem para lhes contar. Estão velhos, viveram sempre na quinta. O meu irmão, não quis casar, vive em união de facto e é feliz, mas os meus pais, custaram a aceitar a decisão do filho. E agora eu apareço grávida, sem casamento, sem namorado, sem nada.

-Talvez seja melhor telefonares ao teu irmão, e pedir-lhe que venha cá. Contas-lhe e decerto ele te ajudará a enfrentar os teus pais. De resto eu estou aqui para te apoiar em tudo o que precisares, já que não podes nem deves abandonar os estudos. Eles serão a tua porta, para um futuro melhor.