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23.1.18

A VIDA É...UM COMBOIO - PARTE XIV




 - Bom dia, mãe! Falas com o tio hoje?
- Bom dia, filho. Porque havia de falar com o teu tio? Já não o vejo há semanas.
- A festa da final de período, na próxima semana. As provas com os pais. Se o tio fosse contigo, podia entrar comigo nas provas. Já que meu pai foi de viagem e nunca mais volta, o tio Ricardo podia fingir que era meu pai.
- E eu não posso entrar nessas provas?
- Ias jogar futebol com os pais dos meus colegas? Não mãe, as mães entram nas provas das meninas.
- Está bem. Vou falar com o teu tio. A festa é quando?
- No último dia de aulas, na Sexta-Feira da próxima semana.
- Tudo bem, vou pedir ao teu tio. Agora acaba de comer e vai escovar os dentes, estamos a ficar atrasados, a mãe não quer chegar atrasada, e tu decerto também não.
Meia hora depois, estavam a sair de casa. Amélia deixou Martim na escola e seguiu para o escritório, pensando que em breve teria que ter uma conversa séria com o filho, sobre a história do seu nascimento. Quando ele foi para o infantário e viu os pais dos outros meninos, começou a questioná-la se o pai tinha morrido. Seria fácil para ela dizer que Afonso, era o seu pai e sim tinha morrido, mas ela não quis mentir ao filho. Um dia mais tarde, quando adulto, ele podia querer saber quem era o seu pai, e então o tio podia dizer-lho. Ela não queria saber, mas o seu filho tinha direito a conhecer a sua história genética, e daí, ter-lhe dito que o seu pai tinha ido fazer uma grande viagem e ela não sabia quando ele voltaria. Agora com quase dez anos. Martim, já podia entender muitas coisas, e ela devia contar-lhe a maneira como tinha sido concebido, embora tivesse que omitir alguns factos, não fosse o garoto pressionar o tio para saber do pai, porque para isso ainda era muito cedo.
- Bom dia, Pedro. Como foi o dia ontem?
- Tudo bem. Elaborei a defesa daquele caso que me deste ontem. Não parece muito difícil, é um caso típico de violência psicológica, que o tipo exerce sobre a mulher e a filha.
- É Mas já viste quem é o advogado dele? Conhece-lo? Antes de elaborares a defesa ou acusação de alguém, tens que estudar o advogado do lado contrário. Tens que conhecer as suas manhas e truques, ou ele arruma-te em dois tempos. Vamos lá então…
 Duas horas mais tarde, deixou Pedro e dirigiu-se ao gabinete de Carlos.
- Bom dia, Carlos, desculpa não vir mais cedo, mas estive a trabalhar com o Pedro.
- Bom dia. Não te preocupes. Tenho estado a adiantar, aqui o processo do teu amigo.
- Não brinques, Carlos. Não passa de um conhecido que me prestou auxílio na estrada.
- Estava a brincar mulher, não te amofines. Vamos trabalhar?



Acabei de chegar. Vou jantar e já passo pelos vossos cantinhos.