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28.10.17

A RODA DO DESTINO - PARTE XLIV



Salvador desligou o telemóvel e ficou pensativo. Apesar do que dissera na véspera, à jovem, ele sabia que estava apaixonado por Anete. Não sabia, quando nem como aconteceu, mas de uma coisa tem certeza. O sentimento que tem por ela, é muito mais forte e avassalador do que aquele que sentiu por Ana Clara. A confusão com que se debateu, quando percebeu que o seu coração se estava a prender à jovem, desaparecera há muito. Ele percebera isso no domingo anterior em Coimbra, quando passara o dia com as gémeas. Naquele dia, descobriu, que apesar de aparentemente serem iguais, era Anete quem ele identificava consigo, não Ana Clara. E não, não era porque a cunhada, pela sua posição na família era fruto proibido. Nada disso. Habituado a analisar a expressão corporal e facial das pessoas, encontrava agora muitas diferenças entre as duas. Talvez por causa da profissão que tinha, a voz da cunhada, era segura, quiçá até houvesse nela uma ligeira nota de autoritarismo. A de Anete, não era tão segura, mas em contrapartida era mais serena e mais doce. A cunhada olhava-o de frente, segura de si, de igual para igual. O olhar da irmã, mesmo quando queria aparentar à-vontade, não conseguia ocultar uma certa timidez, e não raras vezes desviava o olhar ruborizada.
A expressão corporal também era bem diferente nas duas. A da cunhada era segura, exuberante, de mulher que sabia bem o desejo que podia provocar, e sabia lidar com isso, com a mesma firmeza com que lidava com a rebeldia dos seus alunos. Anete, era tímida, insegura, e tão ingénua como uma adolescente. Se não conhecesse a sua história, se não soubesse que fora casada durante anos, acreditaria que nunca  tinha dormido com um homem. Eram tão diferentes, que podiam vesti-las e maquilhá-las de igual modo, que ele não hesitaria em identificar cada uma.
Apesar do excesso de trabalho, não lhe permitir estar mais vezes com Anete, não passou um só dia que não pensasse nela, que não tivesse vontade de estar com ela. Sabia que ele também lhe interessava. Percebeu o interesse dela. Mas também percebeu que a jovem se recusava a dar-lhe guarida e tentava a todo o custo ignorá-lo. Daí que ele decidira avançar. Talvez que ela conhecendo os seus sentimentos, pusesse de lado os receios, e deixasse o seu amor florir. Erradamente, a jovem sentia-se inferior, por não ter estudos universitários. Deixara-o bem expresso na conversa do dia anterior. E isso era algo a que ele não ligava. Se ela quisesse ir para a universidade, ele dar-lhe-ia todo o apoio, mas teria de ser porque ela o desejava, para sua realização pessoal. Nunca para estar à altura dele, ou de outrem.  Salvador sempre pensou que o que eleva as pessoas, são a retidão de carácter, e os sentimentos. E isso, ela tinha de sobra.
Pegou no telemóvel e marcou um número. Ao quinto toque, atenderam.
- Estou…
-Luís? Sou o Salvador. Tens uns minutos para me ouvires?
-Sim, claro. Aconteceu alguma coisa?
- Bom, aconteceu que estou apaixonado pela tua irmã. Amo-a e vou fazer tudo para a conquistar. E depois da promessa que te fiz em Coimbra, senti que te devia esta informação. Espero que não faças nada para me atrapalhar, ou impedir de vir a entrar para a vossa família.
- Caramba, Salvador. Tu sabes como deixar um homem espantado. Tens a certeza dos teus sentimentos? Conhecem-se há tão pouco tempo.
- Certeza absoluta, Luís. Tenho trinta e três anos, não se trata da ilusão de um adolescente. E tu sabes tão bem como eu, que às vezes bastam alguns minutos para mudar por completo a nossa vida.
-Ela já passou por uma má experiência, e o nosso desejo é que não sofra.
- Pela minha parte, posso garantir-te que farei tudo para que seja feliz. A sua felicidade será também a minha.
- Sendo assim, que posso eu fazer?
- Podes desejar-me sorte.
- Claro. Toda a sorte do mundo para os dois.