Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta decorador famoso. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta decorador famoso. Mostrar todas as mensagens

12.4.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XXIII


- E agora que já conheces a casa, que te parece?
-Muito bonita, mas se queres uma opinião sincera, falta-lhe alma. Aposto que escolheste um decorador famoso, e lhe entregaste o trabalho, sem pores nada teu nela. Acertei?
- Na "mouche". Contratei o Fernando Lins. O que achas mal?
-Não é que ache mal, a decoração está linda. Só que tanto pode ser a tua casa, como a minha, ou a de outro qualquer que tenha dinheiro para pagar um bom decorador. Percebes? Por exemplo eu sei que tens um grande amor à tua família. E não vi na casa uma moldura, um quadro, nada que me dissesse que tens uma família que amas. Bem sei que atualmente não se usam molduras, mas repara há fotos que são verdadeiras obras de arte. Então porque não ampliá-las e usá-las em vez dos quadros, pelo menos nos locais onde decerto passarás mais tempo, por exemplo no escritório?
- Entendo. Aceitarias fazer esse trabalho para mim?- Perguntou enquanto afastava a cadeira para ela se sentar à mesa.
- Não me costumo dedicar à decoração fora do âmbito das festas. E além disso o nosso contrato termina no fim do mês.
Alice, a governanta, entrou empurrando um carrinho com o almoço. Colocou na mesa o Bacalhau com Natas dizendo:
-Como o senhor não me deu qualquer indicação para o almoço, tomei a liberdade de perguntar à menina se gostava de dois dos seus pratos preferidos, e como a resposta foi positiva fiz Bacalhau com Natas e Codornizes à minha Moda. Espero que seja do vosso agrado.
-Muito bem. Pode retirar-se. Chamarei quando terminarmos o primeiro prato. 
Esperou a saída de empregada e disse voltando-se para a jovem:
-Apraz-me verificar que temos gostos semelhantes na gastronomia. Mas voltando à minha proposta. Gostaria muito que pensasses nela.
- Parece-me que estás a tentar envolver-me numa teia de sedução. Como se na verdade aquela absurda proposta de casamento continuasse na tua cabeça. Gostaria que fosses sincero comigo.
-Porquê absurda?
-Disse-te o que pensava de casamentos por interesse.
Eu sei. Mas acredita que um casamento entre nós, não será nem um pouco por interesse. Até porque no final do mês, o teu pai recuperará a firma e a credibilidade junto dos meios financeiros. Não voltarei a interferir nos seus negócios, dou-te a minha palavra. Sei que tiveste uma relação com um médico e que a terminaste a poucos meses do casamento. Dado que ele se casou pouco depois com uma enfermeira da sua equipa e já foi pai, não é preciso ser um “expert” para saber que não te respeitou.
- Andaste a investigar-me?
-Não, mas investiguei-o a ele após a vossa rotura. Calculo que não terá sido fácil para ti veres ruir os teus sonhos de um momento para o outro. Mas passaram quase dois anos. É tempo de esqueceres o que se passou e dares a ti mesma uma nova oportunidade de seres feliz. É desse momento que estou à espera.
-E se eu te disser que deixei de acreditar nos homens, e no amor?
- Eu direi que és demasiado inteligente para julgares todos os homens, pelos erros de um.
António carregou num botão na parte inferior do tampo da mesa, e segundos depois a governanta, voltava à sala com o carrinho de serviço.