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10.3.18

A TRAIÇÃO - PARTE XII




João marcou o número da empresa, que anunciava pela Internet, disponibilizar serviço de enfermagem ao domicílio.
- Enfermagem domiciliar, boa noite.
- Boa noite. Fala João Santos. Estive aí esta tarde para contratar os vossos serviços de enfermagem ao domicílio. Fiquei de ligar agora para confirmar, a contratação Confirmo tudo o que foi tratado esta tarde, inclusive a hora. Nove horas.
- Muito bem. Pode ficar descansado.
-Obrigado.
Desligou o telefone e ficou pensativo. Talvez não fosse certo forçar a volta de Odete, chantageando-a assim. Mas a verdade é que ele a amava, como nunca pensou que alguém pudesse amar. E a sua volta era a única esperança que lhe restava de recuperar o seu amor.
Estava cansado. Aquele dia fora complicado. Antecipando a resposta da mulher, ele tinha contratado os serviços de enfermagem para as vinte e quatro horas, de modo a que a sogra não ficasse sozinha até ir para o hospital. Depois falou com o diretor do hospital particular S. Francisco, um amigo dos tempos de estudante, especializado em cirurgia cardíaca, a fim de internar a sogra o mais depressa possível. Ele mostrou-se recetivo e ficou de lhe telefonar no domingo com a confirmação ou não do internamento imediato.
Foi até à cozinha, preparou duas sandes e abriu uma garrafa de cerveja. Sabia que tinha o jantar no frigorífico, a empregada deixava-lhe sempre a refeição pronta antes de sair, mas não lhe apetecia jantar.
Mais tarde, depois de ter comido, foi para a sala, procurou o DVD com um filme que tinha comprado há uns meses e ainda não tinha conseguido ver, decidido a fazê-lo naquele dia antes de se deitar. Porém a meio do filme desinteressou-se. Não percebia porque o filme atingira tanto sucesso. A história era banal. E os atores, eram muito fracos para o seu gosto. Especialmente o elemento masculino. Desligou o televisor, apagou a luz e foi para o quarto, onde depois de se despir e escovar os dentes se deitou. Como sempre desde a partida de Odete, a cama parecia-lhe demasiado grande, para a sua solidão, e demasiado pequena para albergar as recordações das noites de amor que ali viveu. Havia uma série de perguntas que estavam na ponta da sua língua, mas que ele não iria fazer.
- Onde estivera Odete, durante aquele tempo? Como e onde vivera? Sozinha ou acompanhada? E sobretudo, porque chegara à conclusão que o casamento tinha sido um erro, se sempre se mostrara tão apaixonada?