David desligou o telefone, e ficou por momentos a olhar para
a procuração que tinha nas mãos. Não entendia o que se passava com Daniela. O
que é que ela queria com aquilo? Fazer um teste à sua honestidade? Não. Era
demasiado inteligente para uma atitude tão estúpida.
Parecia-lhe mais uma prova de confiança, quiçá até de amor.
Mas não podia ser. Ele demonstrara-lhe à saciedade quanto a amava, e o que é que ela fizera? Dissera-lhe claramente que ele só fora um objeto para
satisfazer a sua carência sexual.
Guardou a procuração no cofre. O que ela merecia, era que
ele lhe roubasse a sua parte da fábrica. Mas isso estava fora de questão. Primeiro,
porque ela se instalara de armas e bagagens no seu coração, e ele não sabia
como ia libertar-se daquele sentimento, tão novo e tão intenso. Logo ele que nunca acreditara no amor, e se limitara a aceitar o que as mulheres lhe davam, sem pôr nisso o coração. Segundo, porque a jovem é irmã de Daniel, e embora ela não o soubesse, esse facto punha-a a salvo de qualquer má intenção da sua parte.
Terceiro e não menos importante, tinha orgulho da sua honestidade. Conquistara muita coisa na vida, e ambicionava chegar mais longe e mais alto no mundo dos negócios, mas nunca o faria utilizando o seu opositor como escada.
Quem dera ela ficasse por Moçambique o tempo suficiente para
ele a esquecer! Sorriu amargo. Um sorriso que não lhe chegou aos olhos e que mais
parecia um esgar.
“Teria que ficar lá o resto da vida”- pensou. É que tinha a certeza de que não conseguiria esquecer, a mulher maravilhosa que tivera nos braços,
naquela noite.
Como é que ele, um homem experiente se tinha deixado enganar assim? Seria capaz de jurar, que o que os dois tinham vivido naquela noite, tinha sido muito mais que uma tórrida sessão de sexo. Que o que ambos viveram estavam muito para além de jogos e excitações. Fora-o da sua parte, e juraria que ela estivera sempre com ele, como se os dois fossem um só. E afinal fora tudo fingido. Passou a mão pela testa, como se, com esse simples gesto levasse alguma luz aos seus pensamentos. Sentia-se cansado. E vazio.
Como é que ele, um homem experiente se tinha deixado enganar assim? Seria capaz de jurar, que o que os dois tinham vivido naquela noite, tinha sido muito mais que uma tórrida sessão de sexo. Que o que ambos viveram estavam muito para além de jogos e excitações. Fora-o da sua parte, e juraria que ela estivera sempre com ele, como se os dois fossem um só. E afinal fora tudo fingido. Passou a mão pela testa, como se, com esse simples gesto levasse alguma luz aos seus pensamentos. Sentia-se cansado. E vazio.
Fechou o computador, vestiu o casaco e saiu.
-Madalena, vou até à fábrica de confecções. Em princípio já não volto hoje. Qualquer coisa que seja necessária ligue-me. Até amanhã.
-Até amanhã, senhor
