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6.3.23

CICATRIZES DA ALMA - PARTE XXVII

 




No resto da tarde, Anabela não se aproximou do doente tal como tinha dito, mas perguntou ao caseiro como ele estava, se tinha comido bem, e se, não se tinha queixado de alguma dor. Satisfeita com a resposta, aproveitou para dar uma pequena volta para conhecer a quinta e a paisagem dos arredores. Findo o passeio, dirigiu-se à sala de tratamentos e verificou as pomadas e linimentos que havia no armário, o gel para os ultrassons, verificando as datas de validade.

Depois abriu a gaveta da secretária e retirou a prescrição dos tratamentos a efetuar, leu-a e voltou a guardá-la.

 Mais tarde, satisfeita por verificar que tudo estava em ordem para o início do seu trabalho no dia seguinte, subiu ao quarto, acabou de arrumar as suas coisas e por fim estendeu-se em cima da cama pensando se a tarefa que ia enfrentar não era demasiado grande para ela. Cansada, da viagem e da longa caminhada acabou por adormecer.

Duas horas depois, acordou sobressaltada com as batidas na porta. Era Isilda informando que o jantar estava pronto. Anabela levantou-se foi à casa de banho, lavou o rosto escovou o cabelo e desceu. Quando ia a entrar na cozinha, Joaquim saía com o carrinho do jantar para o doente.

Ela perguntou:

- Como esteve o doente esta tarde?

- Como de costume, menina. Barafustou quando fui retirar o carrinho após o almoço porque queria o quarto às escuras,  porém seguindo as suas ordens, não o fiz.  Fechei as persianas e corri os cortinados mas só quando começou a anoitecer.

- Claro. As noites aqui são muito frias?

-São sim, menina, mas a casa tem aquecimento que o senhor mandou instalar quando a remodelou antes de ir para África.

-Bom, vá antes que o jantar fique frio.

Anabela jantou com o casal, e no fim disse-lhes que podiam ir para casa. Ela recolheria o carrinho e arrumava a cozinha. Como tinha dormido de tarde, não tinha sono.

Isilda protestou, Anabela estava ali para tratar do doutor, não para fazer aqueles trabalhos, mas a jovem manteve-se firme e eles acabaram por sair.

Ela levantou a loiça da mesa e depois de a passar por água, meteu-a na máquina. De seguida, dirigiu-se ao quarto do doente, para retirar o carrinho com a loiça do jantar, e ver se o doente necessitava de alguma coisa.

- Boa noite, - disse ao entrar no quarto

- Onde está o Joaquim? – foi a resposta obtida

- Foi para casa com a esposa.

- Porquê? Algum deles está doente? O Joaquim não me disse nada.

- Eu dispensei-os.

- Sargento novo, novas ordens na caserna, - resmungou o doente

Fingindo não ouvir, Anabela perguntou:

-Trago-lhe a cadeira para ir à casa de banho?

-Não obrigado.

Ela então estendeu uma toalha sobre a colcha e sobre ela uma bacia, a escova e pasta de dentes. Encheu o copo de água, pegou o jarro vazio, juntou-o à loiça do jantar que estava no carrinho e dirigiu-se para a porta dizendo:

-Volto daqui a pouco com a água e um copo limpo.



Então é assim. A médica de família diz que agora a RM é com o neurologista. Resta saber onde vou ter consulta já que neste momento parece não haver neurologista no Hospital do Barreiro