painel de azulejos contando a história do Santa Maria, existente no prédio construído no local onde nasceu Henrique Galvão . Foto minha
Nota, não lembro a data exacta do aprisionamento, embora lembre do facto. Neste painel, a data é 1960, mas todas as pesquisas que fiz no google me dizem que foi em 1961.
No final do ano escolar, o filho fez exame e a filha também passou para o segundo ano com excelentes notas.
A mais velha trabalhava agora na quinta, ganhava pouco, mas não conseguira outro trabalho. Tocava a vaca na nora, dava comida à criação, fazia recados aos caseiros. E quando os navios chegassem lá ia trabalhar na seca. E assim foi que ao Verão se sucedeu o Outono e depois o Inverno, sem grandes mudanças nem sobressaltos que já ninguém esperava outra coisa, do que aquilo a que a vida os habituara. A excepção, fora que a filha mais velha do Manuel também se inscrevera na escola Alfredo da Silva no início do ano escolar, para estudar à noite.
Porém nem um ano lectivo aguentou, o trabalho na seca era muito duro. Manuel saía do armazém às cinco e rendia a filha para que ela se fosse arranjar e fosse para a escola, onde entrava às sete.
Saía às onze, e entre chegar a casa, comer alguma coisa e
preparar as coisas para o dia seguinte, ia para a cama
depois depois da uma. E se havia serão de manhã, às seis
já estava no local de trabalho. Era impossível aguentar, mas
ela queria porque queria estudar, e o pai não se opôs,
apesar do sacrifício extra de terminar por ela o trabalho e de
ir buscá-la à noite à paragem do autocarro, pois tinha receio
de que alguém fizesse mal à miúda na azinhaga de caminho
para casa. Desistiria no final de Janeiro, extenuada.
Mas esse Janeiro de 61 estava decidido a ficar na história, e não por esse facto pois quem eram eles, senão povo ignorado e ignorante que apenas lutava pela sobrevivência, como todo o povo na época, salvo claro os favorecidos da sorte.
É que em 22 de Janeiro , Henrique Galvão, um barreirense, capitão do exercito português, e opositor do regime de Salazar, comandou o "assalto" ao paquete Santa Maria, chamando a atenção do mundo para o regime ditatorial que se vivia em Portugal.
Saía às onze, e entre chegar a casa, comer alguma coisa e
preparar as coisas para o dia seguinte, ia para a cama
depois depois da uma. E se havia serão de manhã, às seis
já estava no local de trabalho. Era impossível aguentar, mas
ela queria porque queria estudar, e o pai não se opôs,
apesar do sacrifício extra de terminar por ela o trabalho e de
ir buscá-la à noite à paragem do autocarro, pois tinha receio
de que alguém fizesse mal à miúda na azinhaga de caminho
para casa. Desistiria no final de Janeiro, extenuada.
Mas esse Janeiro de 61 estava decidido a ficar na história, e não por esse facto pois quem eram eles, senão povo ignorado e ignorante que apenas lutava pela sobrevivência, como todo o povo na época, salvo claro os favorecidos da sorte.
É que em 22 de Janeiro , Henrique Galvão, um barreirense, capitão do exercito português, e opositor do regime de Salazar, comandou o "assalto" ao paquete Santa Maria, chamando a atenção do mundo para o regime ditatorial que se vivia em Portugal.
Na seca, o pessoal não se atrevia a comentar, a PIDE estava mais activa que nunca, e o povo temia a sua própria sombra.
Com grande sacrifício, o Manuel acaba comprando uma motorizada em segunda mão a prestações.
Um a um passeia os filhos na "pendura" para que eles sintam a sensação e participem da sua alegria. A mulher é que era pior. Ela não queria de modo nenhum, andar naquela "geringonça" tinha medo. E tanto assim que meses mais tarde, quando o marido conseguiu convencê-la, ainda não tinham chegado à Telha e já ela se deixara cair num monte de areia na berma da estrada. O engraçado é que o marido só deu por isso dois kms à frente e voltou para trás
aflito com medo da mulher se ter ferido. Encontrou-a em casa sem qualquer ferimento, mas mais relutante do que nunca em voltar a pôr o corpinho em cima da motorizada.
"Ná, quem fez este corpinho, já não faz mais nenhum"- costumava dizer.
E porque hoje é o dia do pai, votos de feliz dia para todos os homens que sabem honrar o sagrado nome de pai. Para o Manel da Lenha que como todos sabem foi meu pai, o meu eterno obrigada, onde quer que esteja meu pai.
E porque hoje é o dia do pai, votos de feliz dia para todos os homens que sabem honrar o sagrado nome de pai. Para o Manel da Lenha que como todos sabem foi meu pai, o meu eterno obrigada, onde quer que esteja meu pai.

