Helena levantou-se cedo na manhã seguinte. Sentia-se bem
melhor mais repousada, e quase sem dores. Tomou banho, prendeu a sua farta
cabeleira num rabo-de-cavalo, vestiu umas calças de ganga, um top branco,
calçou uns ténis e desceu ao restaurante, onde tomou o pequeno-almoço, saindo
de seguida disposta a ver o máximo possível da cidade até às onze horas. Depois
regressaria ao hotel com tempo para se refrescar, mudar de roupa e esperar por
Cláudio para o almoço.
Verificou pelo mapa, que a Igreja de Santa Cruz que
pensava visitar na véspera ficava longe do hotel. Resolveu dar um passeio
pelo parque que tinha na frente do hotel, e ir até à margem do Mondego.
Pelo caminho deparou-se com o Museu da Água e aproveitou para o visitar.
Tirou umas fotografias no parque e ao rio e voltou para o
hotel, onde chegou às onze horas e vinte minutos. Subiu ao quarto, trocou as
calças de ganga e o top por um macacão de alças, estampado em tons de rosa e azul, que
acentuava a sua silhueta e a fazia parecer mais alta. Completou o conjunto com
uns sapatos de salto e um colar de várias voltas. Queria estar bem bonita, já
que tinha decidido que era a primeira e a última vez que iria sair com Cláudio.
No dia seguinte logo pela manhã, apanharia a camioneta para Viseu, e nunca mais
o veria. No seu íntimo, sentia-se triste. Tinha vinte e três anos, e as únicas
companhias masculinas com quem lidara, além do tio e do falecido primo, foram
os seus colegas da Universidade, jovens como ela, ainda em formação e à procura
de um rumo na vida. Cláudio era diferente. Era um homem feito, seguro de si. E
com uns olhos capazes de derreterem até um icebergue. Um homem ao lado de quem,
qualquer mulher se sentiria segura. Qualquer mulher menos ela. Tinha que se
concentrar na missão que se propusera. Conhecer o seu pai, saber que tipo de
homem era, talvez até contar-lhe quem ela era. Não era uma tarefa fácil.
Afinal de contas só sabia o seu nome e que tinha uma quinta nos arredores de
Viseu. Quantas quintas haveria nesses arredores? Olhou o relógio. Onze e
cinquenta e cinco, Pegou na mala, deitou uma olhadela rápida ao espelho, e saiu
do quanto, em direção à receção. Se Cláudio fosse pontual deveria estar a
chegar. Saiu do elevador, e ele veio ao seu encontro sorrindo.
- Boa tarde, vejo que encontrei uma raridade. Uma mulher
pontual, - disse estendendo-lhe a mão.
Ela olhou o relógio. Meio-dia em ponto. Sorriu.
- O Cláudio também foi pontual.
- Os homens são sempre pontuais. As senhoras é que se
atrasam. Vamos?
Começaram a andar lado a lado. Ela perguntou:
-Como está a sua mãe?
-Muito bem. Deve ter alta amanhã.
- Que bom, - disse sincera. Sabia o que estava a sofrer
com a partida da mãe. Não desejava o mesmo para ele.
Entraram no carro, que ele pôs em movimento, enquanto
perguntava.
-Conhece a Quinta das lágrimas?
-Só de nome. É a primeira vez que estou em Coimbra.
Vamos almoçar ao restaurante Arcadas, no Hotel Quinta das
Lágrimas. É um local muito bonito. Tenho a certeza de que vai gostar.
Então é assim. Já fui ao médico já tenho os tratamentos marcados, inicio segunda feira.
E agradeço a todos a atenção e carinho que têm tido comigo.
Bem Hajam
