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13.8.22

PORQUE HOJE É SÁBADO


Naturaleza muerta - Sarah Brightman


Bom fim de semana.


Amigos, a Mariana já conseguiu fazer com que pudesse entrar no blog. Iniciei o tratamento dia 11 e seguindo instruções do médico só volto ao pc e às leituras,  uma semana depois do tratamento e com calma. Também já mandei fazer os óculos com a correção que me foi receitado. Então peço desculpa mas estarei ausente até dia 18. As postagens programadas vão saindo, para quem está habituado a passar por aqui. Fiquem bem

12.8.22

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE XV

 




Cerca das dezasseis telefonou a Clara.
- Então? – perguntou a amiga, quando atendeu
- Então o quê, mulher desconfiada, - riu Beatriz
- Vá lá conta-me tudo. Ou queres matar-me de curiosidade?
- Já tenho emprego, começo amanhã, vou ser assim uma espécie de ama e educadora de uma menina linda, numa casa que me pareceu bem bonita. Hoje almocei lá, conheci a avó paterna da menina, e a cozinheira da casa.
- Sim. E o pai da criança?
- O que é que tem o pai dela?
- Pode não ter nada, ou ter tudo. De manhã disseste que era viúvo. É assim, estilo ator de cinema, ou tipo trolha?
Beatriz soltou uma gargalhada.
- Tu és impossível. Sabes que não reparei bem nele? É alto, moreno, corpo atlético. Cabelos pretos e olhos cinzentos.
- E não reparaste nele? Então não me contes nada, quando reparares, não se dê o caso de me dar alguma coisinha má, -disse rindo.
A jovem não susteve outra gargalhada.
- Duas gargalhadas dessas em tão pouco tempo. Pareces mesmo muito feliz. Há muito tempo que não te ouvia rir.
-É claro que estou. Adoro crianças, e aquela é linda. O salário é muito bom. E saio desta inatividade cheia de más recordações.
-Certo. E folgas?
- Sábados e Domingos. A não ser que o patrão esteja em viagem.
Nesse caso ficarei com a menina.
- E viaja muito?
- Como queres que saiba? Só sei que essa cláusula está no contrato. Antes de desligar, devo dizer-te que as tuas desconfianças me fizeram recear e desconfiar quando o automóvel rodou para a periferia da cidade. E afinal , não havia razão para isso.
- Ainda bem amiga. Mas era meu dever alertar-te. Mais vale prevenir…
- Bom, tenho que desligar, preciso ir fazer umas compras. Beijo
- Vai dando notícias. Beijo.
Desligou, pôs o telemóvel na bolsa, abriu uma gaveta da cozinha de onde retirou um saco de plástico cuidadosamente dobrado que meteu na bolsa, verificou o dinheiro que tinha na carteira, vestiu o casaco e dirigiu-se ao supermercado. Precisava abastecer-se de algumas coisas, pois não sabia quantos dias iria jantar em casa.
Voltou para casa, arrumou as compras e ligou à mãe para lhe contar as últimas novidades. 
Findo o telefonema, aqueceu no micro-ondas um resto de comida da véspera e jantou.


10.8.22

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE XIV




Chegou ao escritório ao meio-dia e meia. Uma das empregadas, entregou-lhe o contrato que ela leu e assinou, devolvendo-o. Então a jovem pediu-lhe para aguardar um pouco e desapareceu pela porta, onde Beatriz estivera anteriormente. Uns minutos depois, saiu, indicou-lhe uma cadeira e pediu-lhe para aguardar mais um pouco.

Cinco minutos mais tarde, o homem saiu do escritório, deu algumas indicações às duas jovens e dirigindo-se a ela disse:
-Vamos?
Entraram no elevador e saíram no parque de estacionamento, situado na cave do edifício. Continuaram em silêncio até entrarem no carro. Então ele falou:
- Eu sei que não é uma boa hora para lhe pedir que me acompanhe, É hora de almoço, mas não sendo agora, só poderia ser no fim do dia, e seria decerto mais inconveniente para si. Assim tomei a liberdade de telefonar para casa, e avisar a minha mãe que almoça connosco. Depois trago-a de volta.
-Obrigado. Não era necessário, almoçava mais tarde.
Entraram no carro. César pôs a viatura em movimento e disse:
-Na verdade, não devia ter decidido sem falar consigo. Não atrapalhei a sua vida?
-Não.

 A resposta soou demasiado seca à própria Beatriz. Mas não se desculpou. Atenta à paisagem, verificava que se dirigiam à periferia, e sem querer vieram-lhe à memória, as advertências da amiga.

Ele lançou-lhe um rápido olhar, mas não voltou a falar. Mudou de direção e entrou numa rua de residências com bonitos jardins à volta. Reduziu a velocidade, e entrou por um largo portão que voltou a fechar-se de seguida, acabando por estacionar junto à entrada da casa. Saiu do carro e logo a porta de casa se abriu, e uma menina loira desceu a correr as escadas, para se lançar nos braços do pai. À porta de casa, ficou uma senhora de idade, que Beatriz supôs ser a avó da menina.

Com a filha nos braços, César voltou-se para ela dizendo:
- Eis o furacão Matilde, que a partir de amanhã estará aos seus cuidados.
-Olá Matilde, - saudou-a em tom suave.
-Olá. Como te chamas?
-Beatriz.
- Vamos entrar, - disse César encaminhando-se para as escadas com a filha  ao colo.

 Já em casa, depositou a criança no chão e apresentou a jovem à mãe. Depois disse:
- Beatriz começa a trabalhar amanhã, de modo que se quiseres amanhã mesmo podes ir para casa da Carolina. Se a Beatriz precisar de qualquer coisa, a Berta a ajudará, ou em última instância telefona-me. - E voltando-se para a jovem acrescentou; a Berta é a cozinheira, está connosco desde que eu nasci, sabe tudo da casa.



É hoje que finalmente volto à consulta em Santa Maria por causa dos olhos. Será desta que têm uma solução para eles?

9.8.22

POESIA ÀS TERÇAS - JOSÉ LUÍS OUTONO


                                                                 A)



TEMPESTADES A COBERTO DE OUSADIAS

rios de água cadente enclausuram olhares provocadores
… …
tempestades a coberto de ousadias
… …
filmes absurdos de diálogos silenciados
pelo sino da memória cansada
… …
desafios gotejantes emolduram
discursos correntes sem novidades
… …
a matemática prossegue a sua análise do ontem
depois do fracasso de amanhã ter esquecido o hoje
… …
talvez os códigos sejam a conta corrente
das lavagens continuadas
… …
ainda bem que há águas decorativas
como analgésico das ânsias questionadoras
… …
e o Sol continua imparável
nos volteios dos teoremas climatéricos



José Luís Outono nasceu em Lisboa ( 13/03/1951). Tem formação na área do Marketing e Gestão, Fotografia e Cinema. Foi Bolseiro em Roma – Itália, e estagiou na RAI .
Realizador, locutor, docente, fotógrafo, escritor e pintor. 
Editou cinco livros e participou em mais de uma dezena de livros coletivos, por entre exposições de fotografia e pintura.
Assume-se amante compulsivo das artes, e seu eterno aprendiz.


A) Esta ribeira ou rio, com esta estranha forma de Dragão Chinês, fica em Portugal, no Algarve e é também conhecida pelo Dragão Azul

8.8.22

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE XIII



Enquanto esperava que as horas passassem, a jovem entrou numa pastelaria, pediu ao empregado um café e um copo de água e ligou a Clara, para lhe contar o que lhe tinha acontecido.

- E agora vou lá antes do almoço, assinar o contrato e depois vou com ele, a sua casa, para conhecer a menina. Começo a trabalhar amanhã.
- Tens a certeza que é uma pessoa séria, Beatriz? Ir assim com ele, para uma casa que nem sabes onde fica, não me parece bem, deixa-me preocupada. Sabes, que há muita malandragem por este mundo de Cristo. Não fico descansada. Dá-me o nome da empresa e o endereço.
- Lá estás tu a desconfiar de toda a gente. Não tinha cara de malandro…
- Se os malandros se conhecessem pela cara, estava o mundo livre deles. Tu és demasiado confiante, estiveste sempre protegida, primeiro pelos teus pais, depois pelo casamento. Não sabes nada do mundo, nem da maldade dos homens. 
- Não exageres. Não sou cega, nem surda, vejo as notícias todos os dias.
- De qualquer modo dá-me nomes e endereços. Quero saber a quem me dirigir se até à noite não me ligares.

Esperou que o empregado se retirasse e então deu-lhe o nome e a morada da empresa. Depois…
- Ligo-te à tarde e conto-te tudo.
-Fico à espera.
Desligou.

 Bebeu o café e olhou o relógio. Onze e trinta. Não ia ficar no café, até quase à uma. Dirigiu-se ao balcão, pagou e saiu para a rua.
O sol brilhava com toda a intensidade do mês de Maio. Estava muito calor. Ela desejaria ter uma roupa mais leve, mas não ousaria apresentar-se numa entrevista de emprego vestida de um modo menos formal. 

Caminhou pela rua, sem destino observando as pessoas que passavam por ela apressadas. Um dos saltos dos sapatos prendeu-se entre duas pedras da bonita calçada portuguesa. Conseguiu soltar o sapato e prosseguiu mais devagar, sabendo que os elegantes sapatos de salto agulha, não eram de modo nenhum os mais adequados para aquele tipo de pavimento.

 Ao fundo da rua, em frente de uma escola, encontrou uma pequena praceta, com alguns canteiros floridos e uns bonitos bancos de ferro forjado. Sentou-se um pouco. Naquele momento a sineta da escola fez-se ouvir, e as crianças saíram correndo e gritando, provocando uma alegre algazarra. Ficou alguns momentos observando-os, pensando com tristeza, que nunca iria ver o seu filho assim. 

Uma lágrima rolou pela sua face. Limpou-a com raiva, levantou-se e retomou o caminho do escritório.

7.8.22

DOMINGO COM HUMOR


 Um casal estava a festejar as bodas de prata. Copo puxa copo, até que ele resolve lançar a pergunta:

- Alguma vez me foste infiel nestes anos todos?

Responde a mulher:
- Para falar a verdade… Só três vezes…

Espantado, o homem quer saber mais:
- Hmmm… Quando e como?

Passa então a mulher a enumerar:
- Lembras-te quando precisaste daquele empréstimo para fazeres o teu primeiro negócio? O banco estava renitente, o gerente passou cá por casa e…

Compreensivo  o homem:
- Meu amor.. Fizeste isso por mim? Jamais te poderei agradecer! E a segunda vez?

Continua a mulher:
- Lembras-te de quando tiveste aquele ataque de coração e não havia vagas no hospital, e o Doutor Meireles veio cá a casa e…

Agradecido o homem:
- Ó meu amor, quanta entrega! Devo-te a vida… E a terceira vez?

E conclui a mulher:
- Lembras-te, o ano passado, quando te faltavam 72 votos para seres eleito presidente do clube de Golfe?


                                               *******************

A filha conta a novidade à mãe:
- Mãe, estou grávida.

A mãe, confusa, diz:
- Então eu não te disse que quando um rapaz te mexe nos seios dizes não e quando te mexe na vagina dizes para?!

Explica a filha:
- É verdade! Mas é que ele estava a mexer nas duas coisas ao mesmo tempo e eu bem que gritava: Não para, não para!


                                              **********************



Estavam duas loiras a conversar quando uma diz assim:
- Olha lá. Já participaste num concurso?

E responde a outra loira:
- Eu não e tu?

E a primeira com ar feliz:
- Eu já e ganhei!

- Elahh… E ganhaste o quê? – Pergunta a amiga.

Desvalorizando a primeira loira:
- Um carro com 2 km. Mas não fiquei com ele…

- És parva ou quê? Não ficaste com ele porquê?! – Continuo a amiga.

E responde a loira:
- Hellooooo! Um carro com 2 km… Onde é que eu o ia conseguir estacioná-lo?


                                                  ****************


- Então está melhor da gaguez?

Responde o gago de imediato e sem hesitar:
- A aranha arranha o arame! O rato roi a rolha da garrafa do Rei da Rússia!

Espantado, diz o médico:
- Ah mas que maravilha, excelente trabalho!

E responde o gago:
- Po-po-pois… Mas on-on-onde é que eu-eu-eu vou usar es-est-esta me-me-m*rda?


                                                   ***************


Numa galeria de arte, dizia uma senhora de idade em voz alta:
- Que horror! Que coisa tão feia! Que mal pintado! Este retrato nem merecia estar numa exposição destas!

Apercebendo-se dos comentários, uma funcionária da galeria aproxima-se da senhora e esclarece:
- Isso não é uma pintura!

-Ah, não?! Então o que é?! – Pergunta espantada a mulher.

Responde a funcionária:
- É um espelho…

5.8.22

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE XII

 



Três meses depois, Beatriz saiu do centro de emprego com uma carta para apresentação num escritório de uma agência de publicidade.
O escritório ficava num segundo piso de um arranha-céus. Apresentou a carta a uma das empregadas e ela conduziu-a a um gabinete, onde foi recebida por um homem ainda jovem.
O homem que lhe fez a entrevista, insistiu no facto de precisarem de alguém com experiência, coisa que ela não tinha, de modo que a jovem sentiu que não ia ficar, e o seu bonito semblante entristeceu-se.
O homem, moreno, olhava-a com os seus penetrantes olhos cinzentos, tão fixamente que a jovem se sentiu incomodada e se levantou.

- Por favor sente-se. Ainda não acabei. Para este escritório, preciso de alguém com muita prática, é um facto, mas tenho uma proposta para lhe fazer.

Que proposta, poderia ele fazer-lhe, depois de levar todo o tempo desde que ela entrara a mirá-la, daquele jeito estranho,  e praticamente lhe dizer que no escritório não tinha lugar para ela? Corou até à raiz do cabelo, e ia protestar, mas ele não lhe deu tempo.
- Diz o seu currículo que é educadora de infância. É verdade?
- Sim, -respondeu sem entender a pergunta
- E porque quer trabalhar num escritório, e não numa escola ou creche?
- Porque até agora nunca trabalhei, e não é fácil conseguir uma vaga para esses sítios a meio do ano e sem experiência. E preciso trabalhar, - respondeu sem saber bem onde o homem queria chegar, ou que espécie de proposta lhe iria fazer.

- Tenho uma filha de três anos. A minha mulher morreu há pouco tempo. A menina está em casa entregue aos cuidados da avó. Porém a minha irmã, vai ser mãe, e quer a nossa mãe junto dela. Fico sem ninguém para cuidar da minha filha, e não quero nem posso nesta fase, pô-la numa creche. Preciso de alguém que cuide dela, e lhe dê a atenção que ela precisa, ao mesmo tempo que a vá educando e motivando para que tenha um crescimento físico e mental, saudável. E ninguém melhor para isso que uma educadora de infância. Interessa-lhe?
- Claro que sim. Adoro crianças.
- E tem disponibilidade para começar amanhã?
- Sim.
- Muito bem. Antes de passarmos a falar do contrato preciso saber mais uma coisa.
- Por vezes chego tarde a casa. Por isso o seu horário não poderá ser um horário fixo. Por outro lado, quando saio em viagem, se a minha mãe, não puder na altura ficar com a Matilde, teria disponibilidade para dormir lá em casa?
- Toda a disponibilidade do mundo.
Ele olhou-a com curiosidade. Era muito jovem. E gente jovem, gosta de sair divertir-se, namorar. Seria um risco confiar-lhe a sua filha?

Avançou com as condições do contrato que ela aceitou.
- Muito bem. Vou mandar redigir o contrato. Se puder passar por cá um pouco antes da uma, assina o contrato e levo-a a minha casa para que conheça a minha mãe e a Matilde. Creio que não lhe disse o meu nome. César Ferreira, - disse levantando-se e entendendo-lhe a mão.
Apesar de saber que ele tinha o nome dela no currículo,  retribuiu o cumprimento, repetindo o nome, antes de se retirar.



Nota: A foto do pensamento de ontem é da São Banza. Porque me esqueci de o referir na altura aqui fica com um pedido de desculpas à autora.