Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta secretária. reforma. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta secretária. reforma. Mostrar todas as mensagens

17.1.18

A VIDA É... UM COMBOIO - PARTE VII




- Sente-se, Amélia. Chamei-a aqui porque tenho um novo trabalho para si. Um dos nossos clientes, faleceu há pouco tempo. Tinha um único herdeiro, um sobrinho que vivia no estrangeiro. Vamos ter uma reunião com ele esta tarde. O Carlos é que tratou sempre dos interesses jurídicos daquela firma, mas como sabe ele está a dois meses de se reformar, pelo que quero que passe com ele estes dois meses, para se inteirar de tudo, a fim de passar a substituí-lo quando ele se for embora.  A Amélia está connosco há uns bons anos, está perfeitamente capacitada para ficar no lugar do Carlos e deixar os casos de divórcios e partilhas para o Pedro que está a acabar o estágio e pode substituí-la. Está de acordo?
- Se o senhor, acha que eu estou capacitada para isso, fico muito feliz.
- Já falei com o Carlos. Ele espera por si, depois do almoço para a reunião com o cliente. Entretanto chame o Pedro, e diga-lhe o que acabei de lhe dizer. Passe-lhe os seus casos, e assegure-lhe que lhe dará apoio em qualquer dificuldade que ele tenha. Eu falarei com ele mais tarde, agora preciso sair.
Amélia levantou-se.  
- Farei por honrar o nome da firma, senhor – disse antes de se voltar para sair.
- Tenho a certeza disso, - retorquiu ele.
Ela saiu fechando a porta atrás de si. Matilde a secretária do chefe, fez-lhe o sinal de vitória com os dedos e Amélia sorriu.
Ambas sabiam, que Amélia devia ter progredido na carreira há muito, mas que o chefe, com ideias retrógradas e machistas, só o fazia agora porque não havia mais nenhum homem para promover.
Amélia já tinha sido preterida por duas vezes, por colegas menos capacitados. Há oito anos com a desculpa de que tendo um filho tão pequenino não poderia dedicar-se por inteiro ao cargo, e há três anos com a desculpa de que ela precisaria acompanhar o filho no seu primeiro ano de escola, e portanto não  teria a disponibilidade de tempo que o lugar exigia.  Ao chegar ao seu gabinete chamou o estagiário.
- Pedro, preciso falar contigo. Podes chegar aqui?
Não demorou mais do que alguns segundos. Era um jovem alto, muito magro, de rosto moreno, cabelos e olhos castanhos. Tinha um sorriso fácil, embora nos últimos dias andasse muito sério, quiçá triste até. Talvez porque o estágio estava a terminar e a perspetiva de ficar sem trabalho não lhe agradasse.
-Estás a acabar o estágio não é verdade, Pedro?
- Acaba para a semana.
-E gostavas de ficar cá a trabalhar?
- Claro que sim. Sabes se há alguma hipótese? – Perguntou ansioso.
- O chefe acaba de me dizer para te passar os meus casos, pois vais ser integrado. Vais substituir-me.
- Vais-te embora?
- Não. Vou substituir o Carlos que vai para a reforma em breve. Senta-te. Vamos trabalhar.
- É para já, - disse o rapaz com um sorriso que lhe iluminou o rosto.