Nesta foto do ano passado. eu tenho rabanadas e fatias douradas. E azevias de grão e de batata doce.
A poucos dias do Natal, hoje vou falar de rabanadas.
Quando eu era menina, no Natal da nossa casa, não havia filhoses, nem coscorões, que minha mãe não sabia fazer e não havia dinheiro para comprar. Mas a minha mãe fazia rabanadas. Com vinho pois claro. Passava o pão pelo vinho com açúcar, punha a escorrer, passava pelo ovo, e fritava.
Minha avó dizia, que rabanada era sempre feita com vinho, com leite, eram fatias douradas e não rabanadas. Dizia ainda que lá na aldeia, noutros tempos, se faziam fatias paridas .
Fatias paridas eram feitas como as rabanadas, mas em vez de serem mergulhadas em vinho, ou em leite como as fatias douradas, eram mergulhadas em água simplesmente. Depois eram envoltas no ovo e fritas, por fim eram regadas com mel, e dadas às mulheres que tinham acabado de parir,(era assim mesmo que a avó dizia) para que tivessem bom leite.Hoje lembrei-me disto e andei pesquisando na Internet. E realmente constatei que a maioria chama rabanada à fatia dourada, havendo até sites que dizem nas suas receitas, rabanada, ou fatia dourada.
Não sei se a Internet está certa, ou se era a minha avó, que tinha razão.
Diz-se que a rabanada é um doce tipicamente português, mas ela aparece com pequenas variantes em todo o mundo. Na França, chamam-lhe "pain perdu" e na Colômbia, Chile, Equador, Guatemala e México, chamam-lhe "tostadas francesas" ou "pan francés",
De origem portuguesa, ou francesa, o que importa é que de uma maneira ou de outra, ela vai a muitas mesas nesta época do ano.
Eu gosto muito de experimentar novos sabores, variar receitas. Por isso, eu vos deixo aqui a receita das minhas rabanadas, que nem são como a minha mãe as fazia, nem como as vejo por aí na Internet.
Começo por comprar um pão cacete dois dias antes para que esteja bem duro. No dia 24, logo pela manhã, ponho ao lume, 1 litro vinho branco, com uma colher de açúcar, 5 cravos da Índia, (cravinhos), um pau de canela, a raspa de um limão, e meia estrela de anis.
Quando o vinho começa a ferver, reduzo o lume para o mínimo, e deixo ferver durante um quarto de hora, tempo necessário para evaporar todo o álcool do vinho, sem que perca o sabor. E também para que ele absorva o sabor das especiarias. Ao fim desse tempo, apago o lume, e com uma espumadeira, retiro as especiarias, mergulho o pão no vinho quente, e retiro de seguida para uma rede onde fica a escorrer.
Depois do pão frio, passo por ovo, e frito. Para absorver parte da gordura, eu vou colocando-as sobre papel absorvente. Acabada a fritura, misturo num prato,açúcar com canela. Coloco as rabanadas numa taça e com um garfo salpico-as com esta mistura. Nunca as passo directamente na mistura, pois elas absorvem muito açúcar, e como sabem o açúcar é um doce veneno. Garanto-vos que ficam muito boas.Usem e abusem da canela, nesta altura em que se comem mais doces, pois ela faz com que o sangue não absorva parte do açúcar.
Ah! Só mais uma coisinha. Cuidado ao mergulhar o pão no vinho. Mergulham, viram e retiram imediatamente. Como o vinho está bem quente, o pão fica impregnado muito rapidamente, e se estiver tempo demais, desfaz-se.
Então aqui vai a minha receita
1 pão duro, (tipo cacete)
1 litro de vinho branco
6 ovos
açúcar q.b.
1 pau de canela
5 cravinhos
raspa de um limão
meia estrela de anis
Bom Natal.