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6.6.18

CASAMENTO DE CONVENIÊNCIA - PARTE XX


Joana acordou na manhã seguinte, com o braço do marido enlaçando a sua cintura e o calor do corpo masculino junto ao seu. A respiração dele, fez-lhe saber que dormia profundamente. Sem se mexer, fechou os olhos e recordou tudo o que se passara naquela noite. O medo irracional que a dominara, e a fizera chorar. A forma como Pedro reagira fora uma completa surpresa. Nunca lhe passara pela cabeça que o homem frio, que dizia não acreditar no amor, e negociara o próprio casamento, como da compra de um novo restaurante se tratasse, fosse na intimidade tão gentil, tão compreensivo, a ponto de a levar a contar, o segredo que durante anos a atormentara e sempre calara. Depois daquela noite, Joana sentia-se mais confiante em relação ao futuro, e menos apreensiva com o passo que dera. Quem sabe um dia, eles conquistariam a felicidade? Pedro Mesquita podia continuar a dizer que não acreditava no amor, mas naquela noite, com a sua atitude, conquistara o amor da esposa. 
Por outro lado, a sua mãe estava reagir muito bem ao tratamento, e as análises de controlo que fazia todas as semanas, demonstravam-no.
Dona Ermelinda era uma guerreira. Foi sempre uma mãe exemplar. Depois que ficou viúva, trabalhou sem descanso para que Catarina, que se preparava para entrar na Universidade, pudesse continuar os estudos.  Claro que ela também ajudou. Por essa altura, tinha conseguido emprego numa pastelaria. Entrara como ajudante de pasteleiro, mas rapidamente se impôs com novas receitas que foram um sucesso. Quando um ano depois o pasteleiro se reformou, foi com naturalidade que os donos deixaram nas suas mãos o cargo.
Mas o facto de ela contribuir com as despesas, não invalidava o esforço da mãe. E depois veio o maldito cancro, a mastectomia, e a quimioterapia, numa altura em que Catarina terminava o Curso de letras, mas estava ainda sem emprego. Depois apareceu aquele Pedro que afinal era Paulo e a irmã caiu de amores por ele. Desde menina, Catarina sempre fora uma criança frágil, que se deixava dominar pelas paixões. Para ela sempre era tudo ou nada, não havia meio-termo. Quando o pai morreu, Joana e a mãe, chegaram a recear  que adoecesse. A doença da mãe foi mais um golpe rude a que ela resistiu porque nessa altura apareceu o tal Paulo, e ela se apaixonou perdidamente por ele.
Por outro lado, a gravidez da filha e a possibilidade de ser avó, atuaram como o melhor dos remédios para a mãe, que vencido o cancro, fazia a reconstrução mamária. Depois Paulo desaparecera, e a irmã desabou. Joana e a mãe, temiam que ela não aguentasse a gravidez até ao fim. Depois, quando a mãe enfrentava a dor maior que qualquer mulher pode sofrer, a perda de um filho e tentava buscar no neto forças para continuar a viver, o rim começara a deixar de funcionar e os exames detetaram a maldita doença. A mãe não aguentaria novas doses de quimioterapia, e então o médico falou-lhe naquele tratamento alternativo, mas em Portugal só estava disponível em hospital privado. Joana teve que largar o emprego, e as poucas economias que tinha evaporavam-se a olhos vistos. Um bebé precisa de tanta coisa. Foi então que ela teve a ideia de criar a firma  para vender através da Internet os seus doces. Porém como toda a gente que começa, os clientes não abundavam e a situação estava aflitiva quando resolveu procurar o namorado da irmã, na empresa onde ele lhes dissera que trabalhava.
Não conseguia compreender porque ele dera o nome do dono da empresa em vez do seu. Mas fora graças a isso que ela era agora a esposa do empresário.