- Você sabe o que fazer, minha amiga. Depois de tudo o que passou, não pode tomar a decisão da sua vida, por aconselhamento alheio. Tenho a certeza que já se decidiu, e se veio aqui, foi exactamente para se encontrar e ganhar coragem, para pôr em prática essa decisão.
- Tem razão. Decidi dar a mim mesma, uma nova oportunidade de ser feliz. Mas apesar disso, de vez em quando sou assaltada, por pensamentos e receios negativos. Será que vai dar certo? Às vezes, penso que devia ficar quieta no meu canto, e deixar a vida correr até ao fim. Outras, penso que se a Vida me dá uma nova oportunidade, tenho mais é que agarrá-la, com ambas as mãos e fazer tudo para que dê certo.
Nesse momento meu marido entrou e as confidências acabaram. Maria ficou para jantar e quando se despediu disse que daria noticias.
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“Minha querida amiga.
Um ano se passou desde que estive em sua casa e deve pensar que desapareci de novo. Estou muito feliz. E como sabe, quando a felicidade entra as histórias acabam, como nos contos infantis. “Casaram e foram felizes para sempre” lembra? Pois é mais ou menos isso. Não casei com o Américo, talvez porque o medo não deixou, mas vivemos juntos e somos muitos felizes. É claro que gostaríamos de ser pais. Mas, dado os antecedentes e a minha idade, resolvemos não arriscar. Pensamos fazer uma adopção, mas o psiquiatra disse que não ia dar certo, pelo meu histórico de instabilidade psíquica. Apadrinhamos o bebé de uma vizinha, com quem fiz amizade e que preenche um pouco do vazio que me ia na alma. Diogo, o meu afilhado, é para mim o filho que não tive. Continuo com as consultas, mas já quase não tomo medicamentos. Estou em paz comigo e com o mundo. Já consigo pensar na minha mãe, sem sofrimento nem rancores. E até já fui ao cemitério levar flores e orações. Em breve faremos uma visita. Quero que conheçam o Américo. Um grande abraço, de nós, para vós.
Maria”
Fim
Maria Elvira Carvalho
Esta história terminou. Como disse no início, esta Maria é ficção, mas na primeira vez que a publiquei recebi um mail de alguém que me garantia que a história era praticamente a história da sua vida. Não sei se essa pessoa ainda anda pelos blogues, mas espero que tal como eu dei um final feliz a esta protagonista, ela também tenha encontrado a felicidade
