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7.5.21

COMEÇAR DE NOVO PARTE III

 


Contrariamente ao que Lena pensava, nem os pais, nem o irmão a recriminaram e embora ela soubesse que estavam desgostosos, apoiaram-na na decisão de ter o bebé.

Assim depois de conversar com os pais, cancelar a matrícula e adiar os estudos, pelo menos até o bebé nascer, despediu-se de Rita, e regressou ao lar paterno, não sem antes  ter convidado a amiga para madrinha do bebé e lhe ter pedido para a ir visitar à quinta sempre que quisesse e pudesse. Precisava mais que nunca da sua amizade. 

 A gravidez decorreu sem percalços e no final de Maio do ano seguinte, Helena dava à luz uma bela menina, com cinquenta centímetros e três quilos e duzentos gramas, a quem registou com o nome de Matilde.

Matilde cresceu robusta e sadia e cedo conquistou o amor dos avós.

Porém no dia em que completou o primeiro ano de vida, Joaquim, o avô, decidiu que era altura de ter uma conversa séria com a filha e disse-lhe:

-Lena, ontem conversei com a tua mãe, e ambos estamos de acordo, em que se ainda pretendes continuar os teus estudos, é altura de o fazeres. Pensa que já passaram dois anos da data em que terminaste o Secundário e quanto mais tarde, mais te custará a ambientares-te e mais terás esquecido daquilo que já aprendeste. Talvez queiras desistir por causa da tua filha, mas se assim é, cometes um erro enorme e é meu dever de pai aconselhar-te. 

É precisamente por ela que deves continuar os teus estudos e seguir uma carreira, tornares-te uma mulher independente, já que desde menina, nunca gostaste da vida na quinta e não serias feliz aqui na aldeia. E se tu não és feliz a tua filha também não o será, nem te agradecerá o sacrifício que faças por ela.

Sei que a Rita gosta muito de ti e adora a afilhada. Falei com ela esta tarde, enquanto adormecias a Matilde e estamos de acordo em que precisas de seguir com a tua vida. Prometeu que te ajudará a cuidar dela enquanto não arranjas uma boa creche. Nós ficaríamos encantados em cuidar dela, mas a menina ia sentir a tua falta, e depois já não somos novos e ela precisa conviver com outras crianças. Que dizes?

-Não sei, pai. Na verdade, o que me propõe é a realização de um sonho. Mas tudo isso custa muito dinheiro. Como posso pagar propinas, livros, roupas para mim e para a minha filha, creche, alojamento e alimentação? Não posso continuar a sobrecarregar—vos com despesas. Um bebé, é uma despesa enorme, e vocês têm pago tudo até agora. Não vos posso sobrecarregar mais.

- Bom, lembro-te que tens uma conta no banco que abrimos quando nasceste. Não é uma grande fortuna, mas dá para um bom tempinho. O teu irmão usou a dele quando decidiu ir viver com a Sofia, para montar  a casa e comprar o carro. E como sabes a tua mãe, vai vender a casa que herdou da tua avó, já recebeu o sinal e tem a escritura marcada. Decidimos dividir esse dinheiro pelos dois, nós não precisamos dele, e de qualquer modo será para vocês, quando nós partimos. Mas para quê guardá-lo se é agora que vos faz falta? Assim não terás de te preocupar, tanto mais que a Rita me disse que não vai aceitar dinheiro pelo quarto, troca o aluguer pela vossa companhia. Pensa nisso, filha.