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24.6.20

ISABEL - PARTE XXXI



Perturbada, Isabel levou alguns segundos para reagir. Algo dentro dela lhe dizia que não podia, nem devia fugir.
- Boa noite, Luís. Não esperava encontrá-lo aqui.
“Caramba não te ocorre nada mais original?”- pensou sem saber se devia ou não estender-lhe a mão.
Ele sorriu. Um sorriso que iluminava o seu rosto dando-lhe um ar mais jovial.
- Com os encontros que a vida nos tem proporcionado, eu já não me admiro se a encontrar à mesa do pequeno-almoço.
A alusão era inconveniente,  pensou Isabel corando.
- Desculpe Luís, preciso comprar umas coisas para o jantar. Outro dia falamos, - disse tentando sair dali o mais depressa possível.
- Não precisa, - disse rápido. Vai jantar comigo. E não me diga que não, será um jantar de amigos, aqui mesmo num destes restaurantes.
- Não pode ser. Mal nos conhecemos…
- Então? Mais uma razão. Vamos conhecer-nos durante o jantar.
 Baixou a cabeça e murmurou quase ao seu ouvido.
- Não tenha medo. Não sou o lobo mau. E depois estamos num lugar público, cheio de gente, que mal podia fazer-lhe?
Ela hesitou. No fundo desejava aceitar. Mas por outro lado aquele homem mexia demasiado com ela, e isso dava-lhe medo.
Luís era um homem experiente. Por isso não lhe passou ao lado, a  hesitação de Isabel. Suavemente pousou a sua mão no ombro dela.
- Venha. Prometo que a deixo seguir em paz, mal termine o jantar.
Sentir o calor da mão masculina na sua pele quase fazia Isabel perder o equilíbrio. Afastou-se rapidamente.
- Sendo assim vamos lá jantar, - disse.
Ele colocou-se a seu lado mas não voltou a tocar-lhe. Percebera perfeitamente a reacção dela e de novo se mostrava perplexo.
Porque é que aquela mulher era tão diferente de todas as que conhecera até ali? Lembrou-se de uma conversa que tivera com a mãe, nos tempos em que ela tentava a todo o custo, convencê-lo de que devia casar. A mãe dizia-lhe, que ele não podia tratar todas as mulheres da mesma maneira. 
Havia milhares de mulheres abnegadas e amorosas, incapazes de qualquer espécie de traição. Claro que ele soltara uma gargalhada de incredulidade.
Porém, ali estava ele, junto de uma mulher que não cabia em nenhum dos padrões, que ele conhecera até ao momento. Não era nenhuma adolescente, e no entanto parecia mais insegura que se o fosse. E por muito que duvidasse das mulheres, os olhos dela, e a linguagem corporal, mostravam que não estava a fingir.