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16.4.21

CASAMENTO POR PROCURAÇÃO - PARTE XXII

 



E chegou a véspera de Natal. Estavam na casa dos tios de Quim. Sofia e a tia Délia estavam na sala, os homens na cozinha preparando as iguarias para a ceia. A empregada, punha a mesa. Desde que adoecera, Sofia não voltara aquela casa, e preocupou-se com o ar da tia Délia. Estava cada vez mais débil. Mas continuava conversadora e simpática.

- Pareces muito bem, para quem esteve tão doente. É uma vantagem da juventude. A recuperação é sempre fácil e total. E como vai o teu casamento? O Quim tem-se portado bem contigo?
Sem saber bem o que a velha senhora queria dizer, e não querendo falar da sua vida intima, apressou-se a responder.

- Ó sim. Vai tudo muito bem.
- Folgo em saber isso, minha filha. Confesso que já senti remorsos da forma como o obrigamos a casar. Mas ele andava todo enrabichado com aquela serigaita da Joana e se não tomássemos uma atitude, acabava por fazer uma asneira que lhe ia dar cabo da vida.

Era a primeira vez que a senhora falava do assunto. Fez de conta que não sabia de nada. A senhora continuou:
- Sabes que já depois de casado ela ainda o andava a rondar? Apareceu algumas vezes no restaurante. E pedia sempre para cumprimentar o chefe. Para o obrigar a ir à sua mesa. Na última vez ficou frustrada quando o meu marido se apresentou na sua frente. E não voltou a aparecer.

Aquilo, Sofia não sabia. Porque é que ele não lhe dissera? Não se proclamara um homem sincero? Não lhe pedira paciência para se livrar dos fantasmas?
- Ai filha que já falei demais! Desculpa, não queria preocupar-te. O Quim é um homem responsável. Tem sólidos princípios morais. Nunca te trairá. Mas aquela mulher é um demónio com cara de anjo. Que o diga o seu ex-marido a quem ela arruinou.
Ela acreditava nos princípios do marido. E na sua sinceridade.

Tinha provas disso. Também do seu sentido de responsabilidade.
Só que isso não lhe bastava. Ela desejava dele o que uma mulher apaixonada deseja do homem que ama.
- Não se preocupe tia. O Quim tem sido um excelente marido, - afirmou desejando tranquilizar a velha senhora.

Nesse momento os homens entraram na sala.
- Vamos jantar? Está tudo pronto.
Quim ajudou a tia a levantar-se e deu-lhe o braço para a ajudar a chegar à sala. Ela e o tio seguiram-nos. Junto à mesa, Idalina a empregada aguardava-os. A mesa estava posta para cinco pessoas.
-Hoje a Idalina janta connosco. Desde que ficou viúva, vive connosco, já é quase da família, - explicou o tio.

                                               *********

Correu tudo bem com a consulta e a vacina do marido ele está muito mais calmo e eu também. Não fora as dores de cabeça que os olhos me estão a provocar e estaria tudo bem. 
Bom fim de semana e obrigado pelo vosso apoio e compreensão.

24.10.17

A RODA DO DESTINO - PARTE XXXVIII



- Foi demorado o almoço hoje, - disse Diana ao vê-la entrar acelerada mesmo em cima da hora.
Anete lançou um olhar pela sala. Ao ver que não havia ninguém para atender, disse baixinho:
- Estive a almoçar com o meu ex-marido.
- Uau! Deu-lhe a saudade? Não me digas que vais ter uma recaída.
- Deus me livre! Afonso é um homem muito bom, dará um excelente marido, mas não para mim. Já te contei que nos divorciámos de comum acordo e que somos amigos.
- Sim, claro. Mas o que é que ele queria?
Naquele momento entrou uma utente e Anete não pode responder. Nem mais tarde, porque em breve a sala estava cheia e não houve mais tempo para conversas.
À noite ao saírem, Diana insistiu:
- Então, não me vais contar?
- Afonso queria que eu soubesse que se tinha apaixonado. Não queria que eu soubesse por outras pessoas.
- Que simpatia! – Ironizou a amiga.
- Não sejas irónica. Eu fiquei muito feliz por ele. Sei que te pode fazer confusão, mas eu gosto muito do Afonso. É o melhor amigo dos meus irmãos, fomos criados juntos e amo-o quase tanto como aos meus irmãos.
- Não te entendo mulher. Se é assim porque se casaram?
- Foi um arranjo entre famílias. Como andávamos sempre juntos, eles pensaram que ia ser um casamento feliz. E nós fomos na onda.
- E perdeste grande parte da juventude. Até amanhã. Vem aí o meu autocarro, - disse começando a correr para a paragem que se encontrava uns cinquenta metros mais adiante.
- Até amanhã, Diana.
Anete continuou a sua caminhada. A paragem do metro era um bom bocado mais abaixo. Ela gostava de caminhar à noite pela rua, de olhar as montras iluminadas. Faltava pouco mais de um mês para o Natal, e as montras mostravam os mais variados artigos entre motivos alusivos à data.
Anete caminhava devagar, e de vez em quando, parava junto a uma montra que se mostrava mais apelativa. Não tinha pressa, não tinha ninguém à sua espera. A noite estava fria. Aconchegou ao pescoço a gola do casaco e retomou a marcha.  Pensava no Natal. Nos anos anteriores, passara com os pais a noite de Natal, e com a sogra o dia. Como seria o Natal deste ano?
Desceu a escadaria para o metro pensando em Afonso. Tinha ficado contente por saber que estava apaixonado. Oxalá tudo desse certo. Ele merecia ser feliz.
Ao entrar em casa olhou o relógio. Oito horas. Levara hora e meia para chegar a casa, um trajeto que de manhã fazia em meia hora. Despiu o casaco, e foi para a cozinha. Preparou uma omeleta de presunto e queijo, uma salada de alface e jantou.